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BRASIL • 6/3/2003 Radicais ou consequentes?
Tudo indica que são grandes as chances de uma CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) para apurar todo o processo de
privatização dos setores de telefonia e energia, sobretudo
telefonia. Se feita a sério vai faltar cadeia. O governo
de FHC inteiro, a começar pelo próprio, o grande condutor
do desmanche do Brasil como nação soberana, vai preso.
Daquela turma, é como a música: "se gritar pega
ladrão meu irmão/não sobra um..." Lula começa a perceber e quando escrevo Lula refiro-me ao atual governo como um todo, que não há como poupar o ex-presidente e seus asseclas. A tal herança maldita decorre de oito anos de ação corrupta deliberada, pois que planejada e muito bem subsidiada. No caso de Fernando Henrique, só para citar dois exemplos, um apartamento em Paris e um andar inteiro para a sua ONG, num prédio na capital paulista. Os que são chamados radicais, nesse caso, se mostram bem sensatos ao exigir que todas as trapaças do governo anterior sejam expostas aos brasileiros. Não há como segurar essa batata quente. Pilantras refinados como Jutahy Magalhães, ou como Artur Virgílio, líderes do partido de FHC na Câmara e no Senado, respectivamente, fiando-se nos escrúpulos tolos do novo governo, têm deitado e rolado nas críticas a Lula. Sobram sinais que Lula, aí o presidente, começa a se impacientar com a política econômica do ministro Palocci. Há indícios claros que não quer mais ouvir falar em aumento de juros. Sabe o que isso significa. Os primeiros momentos, uma espécie de acomodação das várias camadas petistas no novo papel, o de governantes, foram marcados pelo autoritarismo dos ministros Palocci e José Dirceu. Mas, como gostava de dizer Nelson Rodrigues, "até um paralelepípedo sabe", os brasileiros que votaram por mudanças começam a se perguntar: "mudar para quê, se a política econômica é a mesma?" Se políticos como Sarney e Michel Temer são interlocutores privilegiados, depois de oito anos assentados na cumplicidade com a podridão de FHC? O líder sindical Demerson Dias, um dos coordenadores da FENAJUFE (Federação Nacional dos Servidores do Judiciário Federal), num texto magistral mostra o verdadeiro caráter tucano, a forma solerte, propositadamente confusa com que agem no Congresso (sobretudo), mas fora dele também (no Judiciário), para garantir a impunidade dos bandidos que saquearam e venderam o Brasil. Diz lá, entre outras coisas, referindo-se ao foro privilegiado, instrumento legal criado para garantir a impunidade e funcionar como hábeas corpus preventivo para tucanos et caterva., sob a batuta de Jutahy Magalhães: "Existe originalmente na constituição a disposição de como devem ser tratados os crimes afetos a tratados ou convenções internacionais. A redação do Jutahy até que parece que está fazendo uma coisa interessante, uma ampliação para o espectro mais abrangente no campo dos direitos humanos. Ocorre que na constituição esses crimes podem ser apreciados pelos juízes de primeiro grau, a base da magistratura, portanto mais próxima da realidade da sociedade e mais distante dos rapapés palacianos e rococós das altas cortes (já pensou o que não precisa fazer um juiz federal - desembargador- para chegar à instância superior?). Aos leitores menos afeitos à temática, alerto quanto ao "poderá suscitar" típica armadilha casuísta. Assim fica resguardado o pleno direito à transgressão Se a solução é tão boa porque não dizer que "deverá suscitar"? Isso quer dizer que a questão pode ficar ao sabor da conveniência. Trata-se de uma variação do remorso monocórdico do tucanato. Isso não é diferente do foro especial para o FHC não ser perseguido em cada rincão do país, por juizas de fibra como Salete Macaloz. Trata-se de foro privilegiado para questõe de gravidade. Não se trata de crimes comuns". Não existe o tal radicalismo que tanto serve aos propósitos de grupos à direita no governo (Dirceu e Palocci), nem posturas inconseqüentes, ou levianas. Existe apenas o temor que a continuar esse silêncio, engulhos sejam as consequências mínimas. E, no caminho, a reforma da Previdência, idéia vendida
pelos bandidos de ontem, inocentemente usada pelos governantes de
hoje. Existe a reforma do Judiciário, no mesmo diapasão.
A primeira para privatizar a Previdência no País e
a segunda garantir o apartamento de Paris e o andar inteiro num
prédio em São Paulo, sem risco de cadeia. Por um lado,
o discurso equivocado da área econômica e do ministro
José Dirceu, de outro lado, o mesmo discurso, mas com a má
fé cínica, dos tucanos. Radicais? Querem apenas transparência
e apoiar as mudanças prometidas em campanha. Laerte Braga. Fonte: La Insignia. http://www.lainsignia.org Fotografía: Beatriz de Pedro http://www.lainsignia.org/2002/diciembre/album10.htm |