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MÉXICO • 8/11/2003

Intervençom do Comandante Tacho na mesa: o zapatismo e os labregos.

LulaExército Zapatista de Libertaçom Nacional

México, novembro de 2003.

Bos dias, boas noites e boas tardes.

Esta é a participaçom do Comité Clandestino Revolucionário Indígena, Comando Geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional, na mesa: o zapatismo e os labregos.

Irmaos e irmás labregas do México que estam nos ouvindo nesta mesa. Para nós zapatistas, a situaçom dos labregos do México é muito grave. É muito digna de nota. Vivemos e sofremos pola extrema pobreza que se estende por todo o país, mas que agora é maior e mais grave. Esta grave situaçom é provocada polo próprio governo mexicano, porque só se preocupa com os interesses dos ricos, dos grandes ricos exploradores transnacionais que pretendem apoderar-se do nosso país e de as nossas terras através do dinheiro.

O governo já nom se preocupa com nós labregos. Há um abandono total porque já nom existe umha política económica nacional de Estado que garanta melhores preços para os produtores e proporcione um bom mercado para que assi se possam melhorar as condiçons de vida dos labregos. Estes governos têm nos demonstrado exactamente o contrário. Dedicam-se a promover leis para privatizá-las, promovendo o interesse do neoliberalismo e por isso tem viajado por quase o mundo todo, enquanto para os labregos, aqui no México, nom há assistência técnica, nom há apoios suficientes sem legalizar a terra. Porque querem impor outra forma de vida no mundo globalizado, por isso estam promovendo as privatizaçons a qualquer preço e o abandono de todos os labregos do México. E caiamos nas trampas que tenhem preparado contra a vida dos labregos e assi sejamos mais miseráveis.

Diante desta grave situaçom, o objectivo dos ricos é fazer-nos desaparecer porque dim que nom temos produtos melhorados, que nom som de exportaçom, enfim, nos querem mortos, miseráveis, humilhados.

Mas isso nom está certo. Nós labregos resistimos a esta conquista porque sabemos sobreviver. A nossa história tem nos demonstrado isso. Ninguém conseguiu nos destruir. Diante das condiçons de desigualdade, de injustiça, de prisom, de assassinato e de expropriaçom, temos capacidade de sobrevivência. Somos expertos na produçom, nos produtos básicos dos quais o nosso povo precisa e ninguém nos poderá vencer.

Irmás e irmaos labregos. Este grave problema é causado polo próprio governo. Temos que nos organizar já e entre nós porque nom é justo que na troca dos nossos produtos para comprar as ferramentas de que precisamos estas som mais caras, ou seja, nom dá para comprar outros materiais dos quais nós labregos precisamos. Vemo-nos obrigados a nos organizar, a luitar por melhores condiçons de vida para as nossas famílias. Nom esperemos mais nada dos maus governos porque só nos querem enganar com o plano miserável do PROCAMPO e do PROGRESA. Estas sobras que continuam repartindo, nunca vam resolver as nossas necessidades nem muito menos vam melhorar as nossas condiçons de vida.

Defendamos as nossas terras ejidais e comunais. Para nós zapatistas esta é umha das reivindicaçons polas quais nós tamém luitamos, porque a terra é a base fundamental da nossa vida, porque sem ela ninguém pode viver, porque a terra é a nossa mai, ela dá-nos vida, alimenta-nos e nos vê crescer.

Irmaos e irmás labregas, nom permitamos que nos tirem o único património da nossa vida labrega. O governo actual já demonstrou que os seus interesses nom som os do povo nem, muito menos, dos labregos, por isso reformou o artigo 27 da constituiçom em prejuízo dos labregos e a favor dos interesses dos grandes ricos estrangeiros. Por isso, nós, do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional, fazemos um apelo para que nos organizemos juntos e luitemos diante de outros sindicatos, diante de outros movimentos para que a terra seja para quem a trabalha. Fagamos o que hoje parece impossível, organizemo-nos para este impossível e luitemos por terra e liberdade, por democracia e justiça para todos os mexicanos.

Das montanhas do Sudeste Mexicano.

Polo Comité Clandestino Revolucionário Indígena-Comando Geral do Exército Zapatista de Libertaçom Nacional, no aniversário 20 e 10.

É todo. Muito obrigado.