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MÉXICO • 27/2/2003

Março: Veracruz, a terceira estela.

Lula Marcos afirma que agora o principal producto de exportaçom do Estado de Veracruz som as pessoas; que a repressom, é a única resposta do governo veracruzano as reivindicaçons de idígenas e labregos; e que o PRD antes era um partido de esquerda, mais hoje nom tem princípios nem programa, e nom quere ser máis que umha esquerda agradavel e cúmplice da direita.

Março: Veracruz, a terceira estela.

(Um vice-rei modernizado ou o PRD, umha esquerda agradável à direita).

Agora é o vento, e nom a mao, quem vira as folhas do calendário. Depois dumha momentânea desordem, como é de lei, aparece venturoso Março soprando umha palavra: VERACRUZ. Sobre a palavra, vam a mao e o olhar...

Veracruz. De acordo com o INEGI, no 2000, este estado contava, com quase 7 milhons de habitantes, deles três quartos de milhom eram indígenas. Neste território moram indígenas huastecos, tepechuas, otomíes-hñañúes, totonacas, popolocas, mixtecos, zapotecos, mixes, nahuas, chinantecos, mazatecos e mayozoques.

Marzo: a nube cede o tempo ào águia-sol e ésta, com azul elegância, abandona os ceus de Puebla para adentrar-se nos de Veracruz. A águia voa bordando de história e resistência as margens da Serra Mai Oriental. Abaixo, nas proximidades do rio Tecolutla, alza-se El Tajím. A ave planeia sobre a praça do Arroyo, os jogos de bóla, a praça da Pirâmide dos Nichos. Aí, a águia-sol baixa a terra na cabeça dos valores. Nom para contar umha história passada, mais si para testemunhar umha presente.

A Pirâmide dos Nichos, o antigo calendário, agora quebrado e rejuntado para marcar os dias do Poder de hoje... com o apoio da polícia e o Exército.

Em Veracruz, o vice-rei acha que se modernizou, mais o seu jeito de governo é o mesmo com a qual os governos do PRI têm ferirdo por décadas, as terras de México. Aqui os trabalhos de governo nom som feitos polo senhor Miguel Alemán. Ocupado como está em dar images e anécdotas para as páginas de sociais, o senhor Alemám cedeu, de fato, o governo a um capitám do Exército: o secretário da Segurança Pública. É el o encarregado de atender os reclamos dos veracruzanos e resolver as suas demandas. Para uns e outras tem sempre umha resposta: repressom.

Em quanto o governador Alemám toma decisons importantes (como escolher de que festa vai participar, ou que foto sairá nos jornais, ou que traje se porá para o próximo baile), outras cousas acontecem: os produtores de pataca no estado perdem a maior parte da sua colheita. A isso soma-se-lhe o incumplimento de compra por parte da empresa Sabritas. Resultado: labregos sem productos e sem preço para os seus productos. Em Córdoba e em outras regions do estado, os produtores de café se movilizam. Em Tezonapa os labregos nom pedem subsídios, mais si reconhecemento ao preço real do café. nos negócios o aromático atinxe os 40 pesos por kilo, enquanto aos labregos pagam-lhos a um peso ou a cincuenta centavos.

Home de image pública (e portanto preocupado pola aparência pessoal), o vice-rei encheu de perruqueiros as zonas indígenas veracruzanas. Mais estes perruqueiros levam uniforme verde oliveira e fusiles G-3, e, além de cumprir coa sua missom estética, fam negócios com narcotraficantes e cortadores de madeira. Dessa forma as montanhas ficam rapadas e novamente penteadas com plantíos de narcóticos, e, depois de "acertar-se" co senhor governador, se engordam os petos da geral em quenda.

Os "bons governos" federal e estatal (quando o seu trabalho nos meios de comunicaçom o permite) levam adiante umha política económica exitosa: Veracruz ja nom produce café, alimentos, gado; agora este estado (como muitos outros da República mexicana) tem as pessoas como principal producto de exportaçom. Si, a cada semana exportam até 3 autobuses, cheios de mexicanos, rumo à fronteira. Destino? A Unióm Americana. Vam a procura do alimento que a sua terra, rica como poucas, lhes dá, mais que lhes é tirado pola voracidade que assume forma de empresa e governo.

Famílias inteiras devem deixar todo, muitas vezes por umha fraude. Freqüêntemente os "recrutadores" prometem-lhes casa e bons salários. Mais ao chegarem se atopam com alojamentos colectivos e salários miseráveis. E ainda assi, se vam. Qualquer cosa é melhor que a média de 8 pesos diários que ganham co seu trabalho em terras veracruzanas. A crise dos pequenos produtores de café beneficiou aos fazendeiros, que assi atopam abundante mao-de-obra a um preço ridículo. Resultado: os ricos som menos, ainda que máis ricos; os pobres som máis e mais pobres.

Na Serra Norte de Veracruz nem a cana-de-açúcar nem a ananás nem os cítricos têm preço. Devido aos recortes de orçamento, o que máis produziu o campo som emigrantes. Além disso têm sofrido fortes repressons do governo de Miguel Alemám. Contodo, a organizaçom trasnacional de nahuas, tepehuas e otomíes avança; do mesmo jeito que o município de Texcatepec coa organizaçom de comuneiros otomíes: “Comité de Defensa Campesina”. nesta zona, conflúem as rebeldias de hñañúes, tepehuas e nahuas com o Comité de Direitos Humanos da Serra Norte de Veracruz, Radio Huayacocotla, a Agrupaçom de Direitos Humanos Xochitépetl e a Unióm Labrega Zapatista. A regiom tem a enorme vantage de contar coa única rádio comunitaria independente do país: Radio Huayacocotla, que transmite (a contragosto da Secretaria de governo, que tentou fechá-la várias vezes) em nahua, tepehua e nhyuhú. Texcatepec é o município número 23 quanto ao grau de marginaçom no país, é o município máis pequeno da regiom e a pesar de ser moi pobre, é onde o povo máis tem resistido ao “PROGRESA” e o “PROCEDE”.

Ilamatlám é outro município sempre em resistência... como podem, pois é um pouquinho menos pobre que Texcatepec. É o 24 município em marginaçom no país e o cuarto a nível estatal. Os números oficiais apontam que mais de 95 por cento da povoaçom do município de Ilamatlám está desempregada. Este município está perto de inverter a porcentage nacional entre empregados e desempregados, o que significa que por cada vinte pessoas em idade de trabalhar, só umha tem oportunidade de obtê-lo.

Em Ixhuatlám de Madero, a partir da repressom ocorrida em 14 de Junho de 2001 (quando foi atacado o contingente de mais de setecientos homes e mulheres que marchava naquel dia cara Xalapa para reivindicar a construçom de um hospital em Campo la Mata, perto das suas comunidades, e nom no corredor urbano (como queria o governador), as comunidades indígenas deste município decidirom constituir a Fronte Indígena Ixhuateca para luitar contra as respostas selvagemente repressoras do governo de Miguel Alemám Velazco.

O problema na área rural de Veracruz pode-se resumir em três palavras: explotaçom, repressom e corrupçom.

Porque os que nom se vam, resistem e luitam. Aí está o Conselho Popular Indígena da Serra de Zongolica que, unindo a mestres bilingües e outros luitadores sociais, procura transformar-se em alternativa de luita civil e pacífica.

No sul de Veracruz, as comunidades nahuas agrupadas na Fronte Popular do Sul de Veracruz resistem e se organizam.

Em Coyutla, habitada em 90 por cento por indígenas totonacas, a corrupçom, a discriminaçom e a repressom produzirom algo lógico: rebeldia. Aí naceu e se mantém o Movimento Cidadám Coyuteco, formado polo povo. Si, polo povo, ponto. Aí, sem distinçons de partidos políticos, os cidadáns se organizam, discutem e chegam a acordos e levam adiante as suas reivindicaçons. Desde finais do ano 2000 as suas exigências de pôr fim à corrupçom e à discriminaçom têm encontrado como resposta ameaças, malheiras e tiros. Os coyutecos, de conseqüência, formarom um Conselho Municipal Autônomo. Quando umha das suas xuntas foi atacada por pistoleiros do governo, as mulheres sairom para enfrentá-los e os pugerom a correr. Estas som algunhas das suas palavras:

"A gente está disposta a seguir luitando, ja nom temos medo porque estamos organizados. Temos demostrado que somos máis fortes que os que mercam as conciências e os que têm saqueado o nosso povo. A nossa causa é a justiça com dignidade e o respeito à nossa autonomia. Nós totonacos temos muitos jeitos de resistir através da dança, a música, a festa, através do trabalho comunitario (que aqui chamamos de “mao-virada"). A roupa, os ritos, mitos e narraçons som parte da resistência. Todo isto ajuda-nos a manter viva a nossa cultura, e a defender os nosos direitos como povo Totonaco".

E continuam:

"As linhas de acçom que nós vemos som: obter a soluçom dos problemas de Coyutla, que se retome o projecto da Lei Cocopa, que se cancele definitivamente o evento “Cumbre Tajín” por comercializar o símbolo da nossa cultura, e fazer que se reconheza o nosso Conselho Municipal Autônomo".

¡Um momento! Dixérom “El Tajím”? Nom é aí onde o vice-rei Alemám se gaba de ter conseguido a comercializaçom moderna da história?

Si. O senhor Miguel Alemám se burla, nom sem um pouco de mágoa, daqueles que vivem da venda de artesanías. El nom vende artesanías, el vende zonas arqueológicas inteiras. Ainda que, claro, nom faltam corta-rolhos:

Na regiom de Totonacapam, em Papantla, se realizam actividades em defensa do patrimonio cultural mexicano e, em particular, da zona arqueológica de El Tajím. Todo isso contrariando o governo de Miguel Alemám, que se propóm privatizar toda a regiom. O obxectivo de Alemám tem cor verde-dólar Os caros eventos em El Tajím têm o estrangeiro como público e principal cliente. Mais o Fronte pola Defensa do Patrimônio Cultural (conformado por várias organizaçons) denunciou em repetidas ocasions que o projecto governamental pretende desmontar a area para erguer um hotel de cinco estrelas e um cassino para turismo internacional.

A comercializaçom de El Tajím é, tamém, a sua destruiçom. Cada vez que o senhor Alemám monta os seus "shows", se rompem basamentos pre-hispânicos para pór estrados e bases de reflectores. O INAH é cúmplice porque se leva umha boa talhada.

Como parte da sua luita, a Fronte pola Defensa do Patrimonio Cultural meteu umha demanda penal contra o vice-rei, mesma que a "justiça" arquivou na estante da "i" de "imposíveis", "inconvenientes", "irrespeitosos". Mais abaixo, quem luitam continuam coa "r" de "resistência" e "rebeldia".

Nas áreas urbanas se faram necessarios trabalhos de recuperaçom estética, pois as regions marginalizadas aumentam.

Em Poza Rica, terra ferida polos poços de petroleo e o sindicalismo “charro”, se preserva a memória passada e presente da resistência. Desde as luitas de 1934 e 1958, até a luita e a morte (manchada pola suspeita mesquinha) de Digna Ochoa. Assi, trabalhadores de Pemex, mestres, empregados do sector saúde, donas de casa, e religiosos se reúnem, discútem e acordam actividades de informaçom e defensa da cultura.

Nas áreas têxteis como Rio Branco, Nogales e Ciudad Mendoza há muito descontento pola falta de emprego. Em Nogales os obreiros conseguiram tirarr a fábrica do patrom, mais nom têm recebido ajuda governamental para fazê-la andar. Em Ciudad Mendoza há obreiros que continuam pelejando a sua liquidaçom desde fai mais de 10 anos. Em Rio Blanco há incerteza quanto ao emprego, porque a fábrica trabalha umha temporada e fecha em outras, mudarom o contrato aos trabalhadores e agora tenhem condiçons como as da época de Porfírio Diaz. Em Nogales, como resposta à luita dos cidadáns para que a áuga do seus mananciais nom fosse levada aos parques industriais, o governo de Miguel Alemám acusou-nos de "sediçom" e meteu-nos ao cárcere.

Na regiom de Tezonapa nom lhes querem reconhecer, as concessons feitas aos transportistas do Vale de Tuxpango, a pesar de que som eles quem dam serviço às comunidades. Em Ixtaczoquitlam luitam desde fai tempo contra a contaminaçom que provoca Cementos Apazco, mentres nos arredores da cementeira aumentam as doenças congênitas e os abortos involuntários.

Na regiom de Orizaba o povo enfrenta o desemprego, pois o corredor industrial está deteriorado (de 5 fábricas têxteis, só umha trabalha), e as empresas como a cervejaria, cementos e Kimberly recortarom muitos postos de trabalho. Os jubilados protestam polas ridículas pensons que recebem, que nom dam para nada, e dim que ja nom iram votar porque mentres os funcionários tenhem bons salários a eles lhes dim umha miséria por 30 ou 40 anos de trabalho. O transporte urbano prepara um aumento de preços. A falta de vivenda é um jugoso negocio para as constructoras privadas, que contam co apoio do governo estatal e dos municipais.

Contodo, aqui se realiza um trabalho de apoio aos migrantes (Comité de Apoio a Migrantes "Ricardo Zapata"), às mulheres que sofrem a violência e às trabalhadoras do sexo (Cihuatlahtolhi -Palavra de Mulher-), além da Organizaçom de Mulheres de Jalapinha. Estas mulheres forom as que se encarregaram da comida e segurança da Marcha Zapatista no seu passo por Orizaba.

A marcha zapatista... Orizaba...

Se nos dixessem que poderíamos voltar a um lugar dos que visitamos na marcha, mais só a um, escolheríamos Orizaba. Aqui coincidirom varias circunstancias afortunadas: uns organizadores abertos, tolerantes e incluentes; ong's activas e comprometidas, comunidades indígenas luitadoras, meios de comunicaçom locais particularmente sensíveis à causa indígena, e um povo (formado por moçedade, estudantes, obreiros, donas de casa, colonos e empregados) especialmente nobre.

¿O resultado? O que ia ser um rápido saúdo da Marcha da Cor da Terra, converteu-se num dos actos máis festivos e combativos de todo o percorrido. Nom só na praça, mais tamém na rua. Estiverom, e vivas, todas as cores.

Todos, até o gris...

Antes, em Dezembro do ano 2000 e depois de que o EZLN anunciase publicamente a sua intençom de marchar ao DF, nunha das juntanças onde a bancada de legisladores do PRD discutia os Acordos de Sam Andrés, a deputada Rosário Tápia pediu a palavra e dixo assi: "Companheiros, é indispensavel que nos ponhamos de acordo co PRI e co PAM para quitar o dos Acordos de Sam Andrés, para evitar que a comandancia do EZLN chegue à Cidade de México. Isso seria mortal para o PRD e, por outra banda, seria um triunfo para eles e nom para o Congreso. Muito menos para nós".

Um pouco depois, quando a marcha estava por se iniciar, na juntança do Comitê Executivo do CEN perredista, o porta-voz do PRD (e hoje secretário geral nacional desse partido), Navarrete, declarou: "O principal perigo para o PRD é a transformaçom do EZLN num partido político, ao mesmo tempo em que quanto máis tardar a aprobaçom da lei, máis posibilidades temos de que o zapatismo se isole".

O que naquel momento se botou a andar como umha proposta isolada, se converteu em decisom em Orizaba.

Orizaba, ano do 2001, a praça cheia...

Num recuncho se atopavam duas personages da política: os senadores Jesus Ortega (chefe da bancada perredista no Senado) e Demetrio Sodi de la Tijera (membro perredista da Cocopa). A praça de Orizaba sempre foi um lugar difícil para as manifestaçons políticas, e os dous senadores estavam aí para atestiguar o fracasso na convocatoria dos zapatistas. De queixo caido e com o rosto cinzento, viam e ouviam às pessoas. Entóm olharom-se entre si, entendendo que havia que fazer todo o possível para que esa força nom saísse definitivamente para a luita aberta... nunca.

Numha banda, Jesus Ortega, nativo de Aguascalientes, ex-seguidor fiel de Rafael Aguilar Talamantes no Partido Socialista dos Trabalhadores, deputado de 1979 a 1982, expulsado do PST em 1987, membro do PSM e depois do PSUM, novamente é deputado de 1988 a 1991, em 1989 soma-se à corte máis próxima a Cuauhtémoc Cárdenas, desde 1993 o seu trabalho no IFE lhe permite vincular-se aos órgaos do PRD nos estados, de novo deputado de 1994 a 1997 (entóm coordinador da grupo de deputados do PRD), foi membro da corte de Cárdenas até o ano 2000, quando mesmo lhe aconselhou o retiro (hoje é um dos seus principais detratores), é agora senador da República e coordinador da bancada da seu partido nesta câmara.

Sem ter dirigido nengum sector social, sem nengumha produçom intelectual, sem as dotes de tribuno, sem carisma algum, o senador Jesus Ortega é um botom da grande mostra de dirigintes do Partido da Revolución Democrática.

À sua direita, Demetrio Sodi de la Tijera, originário do D.F., ex gerente de empresas públicas e privadas, coordinador geral do DDF nos tempos de Ramóm Aguirre, ingresa ao PRI em 1975, deputado federal polo PRI quando se concreta a fraude Salinas contra Cárdenas, deputado estatal (com a bençom de Salinas) do PRI na segunda Asambleia Local do DF (91-94), formava parte do grupo de Manuel Camacho Solís até que éste nom é eleito candidato presidencial polo PRI, saiu do PRI em 1994 depois do assassinato de Colosio, diriginte de Alianza Cívica em 1994 e membro do Grupo San Angel no mesmo ano, em 1996 participa no Foro para a Reforma do Estado (organizado polo EZLN) com umha exposiçom na qual previa que o PRI se manteria no poder por muito tempo e que só as candidaturas conjuntas de PAM e PRD poderiam derrotá-lo, entra ao PRD -animado polo triunfo de Cárdenas no DF em 1997, deputado do PRD em 1997-2000, agora senador do 2000 ao 2006. Como senador, além de impulsar a contra-reforma indígena, buscou chegar a acordos co PAM quanto à privatizaçom do sector eléctrico, votou em contra da renegociaçom da entrada em vigor do capítulo agropecuario do TLC, e em nom poucas ocasions se manifestou em contra dos labregos rebeldes de San Salvador Atenco.

Dias atras, o analisto político Armando Bartra fazia umha espécie de balanço dos 9 anos do TLC e da presença pública do EZLN. Nom irei me deter em criticar a análise frívola e superficial das iniciativas zapatistas, mais si num ponto: o mestre Bartra dizia que nom devíamos procurar caras de "Lulas" (em referência ao hoje presidente de Brasil) aos nossos políticos, mais que se teria que luitar, nom só desde abaixo, tamém desde "em riba" (é dizer nas câmaras) polo transformaçom de México. Concordo no de nom ver-lhe cara de "Lula" aos políticos. Mais semelha tamém um erro dotar o PRD mexicano do rostro do PT brasileiro. E onde está o equivalente ao MST (Movimento dos Sem Terra) carioca?

Semelha que o único argumento para suster que se deve apoiar ao PRD é que nom há outra cousa, que se nom se apoia, entóm o PRI e o PAM e a mai do morto, e o sectarismo e todas as desgraças, iram cair sobre nós. Recentemente, como resposta às críticas ao PRD feitas polos 7 comandantes e comandantas do EZLN, o primeiro de janeiro deste ano, a presidenta dese partido, Rosário Robles, chamava a nom pelejar entre "amigos", e insistia em que o feito da votaçom da lei indígena fora um erro e assi se reconhecera.

"Amigos"?. "Erro"?

Polo que sae das seguidas defensas que os senadores Ortega e Sodi fizeram da contra-reforma indígena (quando ja nem Bartlett nem Cevallos a defendiam, pois era grande o repúdio nacional e internacional), nom se tratou dum "erro tático". Na visom de Ortega e Sodi realmente nom é muito importante que às comunidades nom se lhes reconheça o seu carácter de "entidades de direito público"; tampouco que nom se fale do "aprovritamento colectivo dos recursos naturais" (¡segundo Ortega isso é innecessário!); inclusive na questom o da terra, em quanto "hábitat que abrange o território".

Com todo isso, as queixas e a oposiçom dos povos índios de México em contra da Lei, que os senadores quigeram e querem limitar à "gente próxima ao EZLN e ao subcomandante", som reduzidas ao feito de que os povos índios nom comprendem a "sabedoria" dos legisladores perredistas.

Mais o caso é que os senadores da esquerda mexicana defenderam umha lei que é de direita. E quando o senhor Cárdenas Solórzano indicou votar pola contra-reforma indígena ("Es um senador do EZLN ou do PRD? Vota pola unidade do partido!", diria, esquecendo que os senadores nom som do EZLN, mais tampouco do PRD, do PRI ou do PAM, se nom senadores da REPUBLICA), o fizo por umha lei de direita.

A alternativa era clara: ou cos povos índios (e os milhóns de mexicanos nom índios que apoiam as suas reivindicaçons) ou co contra-reforma indígena de Cevallos-Bartlett-Ortega. E o PRD escolheu, e escolheu de acordo ao perfil que construe para si: o dumha esquerda agradavel e cúmplice da direita.

A aprobaçom da lei Cevallos-Bartlett-Ortega (dizendo de passo que, nengum deles foi eleito por votos -entrarom ao Senado como quota de partido-), é dizer, do PRI-PAM-PRD foi, de feito, um triunfo da classe política mexicana em contra dos povos índios (e nom só contra o EZLN), mais um triunfo pírrico, que ja se esvaece diante o avançe dos processos de autonomia e de resistência nom só entre os indígenas.

Os deputados perredistas se "salvam"? Bom, o voto em contra da contra-reforma se acordou no grupo parlamentar da Câmara de Deputados com apenas 3 votos de diferença. E os deputados do PRD estam a aprobar varias cosas que tenhem que ver com dita contra-reforma.

Mais, ja no campo das suposiçons, pensando que si, que só foi um "pequeno erro" que devemos nos perdoar como "amigos", entom , que significado tem o que segue?

1) O PRD leva votando três anos seguídos a favor do orçamento federal. Eles justificam-se sublinhando que nom forom os projectos originais de Fox. A realidade é que na Fazenda se manda um orçamento que ja sabem que deverá ser "modificado" polos deputados (aumentando um pouquinho a educaçom, saúde, etc.), co qual se garante o seu voto. Se for verdade, como di a teoria econômica, que o orçamento representa o modelo econômico em funçons, entóm o PRD leva três anos votando a favor do neoliberalismo e contra os mexicanos, e o seu voto significou votar a favor de pagar a déveda externa, de limitar o crecimento, de seguir fielmente os ditados do Fondo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

2) Os deputados do PRD estam a por em prática os acordos sobre a Lei indígena que se votarom maioritariamente, tanto no que tem que ver coas leis reglamentarias, como no das partidas presupuestais. Votarom em contra, mais som garantes da implementaçom dessa lei.

3) no Senado o PRD votou a favor das modificaçons à Convençom Internacional sobre Desaparecidos, co qual garantiu-se o foro militar (os soldados somente serám julgados por tribunais militares) e a nom retroatividade, co qual se garantiu a impunidade.
4) Em Dezembro do ano passado vários legisladores do PRD (entre outros, o senador Sodi) votarom co PAM e o PRI sobre nom exigência da suspensom da aplicaçom do capítulo agropecuário do TLC.

5) Simplesmente para se dar umha idéia do gasto que significarom as eleiçons internas do PRD, um anúncio de 20 segundos no noticiário de López Dóriga, em Televisa, custa 465 mil pesos. Aos menbros das brigadas (muitas vezes membros de grupos de varias colônias pobres) pagavam-lhes 60 pesos por hora no dia para pegar propaganda, e 80 pesos a hora para tirar a do contrincante durante a noite. Calcula-se que o costo da campanha prévia do PRD foi de perto de 80 milhons de pesos.

6) O senhor Ramírez Cuéllar, de El Barzóm, um dos "lideres" do movimento labrego actual, nom foi pre-candidato do PRD à delegaçom Venustiano Carranza do DF que, por suposto, está povoada por labregos? Quantos dos candidatos do PRD a postos diversos forom algunha vez lideres sociais? Quantos precandidatos do PRD às delegaçons nem sequer aparecerom nos boletos de enquisa? Quanto se gastarom os pre-candidatos que se anunciarom em rádio e televisom? Quanto se gastou na avioneta que promocionava a um dos pre-candidatos?

7) Um partido de esquerda recorre às enquisas para escolher aos seus candidatos e dirigintes? Um partido de esquerda promociona nomes e rostos em lugar de princípios e programas? Nom é verdade que o 67% dos municípios que o PRD ganha, os perde na eleiçom seguinte por governar como o fam o PRI e o PAM? Nom é certo que o discurso do PRD nom "chega" à mocidade, aos indígenas, aos ecologistas,às mulheres, ao novo movimento labrego? Quál é a posiçom clara do PRD nos asuntos internacionais?

O PRD, é certo, algumha vez foi um partido de esquerda. Ja nom. optou por se somar (á fila) à lógica da classe política e só aspira a ser o peso que modifique a balança, esquecendo que ao dono da balança isso é de pouca conta. Ligou-se ja ao aparato de Estado e depende, economicamente, é dizer, politicamente del. No seu interior ja se formou umha nova classe de políticos que vive do orçamento e fai todo o possível por se manter em el. Ja nom há princípios, nem programa... e, de conseqüência, nem partido.

A nós zapatistas nom se nos escapa o feito de que há muita gente honesta e coerente no PRD (a saudamos). Mais nom é ela a que decide o rumo e o perfil desse instituto político.

Unha e outra vez nos dizem que, nom importa, nom hai outra cousa. Mais, como dixo o Comandante Tacho o um de Janeiro, hai outra cousa SI...

Desde as montanhas do sudeste mexicano.

Subcomandante Insurgente Marcos.

Fonte:

EZLN. http://www.ezln.org