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OUTRO MUNDO É POSIBLE • 23/3/2003 IRAK • Algumhas liçons de guerra.
O encontro de milhares de pessoas em protesto contra o que ocorre
pode ser interpretado como um rico sinal de desencontro com a ordem,
com os governos locais, com todo quanto representa o capital. A guerra no Iraque tem propiciado experiências que precisam
ser refletidas coletivamente. Nom pretendo aqui falar sobre os interesses
que provocam essa nova velha prática de genocídio. Nom
há muita novidade nesta matéria: a história do
capital, desde a expansom marítima européia do séc.
XV, fai-se pola força de canhons, numha empreitada que envolveu
(envolve) a associaçom de aparatos estatais e capitalistas.
O resultado: a escravizaçom direta de índios americanos
e negros africanos, o assalariamento inicialmente forçado das
massas expulsas do campo, e a pilhage das fontes de vida e das riquezas
socialmente produzidas. Contodo, se nas acçons expansionistas e de rapina anteriores
essas práticas revestiam-se de um sentido "nacional",
que envolviam interesses aparentemente comuns entre governantes, capitalistas
e proletários, agora, cada vez mais fortemente fica evidenciada
a cisom entre as partes envolvidas. Enquanto governantes de muitas
nacionalidades, agindo em favor dos capitalistas, mas falando em nome
de todos assumem posiçom a favor da invasom ao Iraque, as povoaçons
saem às ruas em protesto. Revela-se umha forte dissonáncia,
mesmo nos EUA -a despeito do quase absoluto monopólio da informaçom
por parte de gangsteres do capital-, entre os burocratas a serviço
dos capitalistas e a povoaçom proletarizada-oprimida. Devemos
cultivar, aprofundar e transformar em rebeldia essa cisom que sempre
existiu, embora ofuscada pola realidade invertida das relaçons
capitalistas. Mesmo nos territórios onde governantes de plantom procuram,
por interesses igualmente dissimulados, diferenciar-se em relaçom
ao projeto da fraçom mais reacionária do capital, observa-se
umha profunda distáncia entre os governos e as comunidades.
Chirac na França, por exemplo, apresenta-se como bom mocinho,
amigo da diplomacia da ONU -este organismo controlado por um punhado
de representantes do capital-, enquanto, na prática, procura
assegurar umha maior fatia para grupos de capitalistas na concorrência
de mercado. Portanto, inclusive no terreno ético e moral, tam fortemente
alardeado quando se tenta fugir da substáncia que envolve a
crise do capital, tanto a direita populista quanto a esquerda reformista
se encontram na prática do embuste, da enganaçom. É
possível ir contra, protestar, desde que-Nom se rompa completamente
com os vínculos que asseguram a reproduçom de capitais-
os mesmos vínculos que asseguram, igualmente, a reproduçom
da ordem atual, com os poderes bélicos de gangsteres oficiais
e marginais despejando mísseis nas nossas cabeças. A tendência da esquerda do capital será a de tentar
"capitalizar" e capturar, mais umha vez, os muitos movimentos
de protestos para as asas das políticas de Estado, sempre a
serviço dos capitalistas e da reproduçom do lucro, do
dinheiro. Já articulam até umha partilha do que sobrar
do território iraquiano entre as aves de rapina das diversas
nacionalidades. Quanto mais os protestos antiglobalizaçom assumiam
as ruas, desde Seattle, em 1999, mais a esquerda do capital procurava
esboçar umha ponte que aproximasse a radicalizaçom das
ruas com o encontro de Davos. O Fórum de Porto Alegre cumpriu
esse papel, inclusive. Agora, vam tentar ressuscitar a desmoralizada
ONU para dourar a invasom com planos "humanitários". Estamos diante de um momento que deixa transparecer perante amplas
parcelas das comunidades, de forma concentrada, o real significado
da vida mediada polo dinheiro. A guerra de Bush, Blair e Cia, ou em
outros termos, a guerra do capital em desespero diante do aprofundamento
de as suas contradiçons, revela o seu rosto mais cruel e desumano.
Ao arrepio de qualquer justificativa minimamente razoável,
em nome da "liberdade" e da "democracia", tal
como as caravelas ungidas pola cruz da Igreja, comete-se um genocídio
contra a populaçom. Um aparente espetáculo visto pola
TV, como se fora umha cena cinematográfica, cumprindo um papel
ao mesmo tempo intimidatório e mercadológico. A prática
de pilhage já nem precisa mais do aval religioso. Até
o roteiro e as personages, envolvendo mocinhos e bandidos, som apresentados
ao som de umha música sem melodia nem letra. Nom carece conteúdo
umha obra de força espiritual tam tacanha. Quando as bombas
tiverem completado o papel tardiamente civilizatório, que venha
o verbo, por meio da cantilena vazia dos políticos profissionais
e da diplomacia, hábeis na prática da manipulaçom. O que destoa deste roteiro é a iniciativa das pessoas "comuns"
em Nom aceitarem as images e a propaganda selecionadas polos meios
como cousa dada e imutável. Ainda que haja um coro orquestrado
por grupos ideologicamente dominados polas variantes burguesas do
deus dinheiro, o encontro de milhares de pessoas em protesto contra
o que ocorre pode ser interpretado como um rico sinal de desencontro
com a ordem, com os governos locais, com todo quanto representa o
capital. Mesmo quando isso ainda esteja reduzido aos enfoques estabelecidos
polos muitos meios do capital, que procuram apresentar a guerra atual
como vontade de um único presidente ou de algum governo, isoladamente
-mesmo diante dessa interpretaçom um tanto siplista-, a prática
das ruas em protesto vai contribuindo para mostrar o quanto todo o
sistema precisa ser criticado e abolido, caso queiramos nos libertar
da escravitude assalariada-oprimida-explorada. Os capitalistas em desespero, mergulhados em profunda crise, tendem cada vez mais a deixar de lado as sutilezas éticas e assumir maior agressividade, cujo rosto mais evidente é o da máfia que ora coordena, à distáncia, a pilhage e a destruiçom do território da antiga Mesopotámia. Precisamos enfrentar isso com a força de que dispomos: nós, que (re) produzimos as riquezas sociais e mantemos as cousas funcionando tal como estam. De nada valerom os mísseis quando nos dermos conta disso. Fonte: Euler. Indymedia. Brasil, http://www.indymedia.org Para saber máis: WEB No a la Guerra, http://www.noalaguerra.org/ Nodo50, http://www.nodo50.org Espacio Alternativo, http://www.espacioalternativo.org Rebelión, http://rebelion.org Waiting for the WEBcam en Iraq, http://waitingforthewebcaminiraq.org
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