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OUTRO MUNDO É POSIBLE • 9/01/2003

GLOBALIZACIÓN • FME e FMS. Fóruns trarão alternativas ao neoliberalismo e crítica aos EUA.

O processo de mundialização do debate em torno da criação
de alternativas ao modelo neoliberal e a negação da política armamentista do governo Bush serão os dois grandes temas do 3º Fórum Social Mundial. Essa é a conclusão do lançamento da terceira edição do Fórum, na tarde do dia 23 de setembro na Casa de Cultura Mário Quintana.
Dia 18, foi lançado, também, o Fórum Mundial da Educação que vinculará educação à transformação.

Maricélia Pinheiro e Clarissa Pont

Representante da Secretaria Nacional do Fórum Social Mundial (FSM), o dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Gustavo Codas definiu o evento como "um movimento dos movimentos do mundo". Segundo ele, além de sediar o FSM (o próximo acontecerá de 23 a 28 de janeiro de 2003), a capital gaúcha ajuda a gerar movimentos em várias partes do planeta, como o Fórum Social de Gênova e o Fórum Europeu, que acontecerá na Itália (Florença) em novembro deste ano. "Porto Alegre é um símbolo das alternativas ao neoliberalismo. Somos um fórum da sociedade civil, mas temos uma grande parceria com a Prefeitura e o governo do Estado", explicou.

Participaram do lançamento representantes do Fórum Social Temático Argentino e do Fórum Europeu. Os argentinos Beverly Keene e Isaac Rdnik fizeram um balanço do evento e indicaram a necessidade da luta antiglobalização neoliberal e da troca de experiências, já que o colapso da economia e das entidades de participação está presente em todas as culturas, assim como a luta por uma mudança. "O modelo neoliberal provocou o colapso das economias e das instituições democráticas onde foi aplicado", disse Beverly. Foram apresentados na tarde os principais eixos do movimento argentino. A luta contra a Alca, com a realização de um plebiscito como o brasileiro, é um deles. Também foi tratada a questão da divida externa, com a organização de uma atividade semelhante ao Tribunal da Dívida, que ocorreu durante o último Fórum de Porto Alegre. O problema da militarização e da criminalização da pobreza e dos protestos sociais compõem o último ponto.

Nadia du Mond, do FSM europeu e militante da Marcha Mundial das Mulheres, falou da necessidade de juntar todas as diferenças da Europa num espaço de intercâmbio, como o Fórum europeu, no qual são esperadas entre 20 e 30 mil pessoas. Nadia lembrou que os problemas são comuns a diversas nações: "a União Européia promove políticas que unificam pelos critérios de Maastricht, que impõem mais privatizações dos serviços sociais para aliviar dívida pública, além da precarização das relações de trabalhos e implementação de políticas de exclusão". O Fórum Social Europeu será também uma grande manifestação contra a guerra dos Estados Unidos, "pois entendemos que a guerra não é uma resposta ao terrorismo. É um crime que a gente quer impedir", segundo Nadia. Por isso, dia 9 de novembro ocorre uma euromanifestação contra a guerra. "O Fórum Social Mundial de Porto Alegre é o nosso pai, a nossa mãe, nos deu animação e mostrou que um outro mundo é possível", observou.

De acordo com Verle, o FSM "continuará irradiando a força daqueles que estão com a razão e nas mãos dos quais está o futuro do nosso planeta". O prefeito de Porto Alegre destacou os eventos paralelos ao Fórum Social Mundial que também acontecem na capital gaúcha. "A realização de encontros como a Reunião Pública Mundial da Cultura e os fóruns mundiais da Educação e de Autoridades Locais pela Inclusão Social demonstra o interesse de Porto Alegre na radicalização da democracia, na busca pela paz e por um mundo sem guerras", disse.
Segundo o governador Olívio Dutra, a mundialização do Fórum tem contribuído para semear reflexões e encaminhamentos que têm de ser consolidados nesta terceira edição. "O que fazemos hoje não nasce espontaneamente. Outras gerações lutaram. Estamos vendo um país se assumir como xerife do mundo. Mas estamos vivendo e participando de uma outra visão", avaliou. Olívio encerrou afirmando que "um outro mundo é possível porque somos milhares a sonhar este sonho. Queremos a globalização da paz e da democracia, um mundo baseado na convivência pacífica, no desenvolvimento auto-sustentável e respeito ao meio ambiente".

Em 2001, o Fórum reuniu aproximadamente 20 mil pessoas, um número que em 2002 já era de 60 mil. Em 2003, a estimativa é de 100 mil pessoas, das mais diversas entidades e movimentos da sociedade civil de todos os países do mundo. Com a ampliação do FSM, locais como o Gigantinho, o Cais do Porto e o auditório Araújo Vianna serão sedes importantes, além da PUC.
As discussões deste próximo Fórum também serão variadas e estão baseadas em cinco eixos temáticos: Desenvolvimento Democrático e Sustentável; Princípios e Valores, Direitos Humanos e Diversidade; Mídia, Cultura e Contra Hegemonia; Poder Político, Sociedade Civil e Democracia; e Ordem Mundial Democrática e Paz. Os eixos são elaborados pelo Conselho Internacional do FSM em função de temas prioritários discutidos em âmbito mundial pelos movimentos e organizações sociais. E segundo Charles Roberto Pranke, representante do Comitê Gaúcho do FSM, outra novidade é a organização de "Mesas de Diálogo e Controvérsia", que permitirão a participação de representantes de governos, órgãos da ONU e partidos políticos, estimulando debates para a construção de propostas e estratégias voltadas à sociedade civil mundial. Também compôs a mesa, Quintino Severo, da CUT-RS.

Programação
"Educação e Transformação:
A Educação Pública na Construção de um Outro Mundo Possível"

19 de janeiro
Domingo
13h - Início do credenciamento
20h - Abertura Oficial - Homenagem a Pierre Bourdieu
20 de janeiro
Segunda-feira
8h - Conferência I - A Cidade e a Educação
14h - Relatos Temáticos (Pôsteres)
Programação Simultânea
1. Acampamento Intercontinental da Juventude
2. Encontro Internacional de Educação Infantil
3. "GATS e Educação: como Garantir os Sistemas Públicos de Ensino diante das Ameaças de Privatização?"
4. II Encontro da Escola Cidadã
5. Encontro Preparatório do Mova Brasil
6. Parcerias e Educação: Projeto Escola do Rádio e Projeto JOVemPAZ
7. Experiências da Rede SEPA na Região das Américas
8. A Educação em Zonas de Conflito
9. I Encontro Internacional de Docentes em Instituições de Ensino Superior
10. A Universidade Hoje diante dos Desafios Mundiais e da América Latina e a Formação dos Educadores
11. Educação Ambiental: o Desafio da Complexidade
12. Encontro Internacional de Cidades Educadoras
13. Educação Biocêntrica
14. Oficina de Voz para Professores
15. Cooperavic
16. Financiando a Educação no Brasil: a Importância do Custo Aluno Qualidade
17. X Congresso Nacional dos Estudantes de Comunicação Social - COBRECOS
18. Financiamento da Educação: Uma Visão Global
19. Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais
20. Encontro de Educação Ambiental - ações, propostas e experiências
21. Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul
22. Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre
23. Movimento de Alfabetização e Integração Social de Gravataí
24. Oficina Filosofia da Libertação e Educação Popular
25. Procuradoria Geral da República
26. Retrato da Escola 2: As relações entre a escola, a vida e a qualidade de ensino e Situação dos Trabalhadores da Educação Básica
27. Terça Ecológica - Educação Ambiental
28. Instituto Municipal de Educación Ayuntamiento de Barcelona
29. Seminário Nacional de Avaliação Institucional
19h - Grupos Temáticos
a. Educação Infantil
b. Ensino Fundamental
c. Ensino Médio
d. Educação de Jovens e Adultos
e. Educação Superior
f. Políticas Públicas e Gestão da Educação
g. Educação e Gênero, Etnia e Raça
h. Educação Especial
i. Educação e Tecnologia
j. Educação Arte e Cultura
k. Educação para a Paz
l. Educação nos Movimentos Sociais e Sindicais
m. Educação Popular
n. Educação e Meio Ambiente
o. Educação e Sexualidade
p. Educação e Trabalho
q. Educação e Comunicação
r. Educação no Campo
s. Educação e Saúde
Dia 21 de janeiro
Terça-feira
8h - Conferência II - A Construção Social do Conhecimento
14h - Debates Temáticos
1. Escola Cidadã, Cidade Educadora
2. Educação Popular, Educação Formal
3. Gestão Democrática
4. A Educação e o Mundo do Trabalho
5. Os Movimentos Sociais, as ONGs e a Educação
19h - Debates Temáticos
6. O Papel da Universidade na Construção do Conhecimento
7. O Papel do Estado enquanto financiador da Educação
8. Educação para uma Nova Sociedade
9. A Educação Pública como Direito Social
Dia 22 de janeiro
Quarta-feira
8h - Conferência III - Projeto Político e Projeto Pedagógico
14h - Programação Especial
a. Alternativas Sociais à Comercialização da Educação
b. Ética e Educação
c. Colóquio Internacional: A Internacionalização das Reformas Educacionais
d. Educação para a Paz
e. Novas Perspectivas na Gestão Educacional
f. Diversidade Cultural: Educação e Identidades
g. Fórum Vivemos Juntos: Conhecer e Viver a Carta da Terra
19h - Carta do Fórum - Encerramento
Obs: A programação ainda pode sofrer alterações

Educação e Transformação são temas centrais do FME
Foi lançado no último dia 18, no Mercado Público, o Fórum Mundial de Educação 2003 (FME), que acontece entre 19 e 22 de janeiro em Porto Alegre.

A próxima edição do FME terá como tema central "Educação e Transformação", que se desdobra em três conferências, nove debates temáticos, sete debates especiais e mais de 32 eventos em programação simultânea. A organização do FME 2003 espera um público de aproximadamente 20 mil pessoas. "A significação maior do Fórum é a globalização do conhecimento e do saber", disse o coordenador do FME, Eliezer Pacheco.

Durante o FME, as realidades econômicas, políticas e sociais serão trazidas por mais de 100 conferencistas e debatedores convidados. Entre os 101 educadores já confirmados, representando 30 países, estão Ramon Moncada, da Colômbia, Marta Maffei, vice presidente da Internacional de Educação, Pablo Gentili, da Clacso, e Moacir Gadotti. Também já confirmaram presença Boaventura de Sousa Santos, Frei Betto e Leonardo Boff.

As trocas de experiências educativas entre os participantes acontecerão durante os Relatos e Grupos Temáticos, possibilitando uma relação direta entre autores e demais participantes. Já os projetos educacionais desenvolvidos por entidades e organizações não-governamentais, governo, universidades, entidades sindicais, movimentos sociais e conselhos serão apresentados nos debates da Programação Simultânea.

As inscrições para o FME já estão abertas e podem ser feitas pela internet, no sítio www.forummundialde educacao.com.br. Quem se inscrever em setembro e outubro paga R$ 50, em novembro e dezembro R$ 60 e em janeiro R$ 80. Estudantes e educadores populares têm 50% de desconto. Estrangeiros pagam no ato do credenciamento. Os trabalhos podem ser inscritos até 10 de novembro, também através do sítio, exclusivamente na modalidade pôster.
Estiveram presentes na solenidade, além do coordenador do FME e secretário municipal de Educação, Eliezer Pacheco, o prefeito de Porto Alegre, João Verle, a secretária de Estado da Educação, Lúcia Camini, a presidente do Cpergs-Sindicato, Jussara Dutra Vieira, o presidente da Andes-SN, Luiz Carlos Lucas, representantes do MST e da União Nacional dos Estudantes, entre outros.

Em seu discurso, o prefeito João Verle ressaltou a importância do evento na luta contra a mercantilização da educação. Lucia Camini homenageou Paulo Freire, afirmando que o Fórum é a expressão do pensamento do educador. O representante das organizações não-governamentais, Francisco Milanez, da Fundação do Desenvolvimento Ecologicamente Sustentá-
vel (Ecofund), lembrou que somente a educação e o trabalho solidário podem conduzir e auxiliar no aprofundamento das questões sociais.

Fonte:

Associação dos Docentes da UFRGS http://www.adufrgs.org.br

Para saber máis:

http://www.forumsocialmundial.br
http://www.ptpoa.com.br
http://www.portoalegre2003.org
http://www.alcaabajo.cu