|
Especial Sahara Livre.
Poemas de Ali Salem Iselmu
Ali Salem Iselmu, o autor dos poemas que seguen, guiou-nos e acompañou-nos
nos dias que estívemos nos campamentos de Tinduf. Á xa pesada
tarefa de atender a 17 visitantes. sumou-lle unha adicazón múltiple
e esquisita.
Para este número de Outrasvozes contabamos cun artigo seu
sobre a literatura saharaui, mas os problemas na comunicazón con
Rabuni e os maos fados impediron a sua recepzón.
Ali Salem, xornalista en activo no Ministério de Informazón
saharaui, marchou para Cuba con 12 anos para formar-se e non tomou até
12 anos mais tarde.
Contou as suas difículdades para recuperar o hassania, a sua língua,
e os enormes esforzos, que ainda mantén, para facer-se con ela;
contou-nos da sua família beduina nos territórios libertados,
e contou do seu paso como deputado polo Congreso Saharaui, monstrando-nos
a grande fortaleza dos que saben da sua luita e as suas esperanzas.
O MEU DESPERTAR
Emborcado na profundidade de um mar sem límites
pretendim observar o sol desde as alturas
imaginarias da minhas pegadas.
Aberto ao falso universo dos meus passos
esqueceu-se-me lembrar a decadência
das minhas emoçons.
Vejo traspassar os anos e as gentes e por fim
aparecem algumhas histórias inéditas na minha memória.
Surge já a nuvem carregada de fogo que aponta
para o mar querendo afundir o meu único veleiro.
Entom ergo-me co afám de perdoar
e querer o perdom quando na realidade a aurora
está apagada desde há tempo.
O VELEIRO SONHADOR
Ergues-te lembrando o pranto do passado,
dirigindo-te ao escuro presente da tua memória.
Debuxas o caminho do futuro, sonhas e finalmente
te ergues co mesmo alento de cada manhá.
O DESCONHECIDO
A história repete-se espontaneamente,
todos estamos expectantes ante a fragilidade do porvir,
enquanto se nos vem a velha melodia e desperta os nossos instintos.
Um homem promete devolver-nos a esperança perdida,
nos imaginarios jardins do passado.
Mas o cativeiro dos nossos passos abala
entre a multitude que nos olha desde longe.
A PAIXOM DOS ESQUECIDOS
As paredes de adobe
reflectem-se na ímensidade do deserto.
Elas cobrem e guardam por muito tempo
o desejo reprimido dos mortos e vivos.
Alçam-se na memória dos esquecidos
que enfiam rumo á raçom,
no trem de cada volta que dá a vida.
Ulem com paixom o perfume
do derradeiro vaso de água,
buscam no brilho de cada estrela
o início e fim de cada esperança.
TIRIS
Se chegas algumha vez
a umha terra lisa e branca
acompanhada de imensas estátuas pretas,
ves o andar passivo de camelos e beduínos,
lembra que existe umha terra sem amo e sem dono,
espelho e alma de todo ser vivente.
O ECO
Ando entre a inspiraçom e a desesperaçom sem admiraçom
nem coroa;
fugindo aos abutres do passado,
co constante temor aos abutres do presente
trato de deter-me mas o destino me persegue
e volve a desafiar a minha existência.
A GUERRA
Já nom fica nada
só as ruínas
detrás do teu devastador rasto.
Já nom fica nada,
só lamentos e bágoas
após a tua cruel apariçom.
Já nom fica nada,
nem antes,
nem despois,
nem agora,
que segues a ser
o refúgio do poder.
(Traducidos por A. Pagán)
|