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MÉXICO
• 12/4/2003
Intento de desalojamento de duas comunidades em Montes Azules.
Os governos estatal e federal querem dealojar às comunidades
de simpatizantes zapatistas que vivem na reserva da biósfera
Montes Azules, na selva Lacandona, com o ridículo argumento
de que estam a desforestar a selva, sabendo que quem em verdade desforestam
som as empresas madedeiras. A estratégia do governo para o desalojamento é presentalo
como um conflicto inter-comunitario entre as comunidades que eles
chamam "invasoras" e os lacandones, que sempre estiverom
do lado do governo. Assi o governo nom tem que dar a cara. Querem desalojar começando polas que estám ao sul e
se atopam mais isoladas e portanto indefensas ante os desalojamentos.
Chamam-lhes "invasoras" a todas as comunidades que nom som
lacandonas, e que se assentarom em Montes Azules fugindo da violência
paramilitar, ou em busca de terras para viver, e algumhas vezes por
ambas raçons, como é o caso de Nuevo Sam Rafael e Sam
Isidro, duas comunidades ubicadas ao sul de Montes Azules, perto da
raia com Guatemala. "Vimos pola necessidade de terra e pola ameaça
do grupo paramilitar Paz e Justiça", conta Dom José,
indígena chol representante da comunidade de Nuevo Sam Rafael.
Eles e elas som originários de Calvario, município de
Tila. Conta umha mulher nova, duns 35 anos que ficou viúva
com 5 filhos o dia que os paramilitares de "Paz e Justiça"
levarom ao seu esposo da sua tendinha e ja nom tornou.Estas comunidades,
bases de apoio do EZLN, estam sendo ameaçadas com ser desalojadas
das suas terras. Segundo o testemunho de Dom José, "tres indígenas lacandons com soldados da marinha chegarom a dizer que a terra é deles e que se desocupara os primeiros dias de abril", e ameaçarom à comunidade com a desalojar este sábado 12 de abril, às 14 hrs. E pergunta-se "Onde imos ir se nom temos terra? Estamos cansados de trabalhar nos ranchos, nas fincas" (dos terratenentes). Por esta raçom, representantes desta comunidade pedirom a presença de observadores que impedissem um desalojamento violento. A Rede de Defensores Comunitarios polos Direitos Humanos, informa sobre feitos ocorridos na comunidade Nuevo Sam Rafael, da regiom de Montes Azules o 12 de Abril de 2003: 1. O dia 11 de abril do presente ano recebemos nas nossas secretarias a informaçom de parte de representantes da comunidade Nuevo Sam Rafael (tamém conhecida como Ignacio Allende), no sentido de que os lacandons chegariam à comunidade para desaloja-los das terras. O desalojamento seria o sábado 12 de abril às 14:00 hrs. 2. Dada esta situaçom, diferentes organizaçons civis que promovem e defendem os direitos humanos, entre elas a Rede De Defensores Comunitarios polos Direitos Humanos, Capise, Ciepac, Promedios, organizamos umha delegaçom de observaçom. 3. Às catorce horas do sábado, chegarom à comunidade a bordo de duas lanchas arredor de 40 indígenas lacandons e choles portando machetes e alguns tamém armas de fogo. Ao chegarem unirom-se a dous funcionários da PROFEPA (Héctor Trujillo Gómez e Jorge Gómez Román) que ja se encontravam esperando-lhes à entrada da comunidade. Os indígenas afirmarom ser vicinhos das comunidades Frontera Corozal, Nueva Palestina, Lacanjá, Najá e Metzaboc. 4. Posteriormente arribarom em outra lancha outros 4 funcionários do governo que nom se identificarom, mas seica pertencem a Secretaría de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) e à Coordinaçom Nacional de Zonas Naturais Protegidas (CNANP). 5. Estas pessoas avançarom à entrada da comunidade encabeçadas por autoridades lacandonas identificadas como David González Chanvor, Presidente de Bens Comunais; Hugo Chanvor, Conselho de Vigiláncia e Rodolfo Chanvor, Secretário. Assi como por Pedro Díaz Solís, Comissariado Ejidal de Frontera Corozal, mentres os funcionários governamentais permaneciam atrás da cometiva. 6. Os lacandons aproximarom-se numha actitude claramente hostil e arrebatarom as cámaras de vídeio valuadas em $50, 000.00 pertencentes à organizaçom Promedios de Comunicaçom Comunitaria, comprometéndose a devolvé-las ao remate da juntança. Contodo, ao final da juntança negarom-se a devolver a equipa a dita organizaçom. 7. Tras umha discussom no idioma chol entre representantes da comunidade Nuevo Sam Rafael e das comunidades antes mencionadas, um dos membros da delegaçom de observaçom de direitos humanos, solicitou aos funcionários da PROFEPA a sua intervençom para buscar umha saída negociada, pois era evidente que os ànimos se quentavam. Héctor Trujillo Gómez, funcionário de dita instáncia, quem até esse momento se mantivera à marge da discussom afirmou que nom levavam umha proposta de soluçom ao conflito, que só chegaram por convidaçom dos lacandons. 8. Depois de quase umha hora de discussom os lacandons derom um prazo de 8 dias para que se desaloje a comunidade Nuevo Sam Rafael, ao termo do qual (próximo sábado) se nom desalojarom os lacandons chegaram novamente para realizar o desalojamento. 9. Ao acabar a juntança os lacandons tamém se dirigirom aos observadores de direitos humanos dizendo-lhes que se a autoridade de Bens Comunais da comunidade lacandona nom autorizava a sua presença nom poderiam tornar novamente à regiom de Montes Azules. 10. A Rede de Defensores Comunitarios polos Direitos Humanos expressa a sua preocupaçom ante o desenlace que poderiam ter estes acontecimentos. Nista ocasiom, a presença de observadores de direitos humanos evitou que se produzisse um enfrentamento entre os indígenas da comunidade Nuevo Sam Rafael e os lacandons e demáis acompanhantes. 11. Tamém queremos enfatizar que a Rede de Defensores informou ao governo do Estado de Chiapas a eventualidade dum desalojamento violento por parte dos lacandons. Funcionários do governo do Estado afirmarom que falariam cos lacandons para evitar que se produzissem actos de violencia. Contodo, os feitos reflectem que o governo do estado nom levou a cabo nengumha acçom para evitar o desalojamento violento, o que revela tamém o duplo discurso do governo do estado, quem afirma nom compartir a política do desalojamento em Montes Azuis, pero por outra parte permite que os lacandons actuem com impunidade. 12. Instamos às autoridades competintes do governo federal e do Estado a tomar as medidas precautorias que sejam necessárias para evitar que se produçam enfrentamentos entre os indígenas involucrados no conflito de Montes Azules. A Rede de Defensores reafirma a sua convicçom de que só umha saída negociada e pacífica, e a vontade dos governos federal e do Estado, podem resolver o conflito em Montes Azules com pleno respeito aos direitos humanos e direitos indígenas dos involucrados. É muito probavel que o governo federal pretenda aproveitar
semana santa para desalojar, disfarçados agora de "conflitos
intercomunitarios", entre os povoadores das comunidades de Novo
Sam Rafael e Sam Isidro, e a comunidade lacandona. Maria, umha moça de 15 anos de Nuevo Sam Rafael que durante
a discussom nunca recuou um passo da entrada da sua comunidade, dizia
o mesmo que vem dizendo esta comunidade desde que as ameaças
se voltarom constantes a partir de Dezembro do ano passado "Se
nos querem botar que nos matem. Nós estamos dispostos a morrer
acô pola terra". "Temos medo porque eles vam entrar
aqui... Venhem a diário dizendo que nos vam desalojar, que
nos vam botar e vam queimar a casa. Isso é o que nós
nom queremos, queremos que se resolva bem e queremos viver acô
igual que as outras gentes. Eles tenhem fame, igual que nós
temos fame, por isso imos viver acô, acô imos estar e
ninguém nos vai botar". Fonte: Rede de DefensoresComunitarios polos Direitos Humanos. Delegaçom de observaçom. |