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MÉXICO • 8/9/2003

Palavras dos comandantes do EZLN no encontro de Oventik.

LulaPalavras de boas-vindas a Oventik do Comandante David. Comunicado do Subcomandante Marcos lido durante o encontro. Palavras da Comandante Esther aos povos indígenas do México. Palavras do Comandante Tacho aos labregos do México. Palavras do Comandante Zebedeo.

Palavras de boas-vindas a Oventik do Comandante David.

Boas tardes a todos e a todas.

Companheiros e companheiras bases de apoio de todos os territórios rebeldes zapatistas presentes neste histórico evento.

Companheiros e companheiras integrantes dos Conselhos Autónomos de todos os Municípios Autónomos.

Companheiros e companheiras dirigentes de todos os povoados e regions.

Companheiros e companheiras da Frente Zapatista de Libertaçom Nacional.

Irmaos e irmas da sociedade civil nacional e internacional.

Irmaos e irmas da imprensa nacional e internacional.

Irmaos todos:

Em nome do Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional, damos a vostês as boas-vindas neste lugar de encontro de todos os mundos. Um dos lugares dignos da nossa pátria, hoje chamado Caracol da Resistência e da Rebeldia pola Humanidade, Oventik, Município de San Andrés Sakamchén de los Pobres, Chiapas, México.

Desejamos de todo coraçom que se podam sentir na sua casa. Esta é a casa e o lugar de todos os que sonham com um mundo mais justo e mais humano, onde todos podam ter um lugar digno até o fim da sua existência.

Boas-vindas a todos e a todas.

Muito Obrigado.

Comunicado do Subcomandante Marcos lido durante o encontro.

Exército Zapatista de Libertação Nacional.

México, 9 de agosto de 2003.

Às Juntas de Bom Governo Zapatista:

Aos Municípios Autónomos Rebeldes Zapatistas:

À Sociedade Civil Nacional e Internacional:

Irmaos e irmás:

Recebam as minhas saudaçons e as de todos os oficiais, insurgentes e milicianos de armas e serviços do nosso Exército Zapatista de Libertaçom Nacional.

Felicitamos a vostês polo nacimento das Juntas de Bom Governo. Som um avanço muito importante na nossa luita polo reconhecimento dos direitos e da cultura indígena no México e umha boa forma de tratar de resolver os problemas existentes. E felicitamos a todos vostês porque este avanço tem sido possível tamém polo apoio das "sociedades civis" do México e do mundo todo.

Como vostês lembram, em julho deste ano, os Conselhos de 30 municípios autónomos rebeldes zapatistas dirigiram-se ao Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do EZLN para solicitar que eu fosse, temporariamente, tamém o seu porta-voz.

O objectivo era o de explicar à sociedade civil nacional e internacional as mudanças que se foram gestando durante nove meses em território rebelde e que hoje som umha realidade.

Vemos agora que isso já foi um pouco explicado, que as Juntas de Bom Governo já forom formadas e estam trabalhando nos primeiros Caracóis da resistência que hoje nacem em território rebelde. Tenho certeza de que os novos Caracóis surgiram em todo o México e no mundo, porque nós zapatistas, agora, pintamos Caracóis diante do Poder.

Acreditamos que, como EZLN, já cumprimos a parte que nos cabia nestas mudanças. Estivemos levando os Caracóis, temos construído as casas das Juntas de Bom Governo e tratamos de explicar um pouco as mudanças.

Assi, devolvo agora a vostês o ouvido, a voz e o olhar. A partir de agora, todo o que se refere aos Municípios Autónomos Rebeldes Zapatistas será comunicado polas suas autoridades e polas Juntas de Bom Governo, e com elas deveram ser tratados tamém os assuntos dos municípios autónomos tais como projectos, visitas, cooperativas, conflitos, etcétera.

O Exército Zapatista de Libertaçom Nacional nom pode ser a voz de quem manda, ou seja, do governo, ainda que quem manda, mande obedecendo e seja um bom governo.

O EZLN fala polos de baixo, polos governados, polos povos zapatistas que som o seu coraçom e o seu sangue, o seu pensamento e o seu caminho.

Nós estaremos de atentos para defendê-los, que é por isso que somos Exército Zapatista, o Votán Zapata, o guardiam e o coraçom do povo. Assi, a partir de agora, nom serei mais porta-voz dos municípios autónomos rebeldes zapatistas. Eles já têm quem fale, e bem, por eles.

Em o meu papel de comandante militar das tropas zapatistas, comunico a vostês que, a partir de agora, os Conselhos Autónomos nom poderam recorrer às forças milicianas polos trabalhos de governo. Deveram, portanto, esforçar-se em fazer como devem fazer todos os bons governos, ou seja, recorrer à razom e nom à força para governar.

Os exércitos devem ser usados para defender, nom para governar. O trabalho de um exército nom é o de ser polícia ou umha repartiçom do ministério público. De consequência, como lhes será comunicado por os nossos comandantes, seram retirados todos os bloqueios e postos de controle que, sob a autoridade autónoma, as nossas forças mantinham nos caminhos e nas estradas, bem como a cobrança de impostos a particulares.

A partir de agora, os bloqueios e postos de controlo seram instalados somente nos casos de alerta vermelho.

Continua sendo o nosso trabalho e o nosso dever proteger as comunidades das agressons do mau governo, dos paramilitares e de todos aqueles que lhes queiram fazer mal. Para isso nacemos, para isso vivemos e para isso estamos dispostos a morrer.

Nom preciso dizer-lhes que, no México e no mundo, há muitas pessoas boas que estam vendo a vostês. No olhar delas há respeito e esperança. Respeito, porque vostês têm avançado quando todos acreditavam que estávamos derrotados, porque, apesar de serem perseguidos polas armas e a mentira, têm construído um bom governo. E esperança porque, diante dos governos e dos políticos que só enganam e roubam, vostês podem ser o bom exemplo do mandar obedecendo.

Pedimos a vostês que trabalhem com bom pensamento para que nunca perdam este respeito e sempre alimentem esta esperança.

Por último, digo a vostês que para mim foi umha grande honra ter sido o seu porta-voz.

É toda a minha palavra e espero minha crítica ou o que me forem dizer.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Subcomandante Insurgente Marcos.

México, agosto de 2003.

Palavras da Comandante Esther aos povos indígenas do México.

Irmaos e irmás.

Pola minha voz fala a voz do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional.

Irmaos e irmás indígenas do povo do México:

Nós indígenas queremos dizer a vostês do nosso direito a sermos mexicanos.

Nom precisamos mudar a nossa cultura, a nossa roupa, a nossa língua, a nossa forma de rezar, a nossa forma de trabalhar e respeitar a terra, além do mais, nom podemos deixar de ser indígenas para sermos reconhecidos como mexicanos.

Nom, nom podem tirar o que somos.

Somos morenos, si. Nom podem transformar-nos em brancos.

Porque os nossos avós resistirom mais de 500 anos ao desprezo, à humilhaçom e à exploraçom. E nós continuamos resistindo.

Nom poderam humilhar-nos mais e nem acabar connosco.

Os políticos traíram os povos indígenas do México.

Todos os partidos políticos, tanto o PRI, como o PAN, como o PRD, entrarom em acordo para negar os nossos direitos porque nom aprovarom a lei de direitos e cultura indígenas.

Quiserom nos tratar como crianças e calar-nos.

Acharom que iam conseguir, mas já vêem que nom conseguirom e nunca poderam fazer o que eles querem.

Agora, nós mesmos temos que exercer os nossos direitos. Nom precisamos do permisso de ninguém, muito menos de políticos que só estam aí para enganar o povo e roubar dinheiro.

Por isso, Irmaos e irmás indígenas do povo do México, fazemos um apelo a todos para que apliquem a lei dos Acordos de San Andrés.

Temos o direito de governar e governar-nos, de acordo com o nosso pensamento, em cada município e em cada Estado da República Mexicana.

Ninguém pode nos impedir, nem, muito menos, podem nos prender por exercer os direitos que nós merecemos.

Já é hora de aplicar e praticar em todo o México a autonomia dos povos indígenas. Ninguém deve pedir permisso para formar os seus municípios autónomos. Como nós estamos fazendo e praticando, nom pedimos permisso.

Ainda que o mau governo nom a tenha reconhecido, para nós esta é a nossa lei e nos defendemos com ela.

Tamém convidamos a todos vostês, irmaos e irmás indígenas, que a fagam sua e construam a sua autonomia e as autoridades para que o governo do povo mexicano mande obedecendo e para defender e aplicar os Acordos de San Andrés.

Da mesma forma, fazemos um convite a todas as mulheres indígenas mexicanas a se organizarem para que, juntas, trabalhemos a autonomia e pratiquemos o nosso direito que merecemos como mulheres.

Já nom é tempo de calar e nem de se humilhar diante dos homes, nem de pedir o favor que nos respeitem. É hora de agirmos por nós mesmas, de obrigar aos homes a respeitar os nossos direitos. Porque se nom fazemos isso, ninguém o fará por nós. O que nos resta agora é agir e colocar em prática entre homes e mulheres para construir e fazer avançar a nossa autonomia.

Esta é a minha palavra.

Democracia! Liberdade! Justiça!

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Polo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional.

México, 9 de agosto de 2003.

Palavras do Comandante Tacho aos labregos do México.

Irmaos e irmás labregos do México:

A grave situaçom de nós, labregos do México, é cada vez mais crítica.

Nós, que integramos o Exército Zapatista de Libertaçom Nacional, nos dirigimos a todos e a todas vostês que som os legítimos donos das terras que fam produzir.

Irmaos, na história do nosso país, o México, o nosso trabalho, a nossa produçom, as nossas terras, nom forom poucas as vezes em que figérom um reconhecimento público da importância da nossa produçom, resultado do nosso trabalho, suor e esforço.

Nós labregos temos ocupado e continuamos ocupando um lugar importante em todo o que produzimos pola sua importância fundamental na vida alimentar do povo mexicano.

A desonestidade dos maus governos do passado e dos que temos nom reconheceu a importância do trabalho dos labregos. Estes maus governos têm feito todo o que é contrário e têm se burlado de nós.

Nós labregos fomos desapropriados das nossas terras através de ordes judiciais, policiais e até através do Exército federal mexicano.

Têm sequestrado os nossos bens através de créditos e de taxas de intereses muito elevadas. Têm tratado de nos tirar até aquilo que nunca nos derom. Todo o que têm feito contra nós é para deixar contentos e garantir o que interessa aos ricos.

Burlarom-se e continuam se burlando de nós que somos labregos.

Estes maus governos sabem muito bem que o reconhecimento do lugar que ocupamos com a nossa produçom pertence a nós, os labregos produtores, porque somos nós que sabemos quanto custa fazer a produzir terra.

Somos nós que merecemos viajar para outros países irmaos para pedir a sua ajuda para melhorar a nossa produçom, porque temos conhecimentos avançados quanto à produçom do campo.

E nom as grandes mentiras que os governos têm se afanado em dizer e continuam dizendo com mentiras e enganos em outros países, dizendo que no México nom há pobreza, que nom há desemprego, que som um governo do povo. Nós labregos sabemos que estas nom passam de mentiras.

Irmaos labregos, nestes últimos anos os maus governos têm sempre tratado de enganar o povo e, sobretodo, têm tratado de deixar os labregos conformados através de cousas miseráveis como o PROCAMPO, de cousas raquíticas como o PROGRESA, ou com as desprestigiadas barracas de camelo.

Com toda esta forma de enganar, de burlar, de incapacidade, nom forom resolvidos os problemas de fondo dos labregos. O que interessa a estes governos é encher os seus bolsos e serem cada vez mais ricos às custas de nós labregos, e, por isso, estamos obrigados a luitar diante da falta de atençom para com os labregos e com o campo.

Têm agido assi desde que o traidor da pátria Carlos Salinas de Gortari reformou o artigo 27 da Constituiçom desprotegendo aos labregos. Porque antes se dava proteçom aos labregos em todos os sentidos da vida camponesa e das nossas terras.

Esta reforma significa todo o que vai beneficiar aos interesses dos ricos para que, com a crescente pobreza, nos pressionem para vender aos ricos as terras ejidais e nós labregos sejamos escravos nas nossas próprias terras.

Hoje, nós labregos dizemos aos que permitirom a venda de terras ejidais através desta lei que, para nós labregos, a terra é nossa mai e a mai nom se vende. E para os que permitirom a venda da terra através das leis, que estes nom têm mai.

Diante dos baixos preços dos nossos produtos, provocados polos maus governos de Salinas, Zedillo e Fox, a nossa situaçom e as condiçons de vida têm ido piorando.

Além disso, nós labregos precisamos de ferramentas para trabalhar, insumos e outros materiais necessários para produzir som cada vez mais caros e nom dá para comprar o mínimo necessário.

Irmaos labregos, a nossa situaçom é cada vez mais grave. O que compramos é cada vez mais caro e o que produzimos é cada vez mais barato. O governo Fox continua fazendo o mesmo que os seus predecessores, e acontece que estes famosos governinhos se dedicam a viajar para outros países para dizer que no México podem vir outros ricos para fazer os seus investimentos, que há boas condiçons para investir. Ou seja, estes mesmos governos estam permitindo umha pilhage brutal do nosso país.

Mas, na televisom e na imprensa escrita, os governos dim que os investidores vam gerar empregos, e isso é mentira, porque no México há cada vez mais desemprego, pobreza e miséria. nom há nengum interesse do governo em melhorar o preço da nossa produçom.

Foi isso que Salinas e Zedillo fizerom e nem vamos falar do senhor Fox, que segue os planos dos seus predecessores e busca as condiçons para continuar beneficiando os interesses dos ricos mexicanos e estrangeiros e desenvolver os planos do neoliberalismo em o nosso país. A falta de preocupaçom do governo diante do campo e dos labregos se revela quando há umha catástrofe natural.

Nós sabemos que existem meios de combater os incêndios florestais, mas nom se fai nada, ainda que digam na televisom e na imprensa que estam preparados, a verdade é que nom podem apagar nem umha fagulha. O mesmo ocorre com as inundaçons.

Nom é só que nom podem, a verdade é que a eles nom lhes interessa. Nom se importam com o feito de que a selva e os bosques acabem, só estam interessados em encher os seus bolsos e nom lhes importa que nós labregos sejamos cada vez mais miseráveis.

Irmaos labregos, nom esperem nada de bom destes velhos tipos de governo. Só nos resta um caminho a seguir. Temos que nos organizar para defender as nossas terras juntos em qualquer lugar de qualquer Estado da República Mexicana. Temos que apoiar- nos mutuamente nos problemas que temos.

Nom confiem neste governo, por novo que seja, já nos derom mostra disso durante 73 anos, é outra cara, mas continuam os mesmos.

Durante os últimos anos há mais carestia, mais desemprego, mais pobreza, preços baixos para os nossos produtos, mais misérias, mais expropriaçom, mais repressom, mais militarizaçom.

Por isso, Irmaos e irmás labregos do México, fazemos um apelo a todos e a todas para que nos unamos e nos organizemos como labregos para defender as nossas terras e luitemos juntos por melhores condiçons de vida. Todos nós labregos precisamos disso, temos que luitar por nós mesmos.

Nom viram de nengum governo e de nengum partido político as mudanças reais e dignas que atendam às necessidades do campo. O único caminho que nos deixarom é o de organizarmo-nos com a resistência e a rebeldia.

É todo.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Polo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional.

México, 9 de agosto de 2003.

Palavras do Comandante Zebedeo.

Irmaos e irmás, companheiros e companheiras:

Depois de tantos rumores de que o EZLN já estava acabado, como podem ver, estamos aqui outra vez na mesma luita, melhorando os caminhos da resistência.

No passado século XX, figérom umha maquilhage para fazer-nos crer que ficara para atrás o tempo da miséria, da pobreza, do paternalismo, da escravitude e da Santa Inquisiçom. Hoje, os sofrimentos de grande parte da sociedade civil som os mesmos. Vimos a chegada do novo século com o mesmo conteúdo brutal do passado.

Nestes tempos de globalizaçom, estam aplicando de outro jeito a nova Santa Inquisiçom. Hoje, os pecados dos povos pobres nom som pagos com o chicote; estamos pagando com armas sofisticadas, especialmente fabricadas para enfrentar aos que se rebelam contra os planos da globalizaçom, contra a invasom; por isso, pagamos todos, incluídas as crianças e os anciaos.

A globalizaçom, com os seus tratados de livre comércio, a Organizaçom Mundial do Comércio e a Área de Livre Comércio das Américas constituem implementos e elementos para a extinçom do património de cada país, da soberania e da cultura. Diante desta guerra e da ameaça que a globalizaçom fai a nível mundial, nom podemos nos fazer de desentendidos quanto ao feito de que o que se busca é a humilhaçom e a submissom. Esta situaçom é tam fácil que pode ser entendida até por um analfabeto.

Consequência do mal, ou seja, do parasitismo em relaçom à sociedade civil mundial, é que, a cada dia, há pobres cada vez mais pobres e aumentam de número os milhons de desempregados, mutilados de qualquer esperança. Esta globalizaçom veu graças a um plano engenhoso, mas, diante del, os povos do mundo estam aprendendo a resistir e a organizar-se para parar a dominaçom e a invasom.

Já se lê e já se vêem povos do mundo que têm deixado de serem espectadores. Conforme o tempo passa, vam-se tornando actores importantes para construir um mundo onde caibam muitos mundos. Como já é mundialmente conhecido, a guerra dos maus governos da globalizaçom levou a morte e a destruiçom muito longe daqui, para um lugar que foi rico em cultura e história da humanidade.

Alá, o povo do Iraque está demonstrando que a questom nom é trocar os tiranos locais por tiranos estrangeiros, mas si, unir a democracia e a justiça com a liberdade, a soberania e a independência. Resistindo a cada dia, o povo iraquiano derruba a já frágil estátua do triunfo militar britânico e estadunidense.

Queremos repetir tamém umha saudaçom que demos antes. A saudaçom à luita política e cultural do povo basco. E o repito claramente: à luita política e cultural do povo basco, porque logo alguns jornalistas põem a sua mentira de que apoiamos a ETA e até um cantor de rock bobo di isso. Assi, saudamos a luita política e cultural do povo basco.

Mais ainda agora que qualquer pessoa deste país é perseguida, hostilizada e desprezada em qualquer lugar do mundo. Sabemos que para este povo os tempos som difíceis, mas sabemos tamém que saberam resistir e serem criativos para ir adiante. Nós nom podemos fazer muito, mas repetimos tamém com esperança o "GORA EUSKAL HERRIA" que nunca se apaga, nem sequer nas prisons e nas salas de tortura do governo espanhol, e o dizemos bem forte para que seja ouvido por este sujeito (o juiz Baltasar Garzón) que agora está tirando férias do seu trabalho de fechar jornais e colocar organizaçons políticas na ilegalidade.

E agora a nossa palavra vai até à Europa, até à França. Neste momento, queremos mandar umha saudaçom zapatista aos irmaos e irmás da França que, nestes instantes, encontram-se reunidos num lugar chamado Lês Places, em Larzac. Alá, há Irmaos labregos franceses que luitam contra a globalizaçom da fome, dos cultivos transgênicos e contra a guerra do poder.

Saudamos aos Colectivos Sudoeste de Solidariedade com Chiapas (Cariége, Bordeaux, Lot, Pavolorón, Tarn e Toulouse); a rede Mut-Vitz o sudoeste, a Americasol, o Comité de Apoio aos Povos de Chiapas em Luita, Paris, a Associaçom Construir um Mundo Solidário, a Confederaçom Camponesa Nacional e a todas as organizaçons que alá se encontram reunidas. nom sabemos se estam-nos ouvindo neste momento, mas tenho certeza de que, apesar de tam longe, sentiram o abraço que os menores dos seus irmaos, nós zapatistas, mandamos a eles.

E, mais para acô, ao sudeste do nosso sudeste, da Argentina digna chegam ventos de apoio e esperança. Respondemos a eles com o humilde vento que somos e o nosso abraço cruza a América Latina inteira para nada mais dizer que se entenda só com as palavras "irmaos e irmás".

E no Caribe há um povo que está no alvo da guerra de conquista mundial, o povo de Cuba. Para este povo vai a nossa admiraçom e o nosso respeito que, pequenos que somos, nada mais podemos fazer.

Sabemos que os planos para atacar a ilha de Cuba nom som de mentira. Mas, tampouco, é de mentira a decisom deste povo de resistir e decidir, sem ingerências estrangeiras, o seu destino, que outra cousa nom é a nom ser a soberania.

Irmaos e irmás:

Há no mundo um país de gente nobre e boa. tamém neste país o mal governa, mas, em baixo, a dignidade rebelde fala italiano e pensa no futuro. Os novos mundos que lá e aqui se constróem aprendem juntos a dizer "Fratelli" e "Hermanos", que em italiano e castelhano querem dizer o mesmo, ou seja, "amanhã".

E agora queremos mandar umha saudação especial ao povo da América do Norte, que se levantou dos escombros das torres gémeas de Nova Iorque para opor-se a umha guerra movida por interesses económicos, e escondida na dor e na corage provadas polos atentados de 11 de setembro de 2001. E queremos mandar um abraço muito grande, tam grande quanto a nossa esperança, aos Irmaos mexicanos que sofrem e trabalham em terra estrangeira, nom porque queiram, mas si porque a espoliaçom neoliberal os tirou de as suas terras. Saudamos, pois, o sangue mexicano que pulsa acima do Rio Bravo.

Queremos dizer que, nos próximos dias, haverá umha reuniom muito importante em Cancun, México. E nom nos estamos referindo à reuniom da Organizaçom Mundial do Comércio, este organismo que comanda a nova guerra mundial contra a humanidade. Nom. Estamos falando da reuniom que teram pessoas de todo o planeta para repetir o "nom" ao mundo excluinte do dinheiro e afirmar que outro mundo é possível.

Conforme sabemos, de 1 a 7 de setembro, haverá umha reuniom sobre meios e tecnologias alternativas, de 8 a 9 um fórum camponês e no dia 9 de setembro, daqui a um mês, haverá mobilizaçons em Cancun e no mundo todo contra aqueles que se acham os donos do planeta. Em setembro, a Cancun e ao mundo, irá a palavra dos zapatistas de acordo com umha forma que estamos para decidir.

Irmaos e irmás:

tamém queremos saudar e abraçar com carinho especial e admiraçom a todos os mundos que existem no mundo. Nom conhecemos os países, mas conhecemos algumhas pessoas das que neles luitam, e através de as suas palavras e acçons aprendimos que a dignidade e a rebeldia nom têm a ver com as bandeiras, os idiomas, os tipos de moedas e os passaportes.

A estes mundos diferentes dizemos daqui, das montanhas do sudeste mexicanos, que nom estam sós.

Irmaos e irmás:

Deixemos para trás o racismo e a exclusom, vejamos um caminho comum que nos leve à esperança de umha vida mais humana. Para construir este mundo novo é importante que todos nós, homes e mulheres, nos tornamos filhos da rebeldia e da resistência, e como recompensa conscientizemo-nos de que iremos estrear os modernos presídios construídos polos chamados governos.

Isso quer dizer que, entom, nom é para perder de vista o monstro global mundial. Estas forom as nossas palavras e o que segue é dançar e luitar.

Viva a resistência mundial!

Viva a rebeldia mundial!

Vivam os povos pobres do mundo!

De Oventik, Caracol "Resistência e Rebeldia pola Humanidade"

Polo Comité Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional.

México, 9 de agosto de 2003.

Fonte:

CausaEncantada http://www.causaencantada.org/