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OUTRO MUNDO É POSIBLE • 9/01/2003 GLOBALIZACIÓN • FME e FMS. Fóruns trarão alternativas ao neoliberalismo e crítica aos EUA.
Maricélia Pinheiro e Clarissa Pont Representante da Secretaria Nacional do Fórum Social Mundial
(FSM), o dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Gustavo Codas definiu o evento como "um movimento dos movimentos
do mundo". Segundo ele, além de sediar o FSM (o próximo
acontecerá de 23 a 28 de janeiro de 2003), a capital gaúcha
ajuda a gerar movimentos em várias partes do planeta, como
o Fórum Social de Gênova e o Fórum Europeu, que
acontecerá na Itália (Florença) em novembro deste
ano. "Porto Alegre é um símbolo das alternativas
ao neoliberalismo. Somos um fórum da sociedade civil, mas temos
uma grande parceria com a Prefeitura e o governo do Estado",
explicou. Participaram do lançamento representantes do Fórum
Social Temático Argentino e do Fórum Europeu. Os argentinos
Beverly Keene e Isaac Rdnik fizeram um balanço do evento e
indicaram a necessidade da luta antiglobalização neoliberal
e da troca de experiências, já que o colapso da economia
e das entidades de participação está presente
em todas as culturas, assim como a luta por uma mudança. "O
modelo neoliberal provocou o colapso das economias e das instituições
democráticas onde foi aplicado", disse Beverly. Foram
apresentados na tarde os principais eixos do movimento argentino.
A luta contra a Alca, com a realização de um plebiscito
como o brasileiro, é um deles. Também foi tratada a
questão da divida externa, com a organização
de uma atividade semelhante ao Tribunal da Dívida, que ocorreu
durante o último Fórum de Porto Alegre. O problema da
militarização e da criminalização da pobreza
e dos protestos sociais compõem o último ponto. Nadia du Mond, do FSM europeu e militante da Marcha Mundial das Mulheres,
falou da necessidade de juntar todas as diferenças da Europa
num espaço de intercâmbio, como o Fórum europeu,
no qual são esperadas entre 20 e 30 mil pessoas. Nadia lembrou
que os problemas são comuns a diversas nações:
"a União Européia promove políticas que
unificam pelos critérios de Maastricht, que impõem mais
privatizações dos serviços sociais para aliviar
dívida pública, além da precarização
das relações de trabalhos e implementação
de políticas de exclusão". O Fórum Social
Europeu será também uma grande manifestação
contra a guerra dos Estados Unidos, "pois entendemos que a guerra
não é uma resposta ao terrorismo. É um crime
que a gente quer impedir", segundo Nadia. Por isso, dia 9 de
novembro ocorre uma euromanifestação contra a guerra.
"O Fórum Social Mundial de Porto Alegre é o nosso
pai, a nossa mãe, nos deu animação e mostrou
que um outro mundo é possível", observou. De acordo com Verle, o FSM "continuará irradiando a força
daqueles que estão com a razão e nas mãos dos
quais está o futuro do nosso planeta". O prefeito de Porto
Alegre destacou os eventos paralelos ao Fórum Social Mundial
que também acontecem na capital gaúcha. "A realização
de encontros como a Reunião Pública Mundial da Cultura
e os fóruns mundiais da Educação e de Autoridades
Locais pela Inclusão Social demonstra o interesse de Porto
Alegre na radicalização da democracia, na busca pela
paz e por um mundo sem guerras", disse. Em 2001, o Fórum reuniu aproximadamente 20 mil pessoas, um
número que em 2002 já era de 60 mil. Em 2003, a estimativa
é de 100 mil pessoas, das mais diversas entidades e movimentos
da sociedade civil de todos os países do mundo. Com a ampliação
do FSM, locais como o Gigantinho, o Cais do Porto e o auditório
Araújo Vianna serão sedes importantes, além da
PUC. Programação Educação e Transformação são temas
centrais do FME A próxima edição do FME terá como tema
central "Educação e Transformação",
que se desdobra em três conferências, nove debates temáticos,
sete debates especiais e mais de 32 eventos em programação
simultânea. A organização do FME 2003 espera um
público de aproximadamente 20 mil pessoas. "A significação
maior do Fórum é a globalização do conhecimento
e do saber", disse o coordenador do FME, Eliezer Pacheco. Durante o FME, as realidades econômicas, políticas e
sociais serão trazidas por mais de 100 conferencistas e debatedores
convidados. Entre os 101 educadores já confirmados, representando
30 países, estão Ramon Moncada, da Colômbia, Marta
Maffei, vice presidente da Internacional de Educação,
Pablo Gentili, da Clacso, e Moacir Gadotti. Também já
confirmaram presença Boaventura de Sousa Santos, Frei Betto
e Leonardo Boff. As trocas de experiências educativas entre os participantes
acontecerão durante os Relatos e Grupos Temáticos, possibilitando
uma relação direta entre autores e demais participantes.
Já os projetos educacionais desenvolvidos por entidades e organizações
não-governamentais, governo, universidades, entidades sindicais,
movimentos sociais e conselhos serão apresentados nos debates
da Programação Simultânea. As inscrições para o FME já estão abertas
e podem ser feitas pela internet, no sítio www.forummundialde
educacao.com.br. Quem se inscrever em setembro e outubro paga R$ 50,
em novembro e dezembro R$ 60 e em janeiro R$ 80. Estudantes e educadores
populares têm 50% de desconto. Estrangeiros pagam no ato do
credenciamento. Os trabalhos podem ser inscritos até 10 de
novembro, também através do sítio, exclusivamente
na modalidade pôster. Em seu discurso, o prefeito João Verle ressaltou a importância
do evento na luta contra a mercantilização da educação.
Lucia Camini homenageou Paulo Freire, afirmando que o Fórum
é a expressão do pensamento do educador. O representante
das organizações não-governamentais, Francisco
Milanez, da Fundação do Desenvolvimento Ecologicamente
Sustentá- Fonte: Associação dos Docentes da UFRGS http://www.adufrgs.org.br Para saber máis: http://www.forumsocialmundial.br |