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MÉXICO
• 1/3/2003
Abril: Tlaxcala a quarta estela.
EZLN, México. Desta vez é a história que move a mao e vento para
dar passage ao próximo mês do calendário. ABRIL,
di máis em cima, e entom, sempre rebelde, aparece umha palavra:
Tlaxcala. Tlaxcala. De acordo com os dados do INEGI, no ano 2000, Tlaxcala
tinha pouco menos de um milhom de habitantes, e quase 30 mil maiores
de 5 anos falam umha língua indígena. Baixo os céus
tlaxcaltecos vivem indígenas Nahuas, Otomíes-Hñañúes
e Totonacos. Abril: a águia é outra vez nuve azul que se desloca
sobre o solo de Tlaxcala. Entrando polo vulcam Matlaleueyetl (conhecido
como "Malinche") a nuve anda polo corredor industrial Apizaco-Xalostloc-Huamanta,
sobe até à cidade industrial de Xicohténcatl,
já na lagoa de Atlonga vira para o sul, rumo ao corredor industrial
Malintzi, e, passando polo corredor industrial Panzacola, chega a
Cacaxtla. Aí a nuve se recosta sobre o pico e, inclinando os
olhos, abre o coraçom a umha história na qual a rebeldia
e a dignidade se confundem nos calendários de antes e de agora. Abril. Tlaxcala. Cacaxtla... No calendário de 1975, os moradores do povoado San Miguel
del Milagro fizeram umha escavaçom nas ruínas de Cacaxtla
e descobriram a pintura de um rosto humano de cor preta e com forte
influência maia, algo assi como a figura de um indígena
maia com o passamontanhas. O futuro confundia-se assi com o passado. No calendário da conquista espanhola, o indígena Xicohténcatl
Axayacatzin avisou que os espanhóis nom representavam o retorno
de Quetzalcoatl, "que os castelos flutuantes eram o resultado
do trabalho humano, que se admira porque nunca foi visto", e
prepom aos quatro senhores de Tlaxcala "que vejam aos estrangeiros
como tiranos da pátria e dos deuses". No fim, a decisom
dos governantes se impôs à visom de Xicohténcatl.
Pouco depois, este tentou convencer os demais a aliar-se a Cuitláhuac,
que acabava de subir ao trono após a morte de Moctezuma. Hernán
Cortés tratou de traer a Xicohténcatl para o seu lado,
mas o rebelde indígena negou-se, e entom foi preso e enforcado. Calendários antes, em meio de sofridas guerras, o guerreiro
tlaxcalteco Tlahuicole, um otomi de Tocoac, de grande força,
preferiu morrer luitando em vez de aceitar o perdom daqueles que oprimiam
o seu povo. Calendários depois, em 1847, umha das unidades militares designadas
ao castelo de Chapultepec chamava-se "Batallón Activo
de San Blas" e era comandada polo tlaxcalteco Felipe Santiago
Xicohténcatl. No dia 13 de setembro de 1847, Xicohténcatl
e quase todo o seu batalhom caírom luitando contra tropas norte-americanas. "Tlaxcala", dizem alguns, quer dizer "terra do pam
de milho". Mas, para o neoliberalismo, como testemunhado pela
nuve no seu trajeto, quer dizer "terra das maquiladoras".
Em Tlaxcala, 62% da povoaçom do estado trabalha e vive nas
regions onde estam instaladas as maquiladoras. Em lugares como Hueyotlipan e Zapata, as empresas entram com as máquinas
e os povoados com as pessoas, inclusive os pais de família
deixam que seus filhos sejam contratados a partir dos oito anos. Os
investidores entram em acordo diretamente com as famílias,
que oferecem o espaço e os trabalhadores, enquanto o fabricante
pom o salário, a ferramenta e os materiais. Como no século
XIX, os próprios pais de famílias tornam-se capatazes
que vigiam o trabalho dos seus filhos. Às crianças pagam-lhes
$ 70 Pesos por semana, para tirar os fios do tecido da umha hora da
tarde (supostamente quando saem da escola) às sete da noite.
De conseqüência, as crianças estam ficando desnutridas
e deixando o ensino primário. Como é umha regiom de
alta expulsom de migrantes, as mães e as crianças têm
que se submeter aos caprichos das maquiladoras para ter alguma renda.
Devido à destruiçom do tecido comunitário e familiar,
há proliferaçom de drogas e prostituiçom. Em ritmo acelerado, o solo de Tlaxcala povoa-se de maquiladoras... e de resistência contra elas. Porque as maquiladoras não têm chegado sozinhas. Por exemplo, ao mesmo tempo em que cresce a contrataçom de
menores, as organizaçons sociais detectam um número,
a cada dia maior, de Brigadas de Operaçons Mistas, postos de
controle, quartéis de diferentes corpos policiais, etc. Há
municípios como Panotla ou Santa Apolónia onde os enfrentamentos
entre a povoaçom e os policiais ou os efetivos do exército
federal têm sido abertos. Há bases desse tipo por todo
Tlaxcala: Zacatelco, Ixtacuixtla, Calpulalpan, Tlaxco, Coapiaxtla
e, sobretudo, em San Pablo Apetatitlán e no trecho de Xostla
a Tlaxcala. Agem abertamente contra as pessoas que se opõem
às maquiladoras. Em San Pablo del Monte o povo do lugar fechou a estrada, o que fijo
que a polícia chegasse e se desatara a repressom. Na empresa
Arcomex, na estrada federal, justo na entrada do estado de Tlaxcala,
onde se fabricam autopeças para a VW, as trabalhadoras, cansadas
de pertencer ao sindicato amarelo da CROC, procuram formar um sindicato
independente, para o qual batalharom a titularidade do contrato. Naturalmente,
o sindicato amarelo enviou bate-paus da própria CROC, que acabaram
perseguindo a polícia - que vigiava para que nom ocorresse
um conflito - e poder bater livremente nas trabalhadoras que desejavam
mudar de sindicato. O "milagre" das maquiladoras, tam querido
polos governos e os intelectuais de direita, nom está na geraçom
de empregos, mas si no pesadelo de um círculo viciosos que
permite condiçons de trabalho que deixariam aflitos os escravizadores
espanhóis. "Se vosté nom aceita trabalhar sob as
minhas condiçons e com este salário, vou embora para
outro lugar", dim as maquiladoras. Assi, nos municípios
de Lázaro Cárdenas e Emiliano Zapata existem oficinas
de maquiladoras quase ao estilo colonialista que produzem sob um regime
de superexplotaçom. No trecho de Xostla (Puebla) à cidade de Tlaxcala é
onde se concentra a maior parte das terras agrícolas irrigadas.
Os labregos que aí vivem e trabalham se opoem terminantemente
à instalaçom de maquiladoras. Som particularmente conhecidos
os casos de Santa Apolonia Teacalco e dos professores da Normal Rural
de Panotla. Estes povoados avisarom que vam resistir ao que for para
defender as suas terras irrigadas. Também em Panotla, os estudantes
da Normal Rural têm luitado para que o seu centro de estudos
nom seja fechado, como quer o estado, e contra a alarmante militarizaçom
do inteiro município, que, desde 1994, tem sido tomado pelo
exército como área militar. No município de Apizaco, os moradores têm travado umha
luita de resistência legal e civil pacífica contra o
projeto do Regulamento de Proteçom e Viaçom que, seguindo
o de Los Angeles, Califórnia, imporia um modelo ditatorial
de controle "do trânsito". Contra ele, tanto motoristas
como comerciantes e cidadans em geral fijerom umha greve ativa de
oito horas. Em resposta, a PGR mantém umha averiguaçom prévia
com a qual se procura golpear o movimento. E o governo? Sentindo-se excluído do Plano Puebla-Panamá
(e do orçamento) Sánchez Anaya lançou o projeto
"Gran Visión" para tratar de se integrar ao "trem
da modernidade". Sete eixos de estradas atravessam todo o estado
numa cruz norte-sul e leste-oeste, inserindo-o nas novas dinâmicas.
Com o seu centro em Apizaco, os ramais de estradas do plano "Gran
Visión" ligam todo o território de Tlaxcala com
o eixo industrial da estrada México-Puebla e com a cidade de
Puebla. Os olhos e as maos neoliberais têm todas as intençons
de se apropriar do eixo Puebla-Tlaxcala, que é quarto corredor
povoacional mais importante do país. É natural: aqui
sobram consumidores e trabalhadores. Mas sobra também rebeldia. Agora, no calendário do ano de 2003, o mês de abril
traz a Tlaxcala o abraço de Emiliano Zapata. E o abraço,
o carinho e o respeito som especiais quando envolvem os antigos assalariados
agrícolas tlaxcaltecos que agora se mobilizam para exigir o
que lhes pertence. O que é que vostés estam reivindicando? Hermenegildo: O 10% do convênio binacional, feito em 1942 entre
os governos de; Manuel Ávila Camacho, presidente de México,
e Truman, presidente dos Estados Unidos. Fijeram um convenio binacional
em 1942 com os trabalhadores agrícolas e, em 1943, com os ferroviários,
e nele, ambos os governos acordaram reter 10% dos salários
que eram ganhos polos assalariados. Pedro: Que se respeite o justo. Reivindicamos o justo que pertence a cada assalariado agrícola. Que se faga justiça para o trabalhador que se esfola debaixo do sol, e como di um dito vulgar, "a rachar o couro" e dar parte de sua vida para atender às necessidades de sua família e que eles fagam isso por nós. Se eles pagam as empresas que têm tirado dinheiro, por que nom nos pagam? Só têm pagado o dinheiro a um punhado de pessoas, e a nós que somos muitos nom nos pagam. Reivindicamos o justo. Ignácio: Como membro representante dos treze, o que procuramos é a unificaçom a nível nacional de todos os assalariados agrícolas; todos nós que fomos prestar os nossos serviços aos Estados Unidos pela Convençom Bilateral de ambos os governos, e pola qual estamos reivindicando o que nos pertence, que é o 10%, e nom há a menor condiçom de dar isso por esquecido, de que esqueçam dos nossos direitos ou que se anulem os nossos direitos. O que reivindicamos é um dinheiro justo, é o patrimônio das famílias. E nom concordamos com o feito de que todos os políticos estejam enchendo os bolsos às nossas custas. Já nom queremos depender de nengum partido. Nós queremos umha luita justa e temos bases para cobrar o que nos pertence. Muitas graças. Que opiniom vostés têm das políticas dos governos? Alejandro: Som um dos representantes que integram o grupo de assalariados
agrícolas tlaxcaltecos e o nosso compromisso de hoje, 18 de
janeiro, foi de reunirmo-nos com os grupos dos demais estados para
chegarmos a um acordo quanto a algumas mobilizaçons que nós
tlaxcaltecos temos pensado fazer. Som um dos ex-assalariados agrícolas.
Conheço todos os maus tratos e todos os problemas que tivemos
naqueles tempos. Inclusive, os nossos governantes daqui há
anos continuam vivendo como reis, continuam saqueando o país
e fomos nós quem levantamos esse país com o nosso trabalho
nos Estados Unidos. A partir de hoje, vamos começar algumhas mobilizaçons. Eles têm nos enganado, sobretodo o senhor Sergio Acosta, que é deputado federal do PRD que ia nos fazer justiça no final de dezembro último. Ele é que foi encarregado disso polo senhor Fox há dous anos, três anos, foi encarregado, di ele, de assumir a nossa questom. Ele evitou que nos mobilizássemos, senom já teríamos saído às ruas há um bom tempo. Mas ele nos dixo que já tinha acertado com o senhor Santiago Creel umha parcela para este mês de dezembro quando iam solicitar no orçamento que nos devolvessem o que nos pertence. Este senhor Sérgio Acosta mentiu para nós, nos enganou, e por isso nós, como dim os companheiros, nom acreditamos em nenhum político, nom acreditamos nos partidos. Nom nos interessam os partidos, sejam da cor que forem. O que queremos é que se faga justiça e a partir de hoje vamos fazer um acordo a nível nacional com os ex-assalariados agrícolas e vamos fazer as nossas mobilizaçons. Estamos dispostos a chegar até às últimas conseqüências. Nom vamos esperar. Já somos velhos, doentes. Outros já nom estam vivos, outros companheiros estam enfermos, e o que nos interessa é que o nosso governo nos faga justiça. O que vam nos dar, que seja de umha vez, e já. Estamos dispostos a sair às ruas. Nada como agasalho, nada como dado, mas si que se dê a nós o que nos pertence, o que é nosso. Como organizam toda a experiência que vostés têm, todos os anos de luita que acarregam, para sair desta opressom que padecem já como pessoas ancians? Alejandro: Vejo que o problema do país, do México, nom som os governantes: somos nós mexicanos que nunca soubemos exigir. Infelizmente, desde que fomos escravizados polo jugo espanhol que nos mantivo escravos por 450 anos, daí que já traemos isso como herdança.Os nossos antepassados têm nos criado de umha forma pola qual temos que respeitar sempre o governante, temos que respeitar o patrom e isso tem sido um erro. Nom sabemos ler, nom sabemos comprar livros, polo feito de que tamém nom temos dinheiro suficiente. Queremos que os nossos filhos estudem, e nom nós. E, francamente, nem a nós, nem aos nossos filhos se dá informaçom nas escolas a nom ser somente alguns livros, de alguns escritores. Alguns de nós já nom estam vivos para dizerem as verdades sobre o que os governos fam. Mas se vosté lê, da-se conta de que o governo tem saqueado, como é o caso, por exemplo, do senhor Echeverria, do senhor López Portillo, do senhor Carlos Salinas de Gortari, do senhor de la Madrid. Há livros que estam escritos, têm passado polas minhas maos, agora nom lembro os autores, mas eles falam que para se equiparar aos 450 anos em que fomos escravos dos espanhóis, bastarom quatro funcionários de descendência espanhola; o que os espanhóis nom puderam fazer em 450 anos, levou só 24 anos para estes quatro descendentes de espanhóis saquearem o país e nos deixar numa ruína infame. Por isso, eu nom acredito nos partidos e estamos dispostos a pedir e a exigir do governo que nos dê o que nos pertence. Nossos 10% mais os interesses. E vamos luitar como ancians com os nossos companheiros mais velhos e todo o mais, vamos ensinar aos moços que agora si já sabemos bem que estamos roubados, desculpe a palavra. Já foi o tempo em que ficavam com o pé no pescoço. Eles têm feito isso desde os nossos avôs, desde os nossos antepassados e conosco durante a nossa juventude, mas nós demo-nos conta de que estamos vivos ainda e que dá tempo ainda de fazermos alguma cousa para os nossos filhos, para os nossos netos nos dias que viram. Estamos dispostos a todo. Felipe: Tenho visto com tristeza, senhorita, a situaçom em que vive a maioria daqueles que, como nós, som assalariados agrícolas que foram para os Estados Unidos. Seja por a nossa ignorância, seja por falta de conhecimentos, é disso que as autoridades têm se aproveitados para nos ignorar. Temos sofrido em formas que raramente eles têm visto. Eles têm visto a vida de umha forma muito diferente, e têm abusado da nossa ignorância, do nosso escasso conhecimento. Naquele tempo dizíamos que se eles tivessem só um pouquinho de compaixom, só um pouquinho de sentimento para a gente que sofre, a gente que chora e que morre na esperança de encontrar um bom governo que sinta os anseios e os sofrimentos do povo. Muito tempo atrás, tivemos umha inquisiçom: 400 anos em que os espanhóis dominarom aos nossos antepassados e viverom como reis. Infelizmente, ultimamente tivemos algo que se parece com aqueles tempos da inquisiçom em que somente alguns têm a sorte de viver como reis, de desfrutar de todo e ter de todo, enquanto o pobre vive a duras penas e nos sofrimentos, e morre na esperança de que tenha algo no amanhá, nom para el: para seus filhos. Mas à medida em que os anos passam acontece o contrário. As autoridades som vorazes, as autoridades abusam, e os que nom têm estudo, porque a maioria de nós naquele tempo foi para os Estados Unidos, continuam sem estudo, sem estudo. Porque a maior parte de nós tem só o primário. Nom tivemos outros conhecimentos nas letras. As pessoas preparadas, as pessoas que têm estudo abusam desta nossa ignorância. E é isso que dá tristeza, que o nosso México que tem de todo seja humilhado, seja saqueado por uns poucos que sabem mais do que nós. Hoje, que estamos começando umha luita, nós na nossa velhez - porque a maior parte de nós está entre os 70 e os 100 anos de vida - é isso que estamos ansiando: que o governo tome consciência daquela velhez, que tome consciência daqueles homes que sofrem. Vemos a carga que entregamos aos nossos filhos com a nossa velhez. As nossas forças têm acabado; as portas do trabalho têm se fechado porque as nossas forças já nom dam para trabalhar. É este o movimento que desejaríamos que o governo levasse em consideraçom. Nós sabemos respeitar. Nós amamos o respeito, o diálogo, a compreensom, e sabemos sentir amor pola pátria que nos viu nascer. É isso que queria que sentissem todos os que estam alá em cima: amor pola pátria que os viu nascer e nom abusar da pátria que os viu nascer. Que Deus ilumine algumha pessoa que amanhá venha lhe fazer sentir e ver que os seus irmaos sofrem, e que nom pense que el vai ser eterno, que nesta vida somos todos mortais, e que máis cedo ou máis tarde, afinal somos iguais. Mas há a cobiça de muitas pessoas que, mesmo sendo de baixo, saindo do nada, têm se enaltecido e se esquecem de sua origem, de onde eles nasceram. Oxalá Deus nos ilumine e nos proteja para podermos ganhar esta luita que acabamos de mencionar e na qual, na velhez, estamos nos unindo, e isso pode servir para o amanhá dos nossos filhos, para que eles fagam o mesmo de ir se juntando, de ver que amanhá podem ter umha vida melhor da que nós temos. Há algo mais que queiram comentar sobre o seu movimento? Hermenegildo: No começo, em 1999, nasceu este movimento, esta
luita, em Tlaxcala porque em 99 chegou até nós a notícia
de um senhor, um companheiro nosso foi ao estado da Califórnia,
e daí um filho foi pra rua e na sua volta, por coincidência,
comprou o jornal onde se tornava manifesto ou se publicava a questom
dos 10%, e insistia no feito de que já haviam mandado este
dinheiro, que o banco que o havia retido, o Banco West Fargo, havia
mandado o dinheiro para o México. Que fossemos cobrar estes
quartos. Foi este o primeiro passo que demos. Começamos a divulgá-lo.
No ano 2000 tivemos umha audiência pública com o governador
de Tlaxcala. Antes estivemos com um deputado do PRD, mas nom obtivemos
nada. Finalmente, já em 2002, chegamos com a companheira Luz
Maria, e assi já estamos com 3 anos de luita incansável.
E foi através de umha rolda de imprensa que conseguimos divulgar
isso. Começamos em 6, depois chegamos a 60. Hoje somos 5 mil
graças à nossa luita, á nossa insistência
e a paciência que tivemos. Em 2002, o deputado federal Sergio
Acosta havia nos feito umha proposta de 5 mil dólares cada
um, e finalmente disse que no mês de dezembro os deputados federais
iriam realizar umha sessom e que, ao chegarem a um acordo, teriam
que nos perguntar se concordávamos com o que haviam acordado.
Isso todo foi umha mentira porque nunca mais soubemos dele. Fui a
San Juan no dia 15 de novembro e os companheiros o viram muito angustiado,
a tal ponto que el nom queria pegar o microfone, e quando os meus
companheiros pegaram o microfone para que um companheiro assalariado
rural falasse, se ofendeu e o deixou assi, com a palavra na boca.
Nom deu atençom e nem escuitou. Si, nos incomoda que sendo
el um deputado federal, um representante a nível nacional,
el nom tenha palavra. Desejamos que haja mais seriedade, mais formalidade e mais respeito para conosco. Por isso estamos em luita e esperamos que nom fiquem adiando isso, porque estam adiando as coisas e nom há porque, já que sabem que este fundo existe. Que dêem o que pertence a cada um de nós, conforme o direito e de acordo com os contratos de cada companheiro. Que isso nom demore mais, que nom passe deste ano. Porque dim que foi Sergio Acosta quem sugeriu que se formasse a comissom de 18 deputados federais para dar prosseguimento à investigaçom sobre o fundo. El fai a proposta em 1999. No ano 2000 se instituiu a comissom. Já estamos em 2003 e nom aconteceu nada, quando eles estam de portas abertas. Nós pedimos apoio, batemos nas portas e eles as fecham, eles vam e nos fecham a porta. Queremos que nos digam a verdade e nada mais do que a verdade. "Já foi o tempo em que ficavam com o pé no pescoço".
É algo que se parece com um "Basta" destes tlaxcaltecos
que faram umha passeata erguendo a sua dignidade rebelde polas ruas
da Cidade do México, neste 6 de fevereiro do ano de 2003. Com eles iram marchar Xicohténcatl, Tlahuicole e Zapata, porque
em Tlaxcala a história e os calendários se entrelaçam,
é verdade, mas sempre marcam rebeldia... Desde as montanhas do sudeste mexicano. Fonte: EZLN. http://www.ezln.org |