Marcos afirma que agora o principal producto de exportaçom
do Estado de Veracruz som as pessoas; que a repressom, é a
única resposta do governo veracruzano as reivindicaçons
de idígenas e labregos; e que o PRD antes era um partido de
esquerda, mais hoje nom tem princípios nem programa, e nom
quere ser máis que umha esquerda agradavel e cúmplice
da direita.
Março: Veracruz, a terceira estela.
(Um vice-rei modernizado ou o PRD, umha esquerda agradável
à direita).
Agora é o vento, e nom a mao, quem vira as folhas do calendário.
Depois dumha momentânea desordem, como é de lei, aparece
venturoso Março soprando umha palavra: VERACRUZ. Sobre a palavra,
vam a mao e o olhar...
Veracruz. De acordo com o INEGI, no 2000, este estado contava, com
quase 7 milhons de habitantes, deles três quartos de milhom
eram indígenas. Neste território moram indígenas
huastecos, tepechuas, otomíes-hñañúes,
totonacas, popolocas, mixtecos, zapotecos, mixes, nahuas, chinantecos,
mazatecos e mayozoques.
Marzo: a nube cede o tempo ào águia-sol e ésta,
com azul elegância, abandona os ceus de Puebla para adentrar-se
nos de Veracruz. A águia voa bordando de história e
resistência as margens da Serra Mai Oriental. Abaixo, nas proximidades
do rio Tecolutla, alza-se El Tajím. A ave planeia sobre a praça
do Arroyo, os jogos de bóla, a praça da Pirâmide
dos Nichos. Aí, a águia-sol baixa a terra na cabeça
dos valores. Nom para contar umha história passada, mais si
para testemunhar umha presente.
A Pirâmide dos Nichos, o antigo calendário, agora quebrado
e rejuntado para marcar os dias do Poder de hoje... com o apoio da
polícia e o Exército.
Em Veracruz, o vice-rei acha que se modernizou, mais o seu jeito de
governo é o mesmo com a qual os governos do PRI têm ferirdo
por décadas, as terras de México. Aqui os trabalhos
de governo nom som feitos polo senhor Miguel Alemán. Ocupado
como está em dar images e anécdotas para as páginas
de sociais, o senhor Alemám cedeu, de fato, o governo a um
capitám do Exército: o secretário da Segurança
Pública. É el o encarregado de atender os reclamos dos
veracruzanos e resolver as suas demandas. Para uns e outras tem sempre
umha resposta: repressom.
Em quanto o governador Alemám toma decisons importantes (como
escolher de que festa vai participar, ou que foto sairá nos
jornais, ou que traje se porá para o próximo baile),
outras cousas acontecem: os produtores de pataca no estado perdem
a maior parte da sua colheita. A isso soma-se-lhe o incumplimento
de compra por parte da empresa Sabritas. Resultado: labregos sem productos
e sem preço para os seus productos. Em Córdoba e em
outras regions do estado, os produtores de café se movilizam.
Em Tezonapa os labregos nom pedem subsídios, mais si reconhecemento
ao preço real do café. nos negócios o aromático
atinxe os 40 pesos por kilo, enquanto aos labregos pagam-lhos a um
peso ou a cincuenta centavos.
Home de image pública (e portanto preocupado pola aparência
pessoal), o vice-rei encheu de perruqueiros as zonas indígenas
veracruzanas. Mais estes perruqueiros levam uniforme verde oliveira
e fusiles G-3, e, além de cumprir coa sua missom estética,
fam negócios com narcotraficantes e cortadores de madeira.
Dessa forma as montanhas ficam rapadas e novamente penteadas com plantíos
de narcóticos, e, depois de "acertar-se" co senhor
governador, se engordam os petos da geral em quenda.
Os "bons governos" federal e estatal (quando o seu trabalho
nos meios de comunicaçom o permite) levam adiante umha política
económica exitosa: Veracruz ja nom produce café, alimentos,
gado; agora este estado (como muitos outros da República mexicana)
tem as pessoas como principal producto de exportaçom. Si, a
cada semana exportam até 3 autobuses, cheios de mexicanos,
rumo à fronteira. Destino? A Unióm Americana. Vam a
procura do alimento que a sua terra, rica como poucas, lhes dá,
mais que lhes é tirado pola voracidade que assume forma de
empresa e governo.
Famílias inteiras devem deixar todo, muitas vezes por umha
fraude. Freqüêntemente os "recrutadores" prometem-lhes
casa e bons salários. Mais ao chegarem se atopam com alojamentos
colectivos e salários miseráveis. E ainda assi, se vam.
Qualquer cosa é melhor que a média de 8 pesos diários
que ganham co seu trabalho em terras veracruzanas. A crise dos pequenos
produtores de café beneficiou aos fazendeiros, que assi atopam
abundante mao-de-obra a um preço ridículo. Resultado:
os ricos som menos, ainda que máis ricos; os pobres som máis
e mais pobres.
Na Serra Norte de Veracruz nem a cana-de-açúcar nem
a ananás nem os cítricos têm preço. Devido
aos recortes de orçamento, o que máis produziu o campo
som emigrantes. Além disso têm sofrido fortes repressons
do governo de Miguel Alemám. Contodo, a organizaçom
trasnacional de nahuas, tepehuas e otomíes avança; do
mesmo jeito que o município de Texcatepec coa organizaçom
de comuneiros otomíes: Comité de Defensa Campesina.
nesta zona, conflúem as rebeldias de hñañúes,
tepehuas e nahuas com o Comité de Direitos Humanos da Serra
Norte de Veracruz, Radio Huayacocotla, a Agrupaçom de Direitos
Humanos Xochitépetl e a Unióm Labrega Zapatista. A regiom
tem a enorme vantage de contar coa única rádio comunitaria
independente do país: Radio Huayacocotla, que transmite (a
contragosto da Secretaria de governo, que tentou fechá-la várias
vezes) em nahua, tepehua e nhyuhú. Texcatepec é o município
número 23 quanto ao grau de marginaçom no país,
é o município máis pequeno da regiom e a pesar
de ser moi pobre, é onde o povo máis tem resistido ao
PROGRESA e o PROCEDE.
Ilamatlám é outro município sempre em resistência...
como podem, pois é um pouquinho menos pobre que Texcatepec.
É o 24 município em marginaçom no país
e o cuarto a nível estatal. Os números oficiais apontam
que mais de 95 por cento da povoaçom do município de
Ilamatlám está desempregada. Este município está
perto de inverter a porcentage nacional entre empregados e desempregados,
o que significa que por cada vinte pessoas em idade de trabalhar,
só umha tem oportunidade de obtê-lo.
Em Ixhuatlám de Madero, a partir da repressom ocorrida em 14
de Junho de 2001 (quando foi atacado o contingente de mais de setecientos
homes e mulheres que marchava naquel dia cara Xalapa para reivindicar
a construçom de um hospital em Campo la Mata, perto das suas
comunidades, e nom no corredor urbano (como queria o governador),
as comunidades indígenas deste município decidirom constituir
a Fronte Indígena Ixhuateca para luitar contra as respostas
selvagemente repressoras do governo de Miguel Alemám Velazco.
O problema na área rural de Veracruz pode-se resumir em três
palavras: explotaçom, repressom e corrupçom.
Porque os que nom se vam, resistem e luitam. Aí está
o Conselho Popular Indígena da Serra de Zongolica que, unindo
a mestres bilingües e outros luitadores sociais, procura transformar-se
em alternativa de luita civil e pacífica.
No sul de Veracruz, as comunidades nahuas agrupadas na Fronte Popular
do Sul de Veracruz resistem e se organizam.
Em Coyutla, habitada em 90 por cento por indígenas totonacas,
a corrupçom, a discriminaçom e a repressom produzirom
algo lógico: rebeldia. Aí naceu e se mantém o
Movimento Cidadám Coyuteco, formado polo povo. Si, polo povo,
ponto. Aí, sem distinçons de partidos políticos,
os cidadáns se organizam, discutem e chegam a acordos e levam
adiante as suas reivindicaçons. Desde finais do ano 2000 as
suas exigências de pôr fim à corrupçom e
à discriminaçom têm encontrado como resposta ameaças,
malheiras e tiros. Os coyutecos, de conseqüência, formarom
um Conselho Municipal Autônomo. Quando umha das suas xuntas
foi atacada por pistoleiros do governo, as mulheres sairom para enfrentá-los
e os pugerom a correr. Estas som algunhas das suas palavras:
"A gente está disposta a seguir luitando, ja nom temos
medo porque estamos organizados. Temos demostrado que somos máis
fortes que os que mercam as conciências e os que têm saqueado
o nosso povo. A nossa causa é a justiça com dignidade
e o respeito à nossa autonomia. Nós totonacos temos
muitos jeitos de resistir através da dança, a música,
a festa, através do trabalho comunitario (que aqui chamamos
de mao-virada"). A roupa, os ritos, mitos e narraçons
som parte da resistência. Todo isto ajuda-nos a manter viva
a nossa cultura, e a defender os nosos direitos como povo Totonaco".
E continuam:
"As linhas de acçom que nós vemos som: obter a
soluçom dos problemas de Coyutla, que se retome o projecto
da Lei Cocopa, que se cancele definitivamente o evento Cumbre
Tajín por comercializar o símbolo da nossa cultura,
e fazer que se reconheza o nosso Conselho Municipal Autônomo".
¡Um momento! Dixérom El Tajím? Nom
é aí onde o vice-rei Alemám se gaba de ter conseguido
a comercializaçom moderna da história?
Si. O senhor Miguel Alemám se burla, nom sem um pouco de mágoa,
daqueles que vivem da venda de artesanías. El nom vende artesanías,
el vende zonas arqueológicas inteiras. Ainda que, claro, nom
faltam corta-rolhos:
Na regiom de Totonacapam, em Papantla, se realizam actividades em
defensa do patrimonio cultural mexicano e, em particular, da zona
arqueológica de El Tajím. Todo isso contrariando o governo
de Miguel Alemám, que se propóm privatizar toda a regiom.
O obxectivo de Alemám tem cor verde-dólar Os caros eventos
em El Tajím têm o estrangeiro como público e principal
cliente. Mais o Fronte pola Defensa do Patrimônio Cultural (conformado
por várias organizaçons) denunciou em repetidas ocasions
que o projecto governamental pretende desmontar a area para erguer
um hotel de cinco estrelas e um cassino para turismo internacional.
A comercializaçom de El Tajím é, tamém,
a sua destruiçom. Cada vez que o senhor Alemám monta
os seus "shows", se rompem basamentos pre-hispânicos
para pór estrados e bases de reflectores. O INAH é cúmplice
porque se leva umha boa talhada.
Como parte da sua luita, a Fronte pola Defensa do Patrimonio Cultural
meteu umha demanda penal contra o vice-rei, mesma que a "justiça"
arquivou na estante da "i" de "imposíveis",
"inconvenientes", "irrespeitosos". Mais abaixo,
quem luitam continuam coa "r" de "resistência"
e "rebeldia".
Nas áreas urbanas se faram necessarios trabalhos de recuperaçom
estética, pois as regions marginalizadas aumentam.
Em Poza Rica, terra ferida polos poços de petroleo e o sindicalismo
charro, se preserva a memória passada e presente
da resistência. Desde as luitas de 1934 e 1958, até a
luita e a morte (manchada pola suspeita mesquinha) de Digna Ochoa.
Assi, trabalhadores de Pemex, mestres, empregados do sector saúde,
donas de casa, e religiosos se reúnem, discútem e acordam
actividades de informaçom e defensa da cultura.
Nas áreas têxteis como Rio Branco, Nogales e Ciudad Mendoza
há muito descontento pola falta de emprego. Em Nogales os obreiros
conseguiram tirarr a fábrica do patrom, mais nom têm
recebido ajuda governamental para fazê-la andar. Em Ciudad Mendoza
há obreiros que continuam pelejando a sua liquidaçom
desde fai mais de 10 anos. Em Rio Blanco há incerteza quanto
ao emprego, porque a fábrica trabalha umha temporada e fecha
em outras, mudarom o contrato aos trabalhadores e agora tenhem condiçons
como as da época de Porfírio Diaz. Em Nogales, como
resposta à luita dos cidadáns para que a áuga
do seus mananciais nom fosse levada aos parques industriais, o governo
de Miguel Alemám acusou-nos de "sediçom" e
meteu-nos ao cárcere.
Na regiom de Tezonapa nom lhes querem reconhecer, as concessons feitas
aos transportistas do Vale de Tuxpango, a pesar de que som eles quem
dam serviço às comunidades. Em Ixtaczoquitlam luitam
desde fai tempo contra a contaminaçom que provoca Cementos
Apazco, mentres nos arredores da cementeira aumentam as doenças
congênitas e os abortos involuntários.
Na regiom de Orizaba o povo enfrenta o desemprego, pois o corredor
industrial está deteriorado (de 5 fábricas têxteis,
só umha trabalha), e as empresas como a cervejaria, cementos
e Kimberly recortarom muitos postos de trabalho. Os jubilados protestam
polas ridículas pensons que recebem, que nom dam para nada,
e dim que ja nom iram votar porque mentres os funcionários
tenhem bons salários a eles lhes dim umha miséria por
30 ou 40 anos de trabalho. O transporte urbano prepara um aumento
de preços. A falta de vivenda é um jugoso negocio para
as constructoras privadas, que contam co apoio do governo estatal
e dos municipais.
Contodo, aqui se realiza um trabalho de apoio aos migrantes (Comité
de Apoio a Migrantes "Ricardo Zapata"), às mulheres
que sofrem a violência e às trabalhadoras do sexo (Cihuatlahtolhi
-Palavra de Mulher-), além da Organizaçom de Mulheres
de Jalapinha. Estas mulheres forom as que se encarregaram da comida
e segurança da Marcha Zapatista no seu passo por Orizaba.
A marcha zapatista... Orizaba...
Se nos dixessem que poderíamos voltar a um lugar dos que visitamos
na marcha, mais só a um, escolheríamos Orizaba. Aqui
coincidirom varias circunstancias afortunadas: uns organizadores abertos,
tolerantes e incluentes; ong's activas e comprometidas, comunidades
indígenas luitadoras, meios de comunicaçom locais particularmente
sensíveis à causa indígena, e um povo (formado
por moçedade, estudantes, obreiros, donas de casa, colonos
e empregados) especialmente nobre.
¿O resultado? O que ia ser um rápido saúdo da
Marcha da Cor da Terra, converteu-se num dos actos máis festivos
e combativos de todo o percorrido. Nom só na praça,
mais tamém na rua. Estiverom, e vivas, todas as cores.
Todos, até o gris...
Antes, em Dezembro do ano 2000 e depois de que o EZLN anunciase publicamente
a sua intençom de marchar ao DF, nunha das juntanças
onde a bancada de legisladores do PRD discutia os Acordos de Sam Andrés,
a deputada Rosário Tápia pediu a palavra e dixo assi:
"Companheiros, é indispensavel que nos ponhamos de acordo
co PRI e co PAM para quitar o dos Acordos de Sam Andrés, para
evitar que a comandancia do EZLN chegue à Cidade de México.
Isso seria mortal para o PRD e, por outra banda, seria um triunfo
para eles e nom para o Congreso. Muito menos para nós".
Um pouco depois, quando a marcha estava por se iniciar, na juntança
do Comitê Executivo do CEN perredista, o porta-voz do PRD (e
hoje secretário geral nacional desse partido), Navarrete, declarou:
"O principal perigo para o PRD é a transformaçom
do EZLN num partido político, ao mesmo tempo em que quanto
máis tardar a aprobaçom da lei, máis posibilidades
temos de que o zapatismo se isole".
O que naquel momento se botou a andar como umha proposta isolada,
se converteu em decisom em Orizaba.
Orizaba, ano do 2001, a praça cheia...
Num recuncho se atopavam duas personages da política: os senadores
Jesus Ortega (chefe da bancada perredista no Senado) e Demetrio Sodi
de la Tijera (membro perredista da Cocopa). A praça de Orizaba
sempre foi um lugar difícil para as manifestaçons políticas,
e os dous senadores estavam aí para atestiguar o fracasso na
convocatoria dos zapatistas. De queixo caido e com o rosto cinzento,
viam e ouviam às pessoas. Entóm olharom-se entre si,
entendendo que havia que fazer todo o possível para que esa
força nom saísse definitivamente para a luita aberta...
nunca.
Numha banda, Jesus Ortega, nativo de Aguascalientes, ex-seguidor fiel
de Rafael Aguilar Talamantes no Partido Socialista dos Trabalhadores,
deputado de 1979 a 1982, expulsado do PST em 1987, membro do PSM e
depois do PSUM, novamente é deputado de 1988 a 1991, em 1989
soma-se à corte máis próxima a Cuauhtémoc
Cárdenas, desde 1993 o seu trabalho no IFE lhe permite vincular-se
aos órgaos do PRD nos estados, de novo deputado de 1994 a 1997
(entóm coordinador da grupo de deputados do PRD), foi membro
da corte de Cárdenas até o ano 2000, quando mesmo lhe
aconselhou o retiro (hoje é um dos seus principais detratores),
é agora senador da República e coordinador da bancada
da seu partido nesta câmara.
Sem ter dirigido nengum sector social, sem nengumha produçom
intelectual, sem as dotes de tribuno, sem carisma algum, o senador
Jesus Ortega é um botom da grande mostra de dirigintes do Partido
da Revolución Democrática.
À sua direita, Demetrio Sodi de la Tijera, originário
do D.F., ex gerente de empresas públicas e privadas, coordinador
geral do DDF nos tempos de Ramóm Aguirre, ingresa ao PRI em
1975, deputado federal polo PRI quando se concreta a fraude Salinas
contra Cárdenas, deputado estatal (com a bençom de Salinas)
do PRI na segunda Asambleia Local do DF (91-94), formava parte do
grupo de Manuel Camacho Solís até que éste nom
é eleito candidato presidencial polo PRI, saiu do PRI em 1994
depois do assassinato de Colosio, diriginte de Alianza Cívica
em 1994 e membro do Grupo San Angel no mesmo ano, em 1996 participa
no Foro para a Reforma do Estado (organizado polo EZLN) com umha exposiçom
na qual previa que o PRI se manteria no poder por muito tempo e que
só as candidaturas conjuntas de PAM e PRD poderiam derrotá-lo,
entra ao PRD -animado polo triunfo de Cárdenas no DF em 1997,
deputado do PRD em 1997-2000, agora senador do 2000 ao 2006. Como
senador, além de impulsar a contra-reforma indígena,
buscou chegar a acordos co PAM quanto à privatizaçom
do sector eléctrico, votou em contra da renegociaçom
da entrada em vigor do capítulo agropecuario do TLC, e em nom
poucas ocasions se manifestou em contra dos labregos rebeldes de San
Salvador Atenco.
Dias atras, o analisto político Armando Bartra fazia umha espécie
de balanço dos 9 anos do TLC e da presença pública
do EZLN. Nom irei me deter em criticar a análise frívola
e superficial das iniciativas zapatistas, mais si num ponto: o mestre
Bartra dizia que nom devíamos procurar caras de "Lulas"
(em referência ao hoje presidente de Brasil) aos nossos políticos,
mais que se teria que luitar, nom só desde abaixo, tamém
desde "em riba" (é dizer nas câmaras) polo
transformaçom de México. Concordo no de nom ver-lhe
cara de "Lula" aos políticos. Mais semelha tamém
um erro dotar o PRD mexicano do rostro do PT brasileiro. E onde está
o equivalente ao MST (Movimento dos Sem Terra) carioca?
Semelha que o único argumento para suster que se deve apoiar
ao PRD é que nom há outra cousa, que se nom se apoia,
entóm o PRI e o PAM e a mai do morto, e o sectarismo e todas
as desgraças, iram cair sobre nós. Recentemente, como
resposta às críticas ao PRD feitas polos 7 comandantes
e comandantas do EZLN, o primeiro de janeiro deste ano, a presidenta
dese partido, Rosário Robles, chamava a nom pelejar entre "amigos",
e insistia em que o feito da votaçom da lei indígena
fora um erro e assi se reconhecera.
"Amigos"?. "Erro"?
Polo que sae das seguidas defensas que os senadores Ortega e Sodi
fizeram da contra-reforma indígena (quando ja nem Bartlett
nem Cevallos a defendiam, pois era grande o repúdio nacional
e internacional), nom se tratou dum "erro tático".
Na visom de Ortega e Sodi realmente nom é muito importante
que às comunidades nom se lhes reconheça o seu carácter
de "entidades de direito público"; tampouco que nom
se fale do "aprovritamento colectivo dos recursos naturais"
(¡segundo Ortega isso é innecessário!); inclusive
na questom o da terra, em quanto "hábitat que abrange
o território".
Com todo isso, as queixas e a oposiçom dos povos índios
de México em contra da Lei, que os senadores quigeram e querem
limitar à "gente próxima ao EZLN e ao subcomandante",
som reduzidas ao feito de que os povos índios nom comprendem
a "sabedoria" dos legisladores perredistas.
Mais o caso é que os senadores da esquerda mexicana defenderam
umha lei que é de direita. E quando o senhor Cárdenas
Solórzano indicou votar pola contra-reforma indígena
("Es um senador do EZLN ou do PRD? Vota pola unidade do partido!",
diria, esquecendo que os senadores nom som do EZLN, mais tampouco
do PRD, do PRI ou do PAM, se nom senadores da REPUBLICA), o fizo por
umha lei de direita.
A alternativa era clara: ou cos povos índios (e os milhóns
de mexicanos nom índios que apoiam as suas reivindicaçons)
ou co contra-reforma indígena de Cevallos-Bartlett-Ortega.
E o PRD escolheu, e escolheu de acordo ao perfil que construe para
si: o dumha esquerda agradavel e cúmplice da direita.
A aprobaçom da lei Cevallos-Bartlett-Ortega (dizendo de passo
que, nengum deles foi eleito por votos -entrarom ao Senado como quota
de partido-), é dizer, do PRI-PAM-PRD foi, de feito, um triunfo
da classe política mexicana em contra dos povos índios
(e nom só contra o EZLN), mais um triunfo pírrico, que
ja se esvaece diante o avançe dos processos de autonomia e
de resistência nom só entre os indígenas.
Os deputados perredistas se "salvam"? Bom, o voto em contra
da contra-reforma se acordou no grupo parlamentar da Câmara
de Deputados com apenas 3 votos de diferença. E os deputados
do PRD estam a aprobar varias cosas que tenhem que ver com dita contra-reforma.
Mais, ja no campo das suposiçons, pensando que si, que só
foi um "pequeno erro" que devemos nos perdoar como "amigos",
entom , que significado tem o que segue?
1) O PRD leva votando três anos seguídos a favor do orçamento
federal. Eles justificam-se sublinhando que nom forom os projectos
originais de Fox. A realidade é que na Fazenda se manda um
orçamento que ja sabem que deverá ser "modificado"
polos deputados (aumentando um pouquinho a educaçom, saúde,
etc.), co qual se garante o seu voto. Se for verdade, como di a teoria
econômica, que o orçamento representa o modelo econômico
em funçons, entóm o PRD leva três anos votando
a favor do neoliberalismo e contra os mexicanos, e o seu voto significou
votar a favor de pagar a déveda externa, de limitar o crecimento,
de seguir fielmente os ditados do Fondo Monetário Internacional
e do Banco Mundial.
2) Os deputados do PRD estam a por em prática os acordos sobre
a Lei indígena que se votarom maioritariamente, tanto no que
tem que ver coas leis reglamentarias, como no das partidas presupuestais.
Votarom em contra, mais som garantes da implementaçom dessa
lei.
3) no Senado o PRD votou a favor das modificaçons à
Convençom Internacional sobre Desaparecidos, co qual garantiu-se
o foro militar (os soldados somente serám julgados por tribunais
militares) e a nom retroatividade, co qual se garantiu a impunidade.
4) Em Dezembro do ano passado vários legisladores do PRD (entre
outros, o senador Sodi) votarom co PAM e o PRI sobre nom exigência
da suspensom da aplicaçom do capítulo agropecuário
do TLC.
5) Simplesmente para se dar umha idéia do gasto que significarom
as eleiçons internas do PRD, um anúncio de 20 segundos
no noticiário de López Dóriga, em Televisa, custa
465 mil pesos. Aos menbros das brigadas (muitas vezes membros de grupos
de varias colônias pobres) pagavam-lhes 60 pesos por hora no
dia para pegar propaganda, e 80 pesos a hora para tirar a do contrincante
durante a noite. Calcula-se que o costo da campanha prévia
do PRD foi de perto de 80 milhons de pesos.
6) O senhor Ramírez Cuéllar, de El Barzóm, um
dos "lideres" do movimento labrego actual, nom foi pre-candidato
do PRD à delegaçom Venustiano Carranza do DF que, por
suposto, está povoada por labregos? Quantos dos candidatos
do PRD a postos diversos forom algunha vez lideres sociais? Quantos
precandidatos do PRD às delegaçons nem sequer aparecerom
nos boletos de enquisa? Quanto se gastarom os pre-candidatos que se
anunciarom em rádio e televisom? Quanto se gastou na avioneta
que promocionava a um dos pre-candidatos?
7) Um partido de esquerda recorre às enquisas para escolher
aos seus candidatos e dirigintes? Um partido de esquerda promociona
nomes e rostos em lugar de princípios e programas? Nom é
verdade que o 67% dos municípios que o PRD ganha, os perde
na eleiçom seguinte por governar como o fam o PRI e o PAM?
Nom é certo que o discurso do PRD nom "chega" à
mocidade, aos indígenas, aos ecologistas,às mulheres,
ao novo movimento labrego? Quál é a posiçom clara
do PRD nos asuntos internacionais?
O PRD, é certo, algumha vez foi um partido de esquerda. Ja
nom. optou por se somar (á fila) à lógica da
classe política e só aspira a ser o peso que modifique
a balança, esquecendo que ao dono da balança isso é
de pouca conta. Ligou-se ja ao aparato de Estado e depende, economicamente,
é dizer, politicamente del. No seu interior ja se formou umha
nova classe de políticos que vive do orçamento e fai
todo o possível por se manter em el. Ja nom há princípios,
nem programa... e, de conseqüência, nem partido.
A nós zapatistas nom se nos escapa o feito de que há
muita gente honesta e coerente no PRD (a saudamos). Mais nom é
ela a que decide o rumo e o perfil desse instituto político.
Unha e outra vez nos dizem que, nom importa, nom hai outra cousa.
Mais, como dixo o Comandante Tacho o um de Janeiro, hai outra cousa
SI...
Desde as montanhas do sudeste mexicano.
Subcomandante Insurgente Marcos.