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MÉXICO • 11/2/2003

Novembro: Morelos a undécima estela.

LulaEm Morelos expropriam-se terrenos para abrir passo a maquiladoras e mega-projectos. O régime panista esforza-se para agradar à grande empresa. O governador Estrada Cajigal e o seu secretário de Governo, vinculados ao roubo de carros e ao narcotráfico. Existe super-exploraçom de trabalhadores, mas caminha umha rebeldia inteligente.

Novembro: Morelos, a undécima estela.

(A história, cansada de andar, repíte-se em riba e em abaixo)

A história toma a mao e toma a olhada. Com ambas vira a outra folha do já delgado calendário. Aí está o novembro do Dia de Mortos e o Morelos de Emiliano Zapata.

No estado de Morelos (mais de milhom e meio de moradores, e mais de 60 mil indígenas), umha velha história se repíte: no governo mandam a reacçom e a corrupçom estúpidas, e no povo caminha umha rebeldia inteligente.

E no papel da reacçom e a corrupçom: o governador Estrada Cajigal e o seu secretário de Governo, Becerra. Ambos estám vinculados ao roubo de veículos e ao narcotráfico. Repetindo a história de princípios de século, há umha lista negra de pessoas que serám "eliminadas" por um matom, contratado polo procurador de Justiça estatal Montiel. Mentres se revisa, no Congresso local, se se destitue a Estrada e o chefe da polícia ministerial, Pimentel, iniciou umha investigaçom contra o procurador e os que resultem responsáveis.

Sergio Estrada Cajigal, amigo de larpeiradas, mantém umha liorta co governo municipal de Cuernavaca. O motivo? Um antro no centro desta cidade. Em Janeiro o governo estatal outorgou os permissos para que funcionasse, mas o municipal os negou. O antro abriu-se, e à semana o concelho coa polícia municipal, realizou umha redada. O governo estatal expediu de novo os permissos e o municipal limitou-nos a umha determinada hora. Cara adiante e cara atrás, até que a Agencia Federal de Investigaçom (AFI) o pechou.

Ademais de promover antros, roubar carros e fazer negócios com o narcotráfico, Estrada Cajigal dá-se tempo para pilotar persoalmente o helicóptero propriedade do estado. Em el passeia, em companha do Firulais Loyola, a mulheres da vida galante. "Aí vai o helicóptero do amor", dim os morelenses quando vem passar polos ares ao seu governador.

O governo de Morelos, como na época porfirista, está a fazer o seu melhor esforzo para agradar aos grandes empresários. No oriente do estado, na zona ejotera e de cana de Tenextepango, Ahuehueyo, Ocuitoco e Temoac, está-se a presionar aos ejidatarios para que cedam à construçom dumha estrada que precisamente facilitaria o passo cara as maquiladoras de Guerrero. O plano é expropriar-lhes as suas terras "por causa de utilidade pública", como reza o artigo 27 constitucional reformado no sexénio salinista. Se se fai, dim os labregos, "terám que dar-nos umha pensom vitalícia tanto a nós como aos nossos descendentes, porque nunca nos vam pagar o que produz a terra".

Assi, o problema que com mais frequência enfrentam as comunidades do oriente, e outras partes de Morelos, é a venda ou expropriaçom da terra. É como se se estivesse a dar o primeiro passo para espareger as indústrias maquiladoras e os mega-projectos. A isso somam-se os projectos relacionados com o turismo, com o pretexto dos quais se estám instrumentando despojos de terras e aguas.

Ademais da pressom externa que tenhem os labregos para ceder a sua terra, em Morelos, que tradicionalmente é provedor de cana de azúcar, se vive a crise ocasionada pola introduçom da frutose de milho à indústria dos refrescos e os doces (que está avalada polas "cláusulas segredas" do Tratado de Livre Comércio de América do Norte, em onde se permite a entrada deste edulcorante de jeito masivo, em prejuízo da produçom açucareira nacional). O cálculo é perverso: as comunidades empobrecidas pola caída no açúcar de cana, verám-se obrigadas a vender as suas terras ejidais para a instalaçom de maquiladoras e centros de lezer. Mas isso nom é todo, a algumhas comunidades que forom obrigadas a vender a sua terra agora negam-se-lhes os pagos (é o caso de Zacatepec).

Na lógica do grande capital, a produçom de alimentos nom é prioritária. Deixa mais quartos a produçom de flores de ornato. Por isso pode-se ver que em Morelos há cada vez mais viveiros. Mas, como nos tempos das fazendas porfiristas, a gente que trabalha em eles é super-explorada. Permanecem no viveiro 12 horas por quenda, ou mais, sem pago extra. E os abusos som contínuos porque há muita oferta de mao de obra devido à crise agrícola e à falta de terras.

A "coordenaçom" de "esforços" entre governo e empresas é criminal. Os programas governamentais (Progresa e Procampo) outorgam, ao muito, uns 800 pesos mensais por família. Isso prepara à gente para se conformar nas maquiladoras com soldos de 350 pesos semanais. Isto ocorre nos municípios de Tecajé, Tenextepango, Ahuehueyo, Las Piedras, Temoac, Potlám, jalostoc, Tlayecac.

Semelha-lhe que exagero ao sinalar semelhanças com a época porfirista? Bom, vaiamos ver as condiçons laborais do Invernadoiro Internacional que se atopa a dous quilómetros ao norte da auto-estrada Cuautla-México, perto da "caseta" de Oacalco. O proprietário é um senhor de procedência alemana. O principal produto que gera som plantas de ornato de exportaçom cara Canadá e Estados Unidos com um valor aproximado de cinco dólares estadunidenses por planta. A maioria dos trabalhadores som mulheres, variando idades desde 15 até 50 anos. É um segredo a vozes que existem menores de idade. Todas elas vizinhas dos povoados cercanos como El Golán, Santa Catarina, El Empate, Las Vivianas, Oacakci, El Capulín, entre as mais importantes. Laboram aí 400 pessoas. O horário de trabalho é de 7:00 a 18:00 horas de luns a sábado, com um descanso o domingo (isto é seis dias à semana). Tenhem 30 minutos para comer durante a jornada. Dependendo do tamanho da produçom que se tenha que entregar, este horário pode-se prolongar até as 20:00 ou 21:00 horas. De 11 a 14 horas de jornada laboral! As horas extras nom som pagadas em termos monetários se nom em tempo, isto é, com horas de descanso. Nom obstante, persiste umha irregularidade enquanto ao registo das horas extras, pois nom existe controlo de saída, o qual gera um trabalho extra nom recompensado justamente, já nom digamos legalmente. Respeito ao pago do salário tamém existem diversas irregularidades. Por umha banda está o feito de que o salário é de 500 pesos semanais (isto é uns 90 pesos diários), mas por outra banda tem-se informaçom de que um dia nom trabalhado é descontado a 120 pesos, ademais de que se o trabalhador chega com cinco minutos de demora vé-se castigado com um desconto de 25 pesos. Nom só isso: o relógio de controlo de entrada está adiantado cinco minutos, e toca umha sereia por primeira vez cinco minutos antes da hora de entrada, e por segunda e última vez é soada, indicando deste modo que o trabalho inicia.

Isto implica que o trabalhador tem que estar polo menos 15 minutos antes do início das labores para poder equipar-se com os aditamentos necessários para laborar. A equipa nom é para proteger aos trabalhadores, senom para que nom "contaminem" as plantas. no momento da sulfataçom das plantas, os trabalhadores nom tenhem nem sequer "cobre bocas", muito menos máscaras anti-gases.

Agora venha comigo a Cuautla, à colónia Iztaccíhuatl. Acô permitiu-se o funcionamento dumhas 16 maquiladoras. Ainda que algumhas de éstas funcionam como pequenas indústrias familiares, em realidade maquilam para grandes empresas. Cada membro da família está sujeito ao pago segundo as tarifas das maquiladoras do lugar, é dizer, paga-se-lhes como a qualquer outro trabalhador. Di-se que estas maquiladoras som clandestinas porque se atopam dentro de casas que nom estám acondicionadas para funcionar como indústrias téxtis. Acô fabricam-se produtos que som exportados a Japom e Canadá, ademais de subministrar a Comercial Mexicana.

Os salários? Para as pessoas adultas na zona de costura o soldo varia de 350 a 400 pesos semanais, na àreia de corte vai de 250 a 300 pesos semanais e em empacado vai de 150 a 200 pesos semanais. Pola sua parte, os nenos, que trabalham em cortar tramos de elástico, deshebrado de prendas e ordenamento por tipo de prenda, percebem um salário de 100 a 150 pesos semanais. Todos os trabalhadores, nenos, moços e adultos tenhem um horário de trabalho de 7:00 a 18:00 horas de luns a venres e de 7:00 a 14:00 os sábados. Neste horário contam com 15 minutos para almorzar e umha hora para comer (nom há comedor, assi que, ou levam comida ou comem ar). Se o trabalhador utiliza mais tempo do estabelecido para comer, deve-o repor ao final da jornada. Respeito ao pago de horas extras, este vai de 10 a 14 pesos, contodo, o pago efectivo de este está determinado pola vontade do patrom, é dizer, se el quere pagá-las as paga, se nom, nom.

O pago do salário vai atrasado com umha semana, já que a primeira semana que laboram nom se lhes paga. deste jeito seguram a sua presença na seguinte semana. Tamém se detectou que nom todas as vezes se lhes paga a semana completa e mais bem se lhes da umha parte do seu salário em qualidade de empréstimo.

Por outra parte, os dias festivos som trabalhados e pagados como dias normais, nom conforme à lei. Os trabalhadores nom contam com prestaçons de lei, nom estám inscritos ao Seguro Social, nom há reparto de utilidades, nem aguinaldo, nem férias (o mais cercano a isto último é que, quando nom há trabalho que maquilar os mandam a descansar dumha a duas semanas, ainda que sem direito a soldo). Em caso de enfermidade ou acidente laboral nom se lhes dá assistência médica, e se por causa da enfermidade nom se apresentam a laborar desconta-se-lhes o dia. Enquanto às obrigas laborais apresentam-se tamém diversas irregularidades. Por exemplo, se umha trabalhadora sabe do manejo de distintos tipos de maquinaria, é assignada a umha máquina conforme às necessidades de produçom do dia, é dizer, se lhe pode assignar tanto o manejo dumha máquina singela como o dumha de maior risco, sem que por isso se lhe retribua com um pago mais alto devido ao risco que implica o seu manejo. Aparte das labores das suas zonas assignadas devem realizar outras actividades alheias, como é o lavar trastes, varrer, limpar, etcétera, já que nom se conta com persoal de intendência ou asseio.

nestas condiçons trabalha-se no "modernizado" estado de Morelos. E o secretário do Trabalho, Abascal? Repartindo bençons.

Mas, tamém como nos tempos de dom Porfirio, os morelenses se rebelam. A luita do povo de Tepoztlám contra a construçom dum clube de golf (agora há um projecto semelhante para Anenecuilco) e a de Tetelcingo contra a instalaçom dum aeroporto, som alguns exemplos.

O enfrentamento entre o governo panista e o povo labrego e urbano de Morelos medra. Na indústria têxtil Confitalia deu-se umha luita forte por parte do seu sindicato (composto na sua maioria por mulheres). A resposta foi despidos e ameaças. O mesmo atoparom os trabalhadores do Hospital do Niño.

Alá está a luita dos labregos ejidatarios dos povos de Popotlám, Huazulco e Amilcingo, pertencentes ao município de Temoac, no oriente de Morelos, polo cumprimento do convénio realizado entre os governos de Morelos e Puebla sobre o deslinde de terras colindantes. A pesar do acordo oficial, emitiu-se um decreto polo qual terras destes três povos passam a formar parte de Sam Marcos, município do estado de Puebla. no caso de Popotlán esta divisom implica separar Popotlán Velho. Por outra parte, os mesmos povos luitarom pola cancelaçom do projecto da estrada chamado Milenium, cuja construçom faria-se sobre o despojo de parte das suas terras, já que a estrada cruzaria os seus ejidos.

O problema da estrada tem já seis anos ; anteriormente o projecto passava supostamente por outros terrenos ejidais. Os povos afectados, entre eles Tenextepango e Popotlán, constituírom-se numha organizaçom chamada Ejidos Unidos do Oriente de Morelos Emiliano Zapata (EUOMEZ). Os labregos sacarom os registos que os engenheiros punham para marcar os lugares por onde passaria a estrada sobre os seus terrenos, lograrom de jeito legal deter o projecto, mas entom o projecto mudou de lugar e, sem deixar de afectar a Popotlán, o traço da estrada se realizou sobre os terrenos ejidais de Huazulco e Amilcingo. Um problema, o da estrada, se encimou com outro, o dos deslindes.

Em Amilcingo está a sede da Normal Rural Femenil Emiliano Zapata, que é abondo combativa. Huazulco trata de se unir internamente. A assembleia ejidal de Popotlán optou por nom estar cos partidos, ademais do comissariado ejidal em Popotlán, e nos três povos tem muito peso um labrego chamado dom Lorenzo, ex presidente municipal independente de Temoac. Dom Lorenzo, talvez lembrando as ensinanças de Emiliano Zapata, sempre permaneceu cos ejidatarios e os moradores de Popotlán, nunca estivo em nengum partido político e participou nas luitas da assembleia ejidal por defender as terras. E, como Zapata, é um home respeitado e a sua palavra é escuitada. Assi que a nube se fai pedra de novo e escuita atenta:

O problema destas terras vem de atrás, desde os anos 40, segundo conta dom Lorenzo, e já houvo em outras épocas enfrentamentos entre ambos povos. Reavivou-se a raiz da assinatura do convénio, que foi lograda graças à insistência dos de Popotlán e alguns de Amilcingo. Sam Marcos (Puebla), segundo a sua pasta de dotaçom, tem arredor de 3 mil hectares, sem contar as de Popotlán Velho (que som as que estám em liorta); Popotlán só tem pouco mais de 500. E há gente que nom tem onde sementar e trabalhar.

O problema em Popotlán é que o ex comissariado de Popotlán, Francisco Aragon, assinou cessom de terrenos em favor de Sam Bartolo e Sam Marcos, em Puebla, e é agora candidato do PRD para a presidência municipal de Temoac, que esta vez lhe toca a Popotlán (a presidência rota entre os quatro povos: Amilcingo, Huazulco, Popotlán e Temoac, a presidenta actual é de Temoac, e segundo este acordo, esta vez toca-lhe a Popotlán; sobre esta estrutura rotativa, montam-se as eleiçons).

Com os labregos de Popotlán estám os de Tenextepango, que forom fundamentais para parar a construçom do tramo de estrada.

Depois de escuitar e aprender de dom Lorenzo, a pedra vai-se a Amatlán de Quetzalcóatl, para aprender de dom Aurelio e a história do seu povo em defessa da terra, a agua e os recursos comunais.

Mais alá está Ocotepec. Aí a tenda Soriana despojou à comunidade de terrenos para construir um centro comercial. A movilizaçom da gente e o apoio de advogados honestos (que ainda os há) permitiu deter a construçom e estám em juízo. A pesar de ter todo em contra (autoridades, meios de comunicaçom, empresas e julgados), os moradores de Ocotepec mantenhem-se firmes.

O caso de Ocotepec, junto com outros, é parte da estratégia do governador Estrada Cajigal para apoderarse das terras comunais. O governador recentemente mudou o uso do solo em toda Cuernavaca, para que se poda construir o que seja (é dizer, bom negócio para as construtoras de centros comerciais e cousas polo estilo).

Agora vai a pedra à colónia Ahuehuetitla, em Cuernavaca. As mulheres, organizadas como parte das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), contam do problema dumha invasom em datas recentes: umha pessoa externa ao povo tentou dividir aos comuneiros e organizou-se com umha minoria para invadir terras sem acordo da assembleia do povo, umha parte das terras que pretendiam tomar som comunais e outra parte som propriedade privada cedida e acordada pola assembleia. O comissario de bens comunais advertiu a estas pessoas que o povo nom apoiaria a invasom, mas de todas formas o tomarom. Entom entrou a policia municipal, desalojou e levou-se detidas a varias pessoas, entre elas a que encabeçava a invasom. Os comuneiros vem esta situaçom como um tento do governo estatal para dividir ao povo ante o problema da concessom de terras à tenda Soriana, que o povo rejeita, e que está suspendido e em pugna.

¡Um momento! Dixo vosté Comunidades Eclesiais de Base? O que nom desaparecerom quando morreu dom Sergio Méndez Arceo? Pois nom, nom desaparecerom. A pesar dos ataques que sofrirom por parte da hierarquia eclesiástica que sucedeu a Méndez Arceo, as CEB resistem e mantenhem o seu trabalho comprometido co povo. Como na colónia Santa María, no norte de Cuernavaca. Ou a colónia Lomas de Cortés e, perto de ésta, umha colónia irregular de deslocados que vivem nas vias do trem. A colónia chama-se Ahuehuetitla e muitos dos nenos de aí trabalham na rua, roubam e quase todos se drogam e estám involucrados na distribuiçom de droga. A violência familiar é muito alta: maltratos, violaçons, suicídios. Com eles trabalha umha ONG chamada Caminhando Unidos que tem umha escolinha de artes e ofícios, cujo objectivo é resgatar à infáncia.

Agora vai a pedra ao sector Ahuehuetes do povo de Santa María. O povo está dividido em duas partes, ao este e ao oeste da estrada federal a México. O sector Ahuehuetes está na parte oeste do povo; no norte de Cuernavaca. Acô, como em muitas partes do México rebelde, há muitas mulheres luitadoras. Em Ahuehuetes, Ocotitla, Emaús, Monasterio e El Sector as mulheres organizam-se para resolver os problemas que o governo desatende. Os de Ahuehuetes tenhem o problema da luz. Desde há mais de 10 anos luitam contra a Companhia de Luz e Forza que lhes exige até 10 mil pesos por poste e aparte outro cobro por instalaçom em cada casa. As mulheres estám muito inconformes com isto e buscam organizar-se , ainda sem o apoio dos seus homes, pois éstos lhes dim: "se pelejas co governo nom terás escola para os teus filhos".

No sector Ocotitla, som amos e senhores os japoneses Watanabe, donos de laboratórios fotográficos em Cuernavaca; estes neo-caciques mercarom em forma irregular muitas das terras do sector Ocotitla, e hoje exigem que os moradores pobres deste lugar se marchem "das suas terras".

Fai uns anos, os colonos ganharom um pleito contra o hotel Do Prado, um monstro gris que lhes dá o lombo e contrasta com as casas de paus e cartom, ou as construçons irregulares dos moradores de Ahuehuetes, feitas na parte mais alta da canhada que flanqueia o ocidente de Cuernavaca, a mesma onde se construirom Casas Geo durante a presidência municipal do actual governador Sergio Estrada Cajigal. Os comuneiros venderom as suas terras a baixos preços e forom re-instaldos em predios onde supostamente haveria serviços, mas os serviços nunca chegarom. O entom presidente municipal tamém deslocou aos moradores da barranca contígua para criar a ponte vial que une o ocidente co centro de Cuernavaca, para que os mercadores de Casas Geo tivessem umha via de acesso e fosse mais rápida a sua venda. Os donos do hotel Do Prado protestarom contra o "mal aspecto" que Ahuehuetes brindava aos seus clientes, assi que pedirom o seu desalojamento, os moradores organizarom-se para resistir e o hotel tivo que cancelar os quartos que davam cara a canhada.

O despojo neoliberal nom é só de terras, é tamém de história e de cultura. mas, , tamém atopa resistências.

O Fronte Cívico Pro Defensa do Cassino da Selva opom-se ao projecto de converter o Cassino da Selva num centro comercial. Formado, entre outras organizaçons, polo Colectivo A Neta, os Guardiáns das árvores, SERPAJ-Morelos e o Conselho Cidadám de Artistas e Intelectuais em Defessa da Cultura do Estado de Morelos, o Fronte Cívico enfrentou a cerraçom do governador Estrada Cajigal com firmeza, ainda a pesar da repressom.

Com luxo de violência, os membros do Fronte Pro Cassino da Selva forom atacados por forças do governo no mês de agosto de 2002. Resultado: presos e malhados. Rendirom-se? Nom. A sociedade civil morelense organiza-se entom e realiza umha das marchas de protesta mais grandes na história recente de Morelos.

Mais acô, no calendário, o mais recente que figerom foi que seis deles se meterom ao Salom Verde da Cámara de Deputados e se espirom em protesta. Ademais, mantenhem umha concentraçom-jejum nas portas do paço do governo estatal.

Mas o espírito rebelde de Emiliano Zapata nom só está nos labregos, indígenas, obreiros, CEB e intelectuais morelenses.

Tamém alumeia o passo dos moços.

Aí está, por exemplo, o Colectivo Anarco Punk CLAT (Colectivo Libertario Anti Todo). Alguns moços formam parte da rede punk RIVAL (Rede Informativa de Vozes Autónomas Libertarias) e da Coordinadora Estatal Anarco Punk. O projecto dos moços punk está vinculado ao trabalho comunitario em colónias populares. A pesar de ser hostilizados continuamente pola polícia, estes moços, sem deixar de ser o que escolherom ser, se ligam a outras luitas. Talvez porque entendem bem que o manha se entenda com muitas rebeldias.

Crie a nube que o meu general Zapata estaria satisfeito à ver a rebeldia que, a pesar de todo, resiste e floresce em Morelos. Por isso, sorri a pedra quando deposita umha nube azul, em forma de flor, na tumba do chefe do Exército Libertador do Sul e Comandante Supremo do Exército Zapatista de Liberaçom Nacional.

E, animadas pola memória de Emiliano Zapata, pedra e nube encaminham o seu passo rebelde cara Milpa Alta, solo indígena e digno na beira da terra que se crece cara em riba, a cidade de México.

Desde as montanhas do Sudeste Mexicano.
Subcomandante Insurgente Marcos.
México, Janeiro de 2003.

Fonte:

EZLN. http://www.ezln.org

La Jornada, México. http://www.jornada.unam.mx/