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MÉXICO
• 15/2/2003
Setembro: Estado de Mexico, a Novena estela.
(A bonanza do rico constrúe-se, coa cumplicidade dos políticos, sobre o despojo aos pobres) As vezes voando e as vezes rodando, as vezes nube e as vezes pedra, chegam a mao e a mirada ao noveno mês do calendário: Setembro. E, ao chegar a Setembro chega-se tamém ao estado de México. Esta é a entidade mais povoada da República Mexicana (máis de 13 milhons no ano 2000), e com mais contrastes na sua sociedade: uns quantos poderosos (cujos nomes se confundem com os dos políticos) com umha riqueza insultante; e muitos pobres com umha miséria que daria mágoa se nom é pola dignidade coa que resiste. O estado de México tem quase um milhom de indígenas. Zapotecos, totonacas, otomís-Hñahñú, nahuas, mixtecos e mazahuas, entre outros, que vivem e resistem fronte um dos maiores despojos da história de iste país. A nube é sincera no seu desconcerto: nestas terras, avonda caminhar um pouco para ver grandes centros comerciais e luxuosas àreas de recreio; e, a uns metros, comunidades sem os mínimos serviços. Se alguém quer um exemplo do que o neoliberalismo projecta para o nosso país, avondaria que se de-se umha volta polo estado de México. Aqui convivem umha riqueza que anoja pola sua opulência, umha corrupçom desenfrenada da classe política (PAM, PRI e PRD -e os ananos- que nom só compitem nas eleiçons, tamém em quál crime é melhor organizado), umha pobreza extrema, e umha digna resistência. Simplesmente entrando a estes solos, um panfleto tirado em qualquer
rua asinala e acusa: A nube, talvez ainda mareada pola viage, fai um passo desordenado polos ceus mexicanos: Alhá está Sam Salvador Atenco, onde o despojo, disfarçado de aeroporto, foi freado por umha firmeza que surprendeu a políticos e empresarios. mas o aeroporto nom ia só, incluía estradas. Os labregos de Atenco atoparom que a família Salinas de Gortari estava a adquirir terrenos nas afueras do município, justo no entronque de duas estradas, para a construçom dum centro hoteleiro de cinco estrelas. O Conselho Popular Municipal de Sam Salvador Atenco está a ser presionado polos partidos políticos para que lhe apoiem às eleiçons, como se nom pesasem sobre os labregos até 300 ordes de apreensom. Isso que se vé alá é Ecatepec, que nom é o galinheiro do bispo golfista Cepeda, senom terra de dignidade que resiste. Aí o município pretende expropriar terrenos destinados a vivenda para a construçom dumha estrada de seis carris e de mais de cem metros de ancho. Esta estrada irá de Ecatepec em direcçom a Sam Salvador Atenco e era parte da conexom do aeroporto da cidade de México. Os intentos de desalojo seguem vigentes ainda quando o aeroporto se tenha cancelado. Máis alá está Nezahualcoyotl, onde jovenes estudantes, rapazes de bandas, punkis, e mestres de secundária, preparatoria, normal e Cebetis ligam estudo, cultura e resistência. E miram cara o val de Chalco, onde o Colectivo Independente de Cultura Popular fai trabalho de concienzaçom política coa gente do lugar. Agora o que se vé é Atizapán. Aí o governo panista mandou assassinar à regedora María de los Angeles Tamez Pérez, o 5 de agosto de 2001. A regedora, de tam só 27 anos, apoiava a luita dos comuneiros deste município. Talvez poderia-se avançar na investigaçom do seu assassinato se se busca pola banda das inmobiliarias e as empresas Indústrias Resistol e Constructora Frisa. E é que em Atizapám os comuneiros mantenhem a defensa de mil 467 hectares de terras, que lhes pertencem. Um grupo de altos funcionários e empresarios (constructora Frisa) pretendem o despojo dessas terras. Na zona de Lomas de Sam Andrés Atizapán, a ampliaçom dumha avenida ameaça a vivenda dos vicinhos. No bairro norte de Atizapán há problemas co suministro de electricidade, ja que a distribuidora está em processo de concessom a particulares, e o mesmo acontece em Sam Andrés. A constructora Frisa, empresa que está em litigio cos comuneiros de Sam Andrés, quere fazer um centro comercial e colonial residencial semelhante a Santa Fé, que se conecte com Chilucan e Valle Escondido; a empresa formou um grupo para-militar para enfrentar aos comuneiros. Umha parte das terras atopam-se na franja de bosque de Atizapán e aí Indústrias Resistol pretende a utilizaçom do bosque para a sua empresa, ao que os comuneiros se oponhem e tentam fazer um centro comunitario e umha cooperativa para (sem mudar o uso do solo e continuar como propriedade comunal) poder trabalhar coas suas famílias as terras. A cooperativa chama-se Smallyl. Até um campo de futbol é devecido polos poderosos. Pretendem converté-lo em jardim exclusivo dum fracçonamento, deixando fora aos habitantes das colónias El Potrero, Sam Lorenzo, Lázaro Cárdenas, Jardines de Atizapán e Sam Andrés. No fracçonamento Hacienda del Pedregal os colonos forom enganados por duas inmobiliarias (First City e Grupo Novo) que querem cobrar-lhes mais do que estipulam os seus contratos. Aqui em Atizapán há um grupo nobre e combativo de rapazes punkis. Alguns estám agrupados na Rede Informativa de Voces Autónomas Libertarias (RIVAL), tenhem um boletím informativo e, junto com os seus concertos musicais, realizam charlas sobre o que passa em México e no mundo, e circula um fanzine com o muito claro e sintomático nome de Pátria Amarga. Quando alguém se refere a Atizapán como Atizapunk está a nomear um esforzo exemplar de resistência cultural. Em Nicolás Romero, os comuneiros vem que o comisariado ejidal está a fazer negócio com as suas terras e ja há mais de 20 casos de fraude, extorsom e despojo dos seus predios mediante enganhos; alem disso, estivo a ameaçar aos ejidatarios com dar-lhes umha malheira se dim algo., Aos colonos de Loma de La Cruz e Clavo de Oro, quarta secçom de Sam Isidro, o município quer sacar-lhes o seu poço de agua para lhes entregar agua entubada da que vem do rio Lerma. A raçom de por o que querem sacar-lhes o seu poço é porque querem alimentar as fábricas que de jeito irregular se apostarom dentro da colónia. Nom é todo, sabe-se que muitos dos habitantes destas colónias tenhem problemas de insuficiência renal. A raçom pode atopar-se no rio La Colmena, onde botam os seus desperdícios as fábricas de cartom e plástico, que contamina os poços a través do subsolo. Em Cuautitlán Izcalli, na colónia Sam Juam Atlamilca, a avaricia dos empresarios e autoridades arrinca àrvores para construir estradas. Depois das àrvores seguirám as vivendas. Na colónia Axotlan, o governo municipal está desecando umha lagoa para fracçonar imediatamente depois o àrea; os habitantes, ao dar-se conta da situaçom, investigarom quál era a causa do problema e descobrirom toda a intençom do município de abrir zanjas para que por alá saise a agua. Os vicinhos começarom a tapar as zanjas co que tinham à mao e de novo encheu-se a lagoa. Em Tlaneplantla, os colonos de Sam Andrés Atenco e Lomas de Sam Andrés mantenhem a defensa das suas casas pola ameaça de ampliaçom da avenida. Igual acontece cos colonos de Pancho Villa, onde ademais da bronca da avenida se estám a organizar contra os partidos que tenhem cargos dentro do município, ja que lhes dam permissos a bares e tabernas perto das escolas. Agora a nube viu algo. Isso que se vé é Huixquilucan. Ubicado ao poente da cidade de México, junto com Cuajimalpa e a delegaçom Alvaro Obregom, alojam a Santa Fé, a cidade modelo do neoliberalismo. Sem embargo, aos seus arredores só há pobreza, problemas de embotelhamentos, crescimento urbano irregular, e a gente mora em barrancas com pésimos serviços de agua, drenaje e rede de sumidoiros. Huixquilucan, por ser colindante com essa cópia má do Houston norteamericano que é Santa Fé, sofriu dous processos importantes; por umha banda, umha expansom e medra de novas cidades muralhadas exclusivas para os ricos da cidade de México: La Herradura, Interlomas e Bosque Real. Estes dous últimos ja contam com todos os serviços; estradas perfeitamente asfaltadas, drenaje, auga potável (que nom provem do sistema Cutzamala, se nom de mananciais que há na zona), hospitais de primeiro mundo, escolas de educaçom básica meia e universidades "de grande prestígio". Sem embargo, os moradores de Huixquilucan que vivem nas chamadas zonas populares e rurais vem passar presidentes municipais de todos os partidos sem que ninguém faga nada por melhorar os serviços de estradas, drenaje, rede de sumidoiros, serviços de saúde, escolas etcétera. Em todo Huixquilucan só há umha universidade tecnológica; e se conta cos dedos dumha mao o número de preparatorias. Os presidentes municipais do PRI e do PAN aproveitarom muito bem as reformas ao artigo 27 constitucional, pois desde inícios dos 90 aliarom-se às constructoras para obligar aos labregos para que mudem o seu uso do solo. De arredor de 25 povos da zona rural que tem Huixquilucan, só tres mantenhem umha tenência comunal da terra. Duas delas, Sam Francisco Ayotusco e Santa Cruz Ayotusco, levam mais de cinco anos num juízo agrario polo reconhecemento de todo o seu território comunal. neste juizo só lhes reconhecerom 120 hectares, quando estám em jogo arredor de 5 mil. Mentres, Santiago Yancuitlapan e ouros povos de aqui luitam por defender a agua. Da vaidosa Santa Fé voa a nube até La Marquesa. há aí umha história da qual aprender. Umha história de dignidade que resiste, que nom se deixa. E, como sempre passa neste tipo de acontecimentos, umha história onde as mulheres dam o exemplo. No mês de outubro de 2002, os habitantes de La Marquesa se inteirarom de que um grupo de empresarios nacionais e estrangeiros, apoiados polo governo de Montiel e coa anuência das autoridades ejidais e comunais, tinham os seus olhos postos sobre estas terras. O projecto o difundirom por todos os seus meios dentro dos círculos do sector privado, mas nem umha palavra à povoaçom. A reacçom nom se fijo esperar: comuneiros, ejidatarios e vizindario organizarom diversas juntanças para discutir o asunto e mostrarom a sua rejeiçom absoluta ao que calificarom como umha venda disfarzada das suas terras e bosques. Segundo a informaçom obtida pola povoaçom sobre terras ejidais de Acazulco, na zona nomeada La Marquesa, pretende-se construir um parque temático. Aos ejidatarios pagariam-lhes umha quantidade de quartos por rendar a terra durante tres anos. co lema "Todo México à La Marquesa", o projecto tem como obxectivo aproveitar o turismo urbano da cidade de México. La Marquesa, coas suas mil 580 hectareas, foi declarado parque nacional em 1938 e ficou em maos da comunidade otomí de Acazulco. A estas datas, o governo federal expropiou-lhes diversas propriedades, entre as que se atopam terrenos para a Comissom Federal de Electricidade, o gasoducto de Pemex, o Instituto de Investigaçons Nucleares, a ampliaçom da velha estrada México-Toluca, a auto-estrada México-Toluca, entre outras. De ditas expropriaçons só se lhes indemnizou com um centro de venda de artesanía, que nunca podem utilizar, um par de arrandeeiras e um tobogam. Nunca lhes pagarom as expropriaçons sofridas. Agora pretendem expropriar-lhes as terras nas que se atopa o casario de La Marquesa, em onde vivem 380 famílias. Tanto as autoridades federais como as estatais pretendem que se regularice o uso do solo para acabar coa propriedade ejidal e vendé-las a 57 grandes empresas, que conformam um padroado e em onde nom aparece a comunidade de Acazulco. Entre as empresas que estám no jugoso negócio atopam-se as seguintes: Tribasa, Bayer, Televisa, Tv Azteca, Kaufman & Broth, Mercedes Benz, Bancomer, Volkswagen, Crisa, Clube de Golf Los Encinos, Nissan, Fraccionamiento Sam Martín, Herberts, Sacsa, BMW, Bernardo Quintana, Hoteles Fiesta Americana, Clemente Serna, Coca cola, Pepsicola, Cervecería Modelo, Hotel Holiday Inn, Cervecería Cuauhtémoc, Bimbo-Barcel, Nestlé. Em maio-setembro de 1999, o governo do estado e um grupo de particulares oferecerom aos habitantes do àrea umha série de cursos de hostelaria e gastronomía. Os moradores perguntarom-lhes para o que eram ditos cursos, e as autoridades nunca contestarom. Actualmente os habitantes de La Marquesa estám a ver como enfrentar a nova expropriaçom (na que pretendem pagar-lhes $1.70 por metro quadrado) de jeito organizado e legal. As autoridades do estado de México tentam bota-los fora do àrea comercial de La Marquesa. Volta pedra de novo, a nube cola-se na igreja de Sam Jerónimo, no povo de Acazulco. há umha asambleia e mais de 300 indígenas otomíes discutem acalorados o asunto do projecto turístico do que só sabiam por rumores. Um grupo de moços do ejido apresentam o projecto que se tenta impor e dam informaçom sobre os projectos de investimento privado na regiom que ameaçam os seus direitos sobre terras e augas. ''Dixerom-nos que iam fazer um parque e que ia ser de benefício para a comunidade. Que se ia investir um milhom de dolares e que iam rendar as terras'', informa um rapaz acazulqueño que conta com estudos universitários. umha senhora replica: ''¿De o que imos viver se nos querem sacar a terra?'' Mulheres maiores asentem coa cabeça e comentam entre si em otomí. A indignaçom medra. Há apenas um ano expropiarom-lhes 13.5 hectares do casario de La Marquesa e como indemnizaçom querem-lhes pagar 120 pesos. Hoje o comisariado ejidal di que é possível vender, mas com um pouquinho mais de quartos por metro quadrado, ''o que é umha grosería'', di Antonio, velho ejidatario que agora vende quesadilhas à beira da auto-estrada México-Toluca, ''a mais cara de México'', engade. Um dos ejidatarios, de nome José, engade que comparezam as autoridades ejidais e comunais para aclarar a sua posiçom. Segue a palavra entre estes otomís: ''A única soluçom é organizar-nos. Nom podemos ficar pasivos. Temos que defender a nossa forma de vida, a nossa terra, a nossa cultura. Querem-nos enganar. Dim-nos que nos vam dar trabalho, mas como povos e comunidades indígenas querem-nos exterminar. Eles vem-o como negocio, nós o vemos como resgate dos nossos povos. A dignidade do povo nom se merca com migalhas''. Anoitece e a gente espera, muito amolada, a chegada das autoridades da comunidade e o ejido. Ao final da juntanza, nengum dos representantes aparece por medo à gente. Entre todos lembram convocar a umha asambleia de ejidatarios para tomar umha decisom junto com todo o povo. Como auga que baixa da montanha, a informaçom sobre o projecto turístico rega-se por todo o povo; circulam fotocópias coa proposta de investimento, mas os representantes ejidais e comunais negam que seja verdade. Umha semana depois, ante a pressom dos moradores de Acazulco que demandam informaçom, o comissariado de bens ejidais decide convocar aos 370 ejidatarios para lhes apresentar o projecto do parque temático. A ideia é deixar ao resto do povo fora da decisom. Como as terras som ejidais, a decisom legal corresponde aos ejidatarios, assi que aos representantes agrarios pretendem convencé-los do projecto, que serám sócios e lhes pagarám umha boa soma se aceitam rendar a terra. A juntanza é convocada no auditorio ejidal, em plena La Marquesa. E até alá vai a pedra. Ademais dos convocados, chegam decenas de vizinhos de Acazulco, a maior parte mulheres. O grupo que apoia às autoridades nega o passo ao lugar a todos os que nom sejam ejidatarios. As mulheres e os moços indignam-se e comezam o forcejeio por entrar. "Nom nos deixam passar porque os ricos querem passar por cima dos pobres, querem dizer por tras da gente, mas a decisom é do povo. Aqui nom mandam os ejidatarios se nom todo o povo", berra dona Cleotilde, duns 60 anos. A gente está muito anojada. nos últimos dias, as autoridades da Comissom Nacional da Auga valeirarom a lagoa de Salazar (que formaria parte do projecto turístico), sem avisar a nengumha autoridade do povo. Além disso, os mesmos comissariados passarom umhas folhas entre os vendedores de quesadilhas, umha espécie de enquisa, na que perguntam à gente em o que lhe gostaria trabalhar. As mulheres pateam a porta de cristal: "Queremos inteirar-nos, deixem-nos passar, queremos saber do projecto que se traem. Querem fazer a sua juntanza as agachadas. A terra é de todo o povo", berram amoladas. Isavel Marcial Cesáreo responde-lhes que el nom sabe do que estám a falar, "é umha falsa alarma", chega a dizer antes de ser acalhado polas indignadas mulheres que lhe reviram: "Pase o que passe imos defender-nos". Um grupo de senhoras mete-se à força. Estám bravas, ja ninguém tenta desalojá-las : "Queremos informaçom, que digam a verdade. Somos labregas e defendemos os nossos direitos, ja houvo enganhos de abondo. Às vezes ficamos caladas e temos medo, mas ja nom queremos isso. Temos direito a entrar". Ante a pressom e em meio de berros, os ejidatarios decidem permitir o passo de todas e todos. Depois que entram dá-se umha discussom confusa, todos falam, há reclamos das mulheres e os moços. O comissariado Guadalupe Espinoza Salinas informa que a Comissom Nacional da Auga valeirou o encoro para realizar trabalhos de reabilitaçom da cortina. Depois di que todo o do projecto turístico "é um rumor, que se alguém tem informaçom que o diga, porque é falso todo o que se di". Se arma a gritadeira e o debate. "Quem ordenou valeirar o encoro? Isso é criminal", chéga-se a ouvir. Nesse momento chegam os representantes da Confederaçom Agraria do estado de México, ligados ao governo local, quem som os promotores do projecto de investimento. Quando os apresentam para explicar o asunto, a gente os bota porque nom quere nem ouví-los. ''Nom queremos nada de vostés, nom venderemos a terra, nem a arrendaremos nem nada'', berram-lhes as mulheres. Um moço de La Marquesa que estuda na UNAM intervém. Aclara que o único que quere a gente é informaçom, porque sempre os querem despojar das suas terras. ''Pola nossa terra passa a auto-estrada mais cara de México e nom podemos usá-la livremente.'' Aclara que ''há muitas empresas que querem investir na zona; para convencer à gente dim-lhe que vam ser sócios, mas entom quem os pode quitar quando nom cumpram''. O comisariado, num tom mais conciliador, insiste: ''Temos que defender a terra, nós vimos o projecto e paréce-nos bem, queremos que o vejam''. A resposta nom se fai esperar, ao unísono, mulheres e homes fam-no calar com um só berro: ''A terra nom se vende nem se renda, que lhes fique claro''. Em meio da asambleia toma a palavra Javier Peña e se apresenta como diriginte da Alianza de Povos Indígenas da Serra Oriente do estado de México e membro da ANIPA, quem se queixa de que querem vender as terras do ejido. Fala de como se venderom em forma ilegal algumhas partes do ejido como a gasolineira, umha cabana e um tramo do bosque. O comisariado revira: ''Sabemos que Peña e a sua gente azurram à gente co do Plano Povoa Panamá, mas o que querem é ser deputados ou regedores e conseguir viages ao estrangeiro''. Outros integrantes do comisariado e algumhas mulheres lembram-lhe que nom tem autoridade moral para denunciar nada, ja que el defraudara a um val com 20 mil pesos e que mesmo o prenderam por essa raçom. O ex comisariado lembrou que quando Javier Peña estivo nesse cargo ejidal fai seis anos executou-se a expropriaçom do casco urbano de La Marquesa e que nom fijo nada para o impedir nem meteu nengum recurso legal. É mais, di-se que quijo negociar o pago de 5 milhons de pesos como indemnizaçom, quando à gente lhe dizia que pediam 2 milhons. ''E agora di que defende ao ejido. Isso é defraudar à gente.'' O irmám de Javier Peña justifica ao seu familiar dizendo: ''Todos cometemos erros''. No seu relato, lembra que um grupo encabeçado por Javier Peña foi a Los Pinos, ''reunimo-nos com Xóchitl Gálvez, que é amiga de Javier (Peña), e dixo-nos que Fox nom aceitou o de Atenco porque nom vai passar por encima da gente''. Escuitam-se vozes denunciando que Peña com isso busca ''negociar por detrás do povo''. Algum mais lhe dixo que o que buscava era umha candidatura a deputado por um partido. Javier Peña tentou defender-se mas todo foi inútil. A gente nom o escuitou, a pesar de se apresentar como diriginte da Alianza de Povos-ANIPA. A asambleia continuou e ao final votou-se rejeitar o projecto e nom permitir que se apoderem das suas terras e bosques. As autoridades amagarom com renunciar, pois foram derrotados. A gente tomou-lhes a palavra, mas o importante nom era isso, se nom botar para atrás qualquer intento de vender a terra e o lograrom. Por essa raçom, a principal vergonha das autoridades foi rendir contas ante o povo e ser evidenciados por todos, o principal castigo foi ésse, e deixarom-nos continuar coa advertência de que estava claro que nom podiam assinar nengum papel nem fazer negócios com ninguém se nom o aprobava o povo. "Entre todos temos que defender a terra, para o que nos pelejamos entre nós?. O dia que perdamos o ejido ja nom teremos com quem pelejar-nos. Por isso todo o povo tem que rejeitar o projecto turístico dos estrangeiros", di o rapaz otomí que estuda na UNAM. Ao final, a asambleia disolve-se e a gente vai ver o encoro para comprobar se é certo, como dim, que ja o estam enchendo de novo. Ao olhar o espelho de auga que vai medrando e subindo de nível, todos viram para ver-se entre si e orgulhosos sorrim, certos de que esta vez os homes e mulheres de Acazulco opugerom-se aos planos empresariais de quem cobizam a sua terra para a converter num negócio. Tamém sorrindo a pedra volta a ser nube e se vai lembrando do que dixo umha senhora de mais de 60 anos, orgulhosa de o dizer em otomí: "nas terras dos nossos ancestros que a defenderom co seu sangue, temos que saber guardar a terra que nos herdarom. Por isso nom imos vender nada nem nos imos deixar". Nos dias posteriores do calendário: Montiel fai público o seu apoio ao projecto de reordenamento de La Marquesa e que actuará contra quem nom estejam de acordo. Javier Peña apresenta-se encanto lugar pode, para dizer que "defendeu" La Marquesa e é candidato suplente polo PT para o quarto distrito. Os comisários ejidais tratam, junto coa CNC e o governo do estado (directamente com Montiel), de impor novamente o seu projecto. Voa o nuve até Atlapulco. Para os povos limítrofes com o val de Anáhuac como Atlapulco, na parte mais alta do val de Toluca e do val de México, a sua qualidade de tributarios de cidades como Huixquilucam, Lerma e o Distrito Federal, tem-nos erguídos em resistência pacífica desde há vários anos, pois os seus bosques som os que recargam de oxigénio às urbes, mentres a falta de auga seca as suas terras para se ir às grandes indústrias e luxusos centros para pasar as férias. Atlapulco tem umha história digna de se recuperar. Até há uns anos era umha de tantas povoaçons que perdera os rastos do seu passado indígena, que nom conhecia que a sua posiçom geográfica o vinculava com Chalma e Malinalco antes da Conquista. Mas resultou que, fazendo umhas excavaçons, acharom-se primeiro um glifo ñahñú e depois os restos dum templo teotihuacano, o que de imediato acordou entre os seus habitantes a inquedanza por recuperar a sua história e reivindicar a sua orige. Sam Pedro Atlapulco está a meio caminho entre Toluca e o DF, enclavado em pleno bosque de oyameis e no seus territórios acha-se o famoso Val do Silêncio. A sua posiçom geográfica e estratégica era a melhor. Chamavam-lhe com justa raçom o grande olhador por se situar no vértice mais alto do val de México e do val de Toluca. Hoje, como muitos outros enclaves indígenas no estado de México, Atlapulco, pertencente ao município de Ocoyoacac, emprende umha resistência em defensa do seu território, a sua história e a sua cultura as beiras da cidade mais grande do mundo. Assi falam Mario Flores Juárez, presidente do comisariado
de bens comunais de Sam Pedro Atlapulco, e Juam Dionicio: Como comunidade preocupamos-nos em manter projectos de vigiláncia em tempos de estiage, entre fevereiro e maio, quando os incéndios som quotidianos. Temos programas comunitarios de brigadas contra incéndios. Os comuneiros, em brigadas de prevençom, fam fendas contra o lume. É um trabalho comum que nom é nem reconhecido nem remunerado. Os argumentos culturais som a basee para a conservaçom, porque mediante o trabalho comunal se implementam trabalhos. Em troco, umha vez que se da o processo de urbanizaçom, se desarraiga o tipo de organizaçom que permite entender os bosques, a terra, e o território, mais os outros elementos que permitem entender a comunidade. Para a nossa comunidade o bosque, e todo o que em el nace, é sagrado. A milenária relaçom do nosso povo cos seus montes e coas suas augas permitiu a persistência da nossa cultura e a conservaçom da ecologia e grande parte das nossas actividades religiosas e crenzas atopam-se ligadas ao bosque, polo tanto a destruiçom dos nossos territórios implica a destruiçom da nossa cultura. De Atlapulco, a nube voa a Sam Pedro Tlanixco, município de Tenango do Val. Tamém o seu problema principal é a auga, pois o governo do estado deu-lhe a concessom aos floricultores de Villa Guerrero do rio de Tlanixco. Os ejidatarios nom se querem deixar. O comisariado de Sam Pedro declara: "Nom nos imos deixar despojar da auga da nossa comunidade. O governo deu a concessom todo um rio aos floricultores de Villa Guerrero, mas esse auga é nosso . Estamos a ponto de que nos exterminem". Mais alá, em xalatlaco a comunidade defende as suas terras, bosques e auga, fronte à avaricia da Mercedes Benz. Esta é a história que se defendá nas comunidades
indígenas do estado de México. É a mesma história
de espólios, enganhos, corrupçom, repressom. Mas a resistência
ja comeza tamém a ser história comum para todos istes
povos. "Para todos" repíte-se a nube e, assi como
ao entrar a estes lugares atopou um panfleto, ao abandonar os seus
ceus um ar sacude outro panfleto. Em el le-se: Caciques e políticos dos tres partidos políticos (PRI,
PAM E PRD) querem-nos despojar das nossas terras. Para nós
e o futuro dos nossos filhos a defensa da propriedade comunal é
importante porque: Subcomandante Insurgente Marcos. México, Janeiro de 2003. |