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BRASIL • 10/11/2002 Carta do MST ao presidente Lula.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra se dirige ao povo brasileiro e ao presidente Lula para falar sobre a situação do nosso País e da luta pela Reforma Agrária. Estamos movidos pela esperança e confiança de que é possível um outro Brasil, onde mulheres, homens, crianças, jovens e idosos tenham uma vida digna e feliz. 1- O Brasil sofreu oito anos de um modelo econômico neoliberal, implementado pelo governo FHC, que só aumentou o sofrimento do povo e trouxe graves prejuízos para quem vive no meio rural, com o aumento da pobreza, da desigualdade, do êxodo, da falta de trabalho e de terra. 2- O povo brasileiro disse não a esse modelo econômico e agrícola. Votou maciçamente nas mudanças e elegeu o presidente Lula. É uma vitória do povo. Uma derrota das elites e do seu projeto. 3- O MST combateu esse modelo e, por isso, fomos perseguidos e injuriados. Pagamos um alto preço com massacres, prisões, mentiras sistemáticas e o descaso com as famílias assentadas. Nós nos engajamos em todas as campanhas eleitorais desde 1989, para que houvesse mudança. Agora, nos sentimos orgulhosos e vitoriosos por termos elegido o presidente Lula. 4- O latifúndio e o modelo neoliberal são a causa da fome, do desemprego, da pobreza, do analfabetismo e da falta de desenvolvimento no meio rural. 5- Temos certeza de que é possível derrotar o latifúndio pela organização do povo e pela vontade política do novo governo. Para nós, o inimigo é o latifúndio, e o governo Lula vai desempenhar um papel fundamental para democratizar a propriedade da terra no Brasil. 6- Precisamos construir um novo modelo agrícola, que priorize o mercado interno, a produção de alimentos e a distribuição de renda. Para isso, é necessário valorizar a agricultura familiar e as cooperativas, viabilizar e descentralizar as agroindústrias. O Estado deve assumir o seu papel na agricultura e garantir o direito dos agricultores produzirem suas sementes e desenvolverem técnicas adequadas ao meio ambiente e à qualidade dos alimentos. 7- É necessário garantir a educação pública para toda população do meio rural, como forma de conquista da dignidade e do desenvolvimento. 8- Nosso papel como movimento social é continuar organizando os povos do campo, conscientizando-os dos seus direitos e mobilizando-os para que lutem por mudanças. Manteremos a necessária autonomia em relação ao Estado, mas contribuiremos em todo que for possível com o novo governo, para que haja a tão sonhada reforma agrária. 9- Temos a oportunidade, neste momento, de realizar a tarefa histórica de implementar uma verdadeira reforma agrária, para democratizar o acesso à terra e eliminar a fome, o desemprego e as injustiças sociais. 10- Conclamamos a todos os trabalhadores e a sociedade brasileira em geral para que se organizem, se mobilizem e nos ajudem a fazer a reforma agrária. Um brasil mais justo e igualitário é possível. A hora é esta". Caruaru, Agreste pernambucano, novembro de 2002. Fonte: La Insignia. http://www.lainsignia.org |