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MÉXICO • 19/07/2003

Comunicados do EZLN nos dias 19 e 20 de Julho de 2003.

Lula

 

 

 

 

Nos dias 19 e 20 de Julho o EZLN emitiu três comunicados onde anuncia a rotura definitiva do diálogo com o governo, trocos na organizaçom do EZLN e que em breve empezará a emitir desde a selva a "Radio Insurgente. A Voz do EZLN". Tamém criticam a detençom de bascos no D.F. sem ningumha prova e advirtem da ameaça dos paramilitares em Chiapas.

COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA - COMANDO GERAL DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERAÇOM NACIONAL. MÉXICO.

MÉXICO. 19 de Julho de 2003.

Ao povo de méxico:
Aos povos do mundo:

Irmaos e irmás:

Ista é a nossa palavra:

PRIMEIRO.- Como se demostrou, no mundo a globalizaçom do poder entrou na sua etapa mais agressiva á fazer da guerra militar a sua arma principal de dominaçom. Contodo, a agressom contra o povo do Iraque nom só evidenciou a verdadeira vocaçom destrutiva da globalizaçom, tamem provocou o o mais grande repúdio mundial na história da humanidade. A pesar das estátuas caídas, a resistencia e a rebeldia mundiais se mantenhem e medram. A zapatista só é umha pequena parte da grande mostra de dignidade humana em todo o planeta.

SEGUNDO.- No nosso país, a classe política mexicana (onde se incluem todos os partidos políticos com registo e os três poderes da uniom) traicionou a esperança de milhons de mexican@s, e milhares de pessoas de outros países, de ver reconhecidos constituiçonalmente os direitos e a cultura dos povos índios de méxico. Fai pouco, completamente alonjados da realidade, os políticos mexicanos derom umha excelente mostra da sua ilimitada capacidade para o ridículo, ao realizar umha das campanhas eleitorais mais cómicas da história de méxico. O alto abstencionismo nas eleiçons do passado 6 de julho do 2003 foi umha reacçom popular que ainda se negam a ver.

TERCEIRO.- fronte a todo isto, o EZLN decidiu suspender totalmente qualquer contacto com o governo federal mexicano e os partidos políticos, e os povos zapatistas ratificarom fazer da resistência a sua principal forma de luita. Em sendos comunicados dados a conhecer por membros do CCRI-CG do EZLN, o primeiro de Janeiro deste ano na cidade de San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, os zapatistas reiteramos a nossa condiçom de rebeldes e anunciamos que, a pesar da estupidez e cegueira dos políticos mexicanos, os chamados "acordos de San Andrés em direitos e cultura indígenas" (assinados polo governo federal e o EZLN o 16 de fevereiro de 1996 e plasmados na chamada "iniciativa de lei COCOPA") seriam aplicados em territórios rebeldes.

QUARTO.- Tamem nessa ocasiom, os zapatistas reiteramos o nosso direito a expressar solidariedade com as luitas justas dos povos de méxico edo mundo, isto fronte a aquilos que nos exigiam limitar-nos ao tema indígena em méxico. No mundo figemos expresso o nosso apoio á soberania venezuelana, ao povo de iraque, e a todas as luitas que resistem em rebeldia contra o poder dos quartos. Em méxico manifestamos o nosso apoio aos irmaos e irmás, principalmente indígenas, que resistem em todo o país.

QUINTO.- durante estes meses, os povos indígenas zapatistas e rebeldes organizados no EZLN prepararom umha série de trocos, que se referem ao seu funcionamento interno e á sua relaçom com a sociedade civil nacional e internacional, e estam listos para os fazer públicos.

SEXTO.- Para anunciar e explicar esses trocos, 30 municípios autónomos zapatistas solicitarom ao CCRI-CG do EZLN que o subcomandante insurgente marcos cumpra, ademais da sua tarefa de vozeiro do EZLN, as funçons de porta-voz dos municípios autónomos, ainda que só temporalmente, de acordo a isto, a partir de hoje e nos próximos dias farám-se públicos sendos escritos que iram assinados polo subcomandante insurgente Marcos a nome do CCRI-CG do EZLN e dos municípios autónomos rebeldes zapatistas.

SÉTIMO.- aos irmaos e irmás que, em méxico e no mundo, mantenhem relaçons de projectos e correspondência com os municípios autónomos rebeldes zapatistas, e a quem, de méxico e do mundo, se dirigirom ao EZLN para pedir a nossa palavra e/ou participaçóm em diferentes iniciativas internacionais contra a globalizaçom do poder, pedimos-lhes a sua compreensom e paciência, porque, até que estes trocos sejam anunciados e estejam a funcionar, nom poderemos atende-los como se merecem.

É todo... polo de agora.

DEMOCRACIA!
LIBERDADE!
JUSTIÇA!

Polo Comité Clandestino Revolucionário Indígena-Comandancia Geral do
Exército Zapatista de Liberaçom Nacional.
Polos Municípios Autónomos Rebeldes Zapatistas de Chiapas.

Subcomandante Insurgente Marcos.
México, Julho do 2003


EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERAÇOM NACIONAL. MÉXICO

20 de julho de 2003.

À imprensa nacional e internacional:

Damas e cavalheiros

Nom os fagades de ofendidos. Sei que estranhavades as minhas brincadeiras maldosas. Mas nom sofrades mais: estou aqui, outra vez. E como, suponho, estejam aborrecidos pola tragicomédia da vida política nacional, retomarei este o meu estilo travesso e brincalhom que, no passado, tem deliciado grandes e pequenos.

Sei que os vossos chefes de redaçom andam desconcertados. E dá pra entender: nom dá pra saber onde colocar as notícias sobre a Gordillo e o "novo PRI", o "auto-suicídio" de Digna Ochoa, os apuros de Blair e o "auto-suicídio" de Nelly (isso já deve ter virado epidemia), e a repartiçom do botim representada polas designaçons dos "chefes de bancada". Aonde vam estas notícias? Na crônica vermelha? Nas colunas sociais? Na tira cômica? Enfim, eles nom têm vida doada. Por isso, num gesto supremo de magnanimidade, passo aqui algumhas "filtraçons", mas nom reveledes a fonte, pois, do contrário, vam logo me dar de baixa no estilo britânico. Nom, nom há porque comunicá-las. Valeu.

-UM. Os zapatistas mandarom dizer a Luis Ernesto Derbez, Ministro das Relaçons Exteriores, que o "relançar" o Plano Puebla-Panamá deve ser para o abismo, porque em terras rebeldes nom vamos permitir o mencionado plano. Ao que dizem, os zapatones contam com os meios e a organizaçom necessários e suficientes para impedir a concretizaçom de dito plano. Esta nom é umha ameaça, mas si umha profecia.

-DOUS. O Comando Geral do EZLN mandou umha mensage aos grupos paramilitares que abundam em Chiapas. Palavras mais, palavras menos, a mensagem diz: "De acordo com a lei do taliom, é olho por olho, dente por dente, mas nós estamos em oferta e oferecemos dois olhos por cada olho e toda a dentadura por cada dente", de tal forma que cabe a vostés dizerem se si animam.

-TRÊS. Que a famosa (entre as montanhas do sudeste mexicano) e escorregadia (quanto ao ser diária) "Rádio Insurgente. Voz do EZLN", em breve, dará início às suas operaçons em ondas curtas, na sua emissom intergaláctica. O Sup terá um programa especial de umha hora e será transmitido, como é de lei, durante a madrugada. Nom, nom é o Sup que irá cantar, mas si el apresentará trechos musicais acompanhados de contos e relatos. E o programa "Durito DJ" é para o futuro porque o escaravelho está dificultando as cousas e nom assina o contrato (quer um programa de 24 horas diárias).

-QUATRO. Seria bom se a sociedade civil nacional e internacional nom assumisse compromissos para os dias 8, 9 e 10 de agosto. nom sabemos o porquê.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.
SupMarcos
México, julho de 2003.


COMUNICADO DO COMITÊ CLANDESTINO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA - COMANDO GERAL DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERAÇOM NACIONAL. MÉXICO.


20 de julho de 2003.

Ao povo do México:
Aos povos do Mundo:

Irmaos e irmas:

Há alguns meses, denunciamos os vínculos e os acordos que existiram entre o governo do México e do Estado Espanhol para reprimir as luitas dos indígenas mexicanos em troca da extradiçom de cidadans bascos residentes no nosso país. A matança de Acteal, Chiapas, em dezembro de 1997 e as deportaçons ilegais e ilegítimas de cidadans bascos por parte do governo mexicano no final dos anos 90, selarom entom o modelo de globalizaçom promovido polo Poder.

Recentemente, o autodenominado "Governo da Mudança" do senhor Fox deu continuidade a este vínculo vergonhoso ao deter arbitrariamente e expulsar do México a bascos acusados de crimes no Estado Espanhol. Os bascos deportados som torturados antes pola polícia mexicana e, em seguida, após a sua chegada na Espanha, pola guarda civil, como foi documentado no caso do senhor José Miguel Etxeandia Meabe, sem que esse suposto "prócer" dos direitos humanos, Baltasar Garzón, diga umha única palavra. O caso do senhor Lorenzo Llona Olalde, atualmente preso na Cidade do México, é o cúmulo da arbitrariedade, pois é acusado de crimes cometidos em épocas nas quais sequer se encontrava em território ibérico e, além disso, tem a nacionalidade mexicana.

Há alguns dias, vários cidadans bascos forom detidos e feitos desaparecer pola polícia mexicana, para, em seguida, serem apresentados sob a acusaçom de colaborar com a organizaçom político-militar basca ETA. As provas que os governos mexicano e espanhol alegam têm a mesma solidez das que forom apresentadas por Bush e Blair para justificar o ataque ao Iraque, ou seja, sam falsas.

Paralelamente a estas detençons e expulsons, tem aumentado a atividade dos grupos paramilitares em Chiapas, Estado do Sudeste Mexicano. Sobretodo na regiom de Los Altos de Chiapas, nos municípios de Chenalhó, Pantelhó e Cancuc, os paramilitares estam em intensa atividade e falam em planos de agressom iminentes.

Os paramilitares têm apontado como alvos prioritários dos seus futuros ataques os acampamentos de refugiados de San Pedro Polhó, O chamado "acampamento oito" e Acteal, e já fai algumhas noites que se reúnem para emborrachar-se e efetuar disparos para se dar valor. Ao mesmo tempo, destacamentos do Exército e da polícia estadual que se encontram nesta regiom se fecharom numha fortaleza, com certeza para, em seguida, alegar que "nam ouvimos nada".

Desta forma, o "ambiente" o ambiente é muito semelhante ao que se vivia nos dias que antecediam a matança de Acteal, Chenalhó, Chiapas, na qual 45 homes, mulheres e crianças forom assassinados polos paramilitares com requinte de crueldade.

O EZLN já avisou aos chefes dos paramilitares que desta vez nom ficaram impunes.

Fazemos um apelo à sociedade civil do México e do mundo para que exija dos governos do México e do Estado Espanhol o fim desta conturbaçom que ameaça novamente derramar sangue inocente nas terras de Los Altos de Chiapas.

Democracia!
Liberdade!
Justiça!

Polo Comitê Clandestino Revolucionário Indígena - Comando Geral do Exército Zapatista de Liberaçom Nacional.
Polos Conselhos Autônomos dos Municípios Autônomos Rebeldes Zapatistas
Subcomandante Insurgente Marcos.
México, julho de 2003

Fonte:

EZLN. http://www.ezln.org