![]() |
|
| Nós | Actividades | Outrasvozes | Titulares | Ligazóns |
|
OUTRO MUNDO É POSIBLE • 9/9/2003 GLOBALIZACIÓN • Entrevista a Noam Chomsky no foro de Amsterdam.
Entrevista a Noam Chomsky no foro de Amsterdam Olá, bem-vidos ao Foro de Amsterdam, o programa de debate interactivo de Rádio Netherlands. Hoje em ediçom especial apresentamo-lhes ao escritor e activista político Noam Chomsky. O professor Chomsky di que depois da guerra no Iraque, EE.UU. trata de dominar ao mundo pola força, dimensom na que exerce o mando supremo, e adverte de que esta política conduzirá à proliferaçom das armas de destruiçom em massa e dos ataques terroristas baseados na genreira à administraçom estadunidense. Tamém opina que pode estar em perigo a própria supervivência da espécie. Bom, o professor Chomsky reúne-se hoje com nós para atender às perguntas dos nossos ouvintes de todo o mundo. Bem-vido, profesor Chomsky. Andy Clark: O primeiro email é de Norberto Silva, das ilhas de Cabo Verde, e di: "Poderiam EE.UU. e o presidente Bush levar ao mundo a umha guerra nuclear com a sua política de ataques antecipados?" Noam Chomsky: Indudavelmente. Antes de nada há que falar claro: nom se trata dumha política de ataques antecipados. A antecipaçom em este sentido tem um significado em direito internacional. Um ataque antecipado é aquél que se leva a cabo em caso de ameaça iminente e em curso. Por exemplo, se houvesse avions sobrevoando o Atlántico para bombardear Nova Iorque, seria legítimo que as Forças Aéreas de EE.UU. os derribassem. Isto seria um ataque antecipado, que às vezes se chama guerra preventiva. O que se anunciou o passado mês de setembro dentro da Estratégia Nacional de Segurança, trata-se dumha nova doutrina que declara o direito a atacar ante qualquer desafio potencial ao domínio global de Estados Unidos. O potencial desta política é claramente subjectivo, assi que, de feito, dá autorizaçom para atacar praticamente a qualquer. Poderia isso levar a umha guerra nuclear? Nom há dúvida. estivemos muito perto no passado. Precisamente o passado mês de outubro, por exemplo, descobriu-se, ante a conmoçom e o horror de quem emprestavam atençom, que durante a crise dos mísseis cubanos em 1962 o mundo estivo literalmente a umha palavra dumha guerra nuclear que provavelmente seria a última. Uns submarinos russos com armas nucleares virom-se atacados por destrutores estadunidenses. Vários mandos pensarom que estava a ter lugar umha guerra nuclear e derom a orde de disparar mísseis nucleares. Um oficial rejeitou a orde, e graças a isso estámos acô falando. Houvo muitos casos similares desde entom. ¿Estamos numha situaçom mais perigosa agora, com esta doutrina preventiva? Desde logo. A doutrina da guerra preventiva é praticamente umha convidaçom a que os possíveis objectivos desenvolvam algum tipo de força dissuasória, e só há dous tipos de forças de dissuasom. Umha som as armas de destruiçom em massa e a outra o terror a grande escala. Isto sinalarom-no umha e outra vez os analistas de estratégia, os serviços de informaçom etc., e claro, aumenta o perigo de que algo poda escapar ao controlo. A. C.:Este email é de Fom Rhodes, de Melbourne, em Austrália, e di: "Nom creio que EE.UU. queira dominar o mundo. Os estadunidenses forom atacados desde vários frontes, o 11 de setembro é só um deles. Alguém tem que parar-lhe os pés aos estados canalhas e só EE.UU. tem a capacidade para isso. Sem tal "polícia mundial" o mundo simplesmente se desintegraria em facçons beligerantes. há vários exemplos na História." O que pensa de este tipo de afirmaçom? A primeira frase é, singelamente, de feito incorrecta. A Estratégia de Segurança Nacional declara abondo explícitamente que EE.UU. pretende dominar o mundo pola força, que é a dimensom na que exerce o mando supremo, e segurar-se de que nunca poda haver nengum desafio a esse domínio. Isto nom só se declarou explícitamente, senom que tamém se comentou repetidamente, ao pouco tempo, entre a classe dirigente: a publicaçom Foreigm Affairs (Assuntos Exteriores), no seu número seguinte, advertia que Estados Unidos declarava o seu direito a ser o que chama um "estado revisionista", que utilizará a força para controlar o mundo segundo convenha aos seus interesses. Pode que a pessoa que enviou o email creia que EE.UU. tem algum direito exclusivo para dirigir o mundo pola força. Eu nom o creio e, ao contrário do que se dixo, eu nom creio que a história o confirme, nem muito menos. De feito, o historial de EE.UU., por certo com o apoio de Austrália, desde o período do seu domínio mundial nos anos 40, é o de instigar a guerra, a violência e o terror a umha escala muito considerável. A Guerra de Indochina, só por tomar um exemplo no que Austrália participou, foi basicamente umha guerra de agressom. Estados Unidos atacou a Vietname do Sul em 1962. A guerra propagou-se entom ao resto de Indochina. O resultado final foi a morte de vários milhons de pessoas e a devastaçom de aqueles países, e este nom é mais que um exemplo. Portanto a história nom dá pé à conclusom e ao princípio de que um só Estado deveria ter o direito único a controlar o mundo pola força. É um princípio extremadamente perigoso, seja qual for o país que o sustente. A. C.:Este é de Noel Colhamer, de Belhingham, em Washingtom, EE.UU., e escreve: "Noam di: "A administraçom Bush pretende dominar ao mundo pola força, umha dimensom na que exerce a poder suprema, e de faze-lo de jeito permanente". A minha pergunta é, se nós, que podemos, nom actuamos mediante a força contra os tiranos, entom, o que sugere el que se faga? Que a povoaçom brutalizada utilize a resistência nom violenta contra os seus tiranos ainda que isto provoque o seu próprio genocídio?" Antes de nada: nom som eu quem o di, se nom a própria administraçom Bush. Eu só estou a repetir o que se declara abondo explícitamente, e ninguém o discute. Como já mencionei, escreveu-se sobre isso, essencialmente coas mesmas palavras, no número de Foreigm Affairs que se publicou imediatamente depois. Em quanto aos países que sofrem baixo tiranias, pois si, seria muito positivo que alguém lhes ajudasse e apoiasse. Ponhamos o exemplo da actual administraçom que há em Washingtom. Eles mesmos (nom esqueçamos que na sua maioria som reaganistas reciclados) apoiarom a umha série de ditadores monstruosos, que submetiam às suas povoaçons a perversas tiranias, como Saddam Husseim, Ceausescu, Suharto, Marcos, Duvalier. A lista é bem longa. A melhor forma de resolver o problema seria deixar de apoia-los. Por certo, ainda se apoia o terror e a violência. A melhor forma de conseguir que cesse é deixar de apoia-los. A miúdo, de feito em todos e cada um desses casos, os tiranos forom derrocados polos seus próprios povos, ainda que EE.UU. apoiava ao ditador. Ceausescu, por exemplo, era um tirano perfeitamente comparável a Saddam Husseim. Foi derrocado em 1989 polo seu próprio povo, mentres estava a ser apoiado polos que agora mandam em Washingtom, e assi mandamos. Se há gente que opom resistência à opressom e a violência, deveríamos atopar a forma de apoia-los, e o caminho mais singelo é deixar de apoiar aos tiranos. Dito isto, xurdem questons complicadas. Nom há constancia, que eu saiba, de que EE.UU., nem nengum outro país (os exemplos som muito escassos) intervenha para tentar prevenir a opressom e a violência. Isto ocorre em muitas contadas ocasions. A. C.:Bem, temos outro email. Este é de H.P. Veltem, que é de Nova Jersei, EE.UU., e di: "Por o que nom há mais polémica sobre os motivos de Bush nos meios estadunidenses?" Bom, em realidade si que há muita polémica. Umha cousa abondo curiosa acerca de a guerra de Iraque e a Estratégia de Segurança Nacional, o marco que a inspira, é que foi criticada com força precisamente no núcleo da elite de política exterior: aparecerom críticas severas nas duas publicaçons mais importantes da área de assuntos exteriores: Foreigm Affairs (Assuntos Exteriores) e Foreigm Policy (Política Exterior). A Academia Americana das Artes e as Ciências, que raramente se pronuncia em assuntos polémicos da actualidade, publicou umha monografia condenando-a. Há ademais toda umha série de artigos. O debate está parcialmente reflectido nos meios, mas nom demasiado, porque há que lembrar que os meios tendem a apoiar ao poder, por todo tipo de motivos. A. C.:Bem, outro email desde Rijswijk, nos Países Baixos, de M.J. Bob Groothand. Este mensage di: "ao longo da história algumhas naçons sempre tentarom dominar o mundo. As mais recentes que se nos ocorrem som Alemanha, Japom e Rusia. Se agora EE.UU. é o último "aspirante a conquistador", podemos agradecer-lho à nossa boa estrela. A lavoura faria-se com dizéncia e honra para toda a humanidade. O que ocorre é que nem Bush nem o governo estadunidense pretendem tal cousa. Vosté esquece que EE.UU. tem umha constituiçom e que, a diferença de Stalim, Hitler, Husseim e outros déspotas, Bush tem que apresentar-se à reeleizom em dous anos e os votantes estadunidenses nom som parvos nem estám esmagados nem intimidados. A votaçom é segreda." Crê vosté que a responsabilidade eleitoral refreará ao governo estadunidense, tal como sugere este ouvinte? O primeiro de todo é que essa forma de contar a história é abondo fantasiosa, mas deixando isso de lado, o feito de que um país tenha umha constituiçom e seja democrático dentro das suas raias nom significa que nom exerça a violência e a agressom afora. Há um longo historial ao respeito. Inglaterra, por exemplo, no século XIX foi se quadra o país mais livre do mundo, mas estava a levar a cabo atrocidades horríveis em muitas partes do planeta, e o caso de Estados Unidos é similar. Os antecedentes remontam-se muito atrás. Estados Unidos era um país democrático, por exemplo, quando invadiu Filipinas fai um século, matou a vários centos de milhares de pessoas e devastou o país. Era um país democrático nos anos oitenta, quando os mandatários de Washington daquel entom levarom a cabo umha devastadora guerra de terror em Nicarágua, que deixou dúzias de milhares de mortos e ao país praticamente em ruínas, ataque polo que por certo forom condenados polo Tribunal Mundial e o Conselho de Segurança numha resoluçom vetada. Sem embargo eles intensificarom o ataque, e assi seguem as cousas. No que respeita às eleiçons democráticas, si, é certo, há umhas eleiçons, e os republicanos explicarom muito claramente como pretendem superar o feito de que a maioria da povoaçom mostra umha oposiçom muito forte à sua política. Tratam de supera-lo arrastando ao país ao medo e ao pánico, de tal jeito que a gente tenha que acurrucarse baixo o guarda-chuvia dumha poderosa figura que lhes proteja. De feito, vimo-lo o setembro passado, quando se anunciou a Estratégia de Segurança e começarom a redobrar os tambores da propaganda de guerra. Houvo umha propaganda meiática do governo muito espectacular, que conseguiu convencer à maioria da povoaçom de que Saddam Husseim era umha ameaça iminente para a segurança de Estados Unidos. Ninguém mais o cria. Nem sequer Kuwait e Iram, lugares onde se lhe despreza, o viam como umha ameaça. Sabiam que era o país mais débil da regiom. Tamém conseguiu convencer provavelmente à maioria da povoaçom de que Saddam Husseim estava detrás do 11 de setembro, de que o instigou e o levou a cabo, e que estava planeando mais ataques. Tampouco de isto há a mais mínima prova, e nom há serviço de informaçom nem analista de segurança no mundo que o cria. ¿Onde está entom a oposiçom política em EE.UU., os democratas? Por o que nom tratam de meter umha cunha no campo republicano? Obviamente, há um sólido movimento pola paz : vimos centos de milhares de pessoas nas ruas de EE.UU. que se opunham à acçom militar. Onde está agora a oposiçom política em EE.UU.? A oposiçom política dos democratas é muito tíbia. Tradicionalmente debateu-se muito pouco sobre assuntos de política exterior, e isso reconhecem-no até os da corrente principal. As figuras políticas som reacias a expor-se a que se lhes acuse de buscar a destruiçom de EE.UU., apoiar aos seus inimigos e airear fantasias, e a submeter-se a fantasias como as que de feito continha aquel email. Os políticos nom querem expor-se a isso, e o resultado é que a voz dumha grande parte da povoaçom simplesmente apenas tem representaçom, e os republicanos o reconhecem. Karl Rove, encarregado da campanha republicana, deixou claro antes das últimas eleiçons de 2002 que os republicanos tinham que tentar focar as eleiçons no tema da segurança, porque se as afrontavam com temas de política interior perderiam. Assi pois, amedonharom à povoaçom para conseguir a sua obediência, e já se anunciou que vam ter que fazer o mesmo nas eleiçons de 2004. Vam ter que apresentar a campanha como "vote por um presidente de guerra que lhe defenda da destruiçom". Por certo, que tam só estám a ensaiar um guiom que vem dos anos oitenta, quando estiverom no poder por primeira vez (a mesma gente, mais ou menos). Se se fixa, as políticas que aplicarom forom impopulares. A povoaçom opunha-se, mas nom deixarom de apertar o botom do pánico, e funcionou. Em 1981 Líbia ia a atacarnos. Em 1983 Granada ia estabelecer umha base aéreia desde a que os russos nos bombardeariam. Em 1985 Reagam declarou o estado de excepçom porque a segurança de Estados Unidos estava ameaçada polo governo de Nicarágua. Qulquer que o estivesse a ver desde Marte se partiria de riso. E assi seguirom as cousas nos oitenta. Conseguirom manter à povoaçom o suficientemente intimidada e aterrecida como para poder manter polos pelos o poder político, e nisso estam-se esforçando desde entom. Eles nom inventarom esta táctica, dito seja de passo, mas desgraçadamente é eficaz, e as figuras políticas e outros som reacios a erguer-se e plantar cara à chúvia de insultos e reacçons histéricas que se lhes virá encima se tentam voltar a pôr as cousas em consonancia com os feitos. A. C.:Bem, outro email. Este é de Boris Karamam, de Wyoming em EE.UU., e di: "A paz só pode vir da força e a miúdo, depois dumha guerra justa. A Pax Romana existia graças à força do Império Romano, e nom a nengumha ideologia pacifista. Na história de EE.UU. há mais cousas que criticar quando nom actuamos com prontitude. Por exemplo, Hitler, Stalim e Pol Pot se alçarom no poder porque faltou agressom contra eles. A sua crítica a um foque da política exterior baseado no poder é ou ingénua ou de má fé. Aquiles que actuam contra as ameaças fam possível um mundo onde os esquerdistas arrogantes podem desfrutar da liberdade de expressom para expor os seus erros de razoamento. Que assi seja por muito tempo. Que tenhades paz, mas graças à força." ,O que di a esse email? Bom, podemos começar analisando os feitos. Tomemos por exemplo a Hitler. Hitler alçou-se no poder com o apoio de Estados Unidos e Gran Bretanha. no ano 1937, o Departamento de Estado descrevia a Hitler como um moderado que se situava entre os extremismos de direita e esquerda, ao que devíamos apoiar, ou as massas populares poderiam fazer-se com o poder e derivar cara a esquerda. De feito, Estados Unidos nom entrou em guerra até que foi atacado por Japom e Alemanha lhe declarou a guerra. No caso de Stalin, Estados Unidos nem o levou ao poder nem tampouco se opujo particularmente a el. No ano 1948, Harry Trumam, o presidente, ia dizendo que pensava que Stalin era um home dizinte, sincero, [mas] enganado polos seus conselheiros, etcétera etcétera. No caso de Pol Pot. o Khmer Rouge desenvolveu-se a princípios dos setenta (eram praticamente desconhecidos em 1970) e desenvolverom-se no contexto dumha campanha de bombardeios masivos de EE.UU. Em Camboja. umhas 600.000 pessoas morrerom, segundo a CIA, mas isso contribuiu a activar umha resistência feroz e cruel, que tomou o poder em 1975. Umha vez que tomou o poder, Estados Unidos nom fijo nada para dete-lo, mas quando Vietname eliminou a Pol Pot, em 1978-1979, invadindo o país e expulsando-o, Vietname foi implacavelmente atacado por Estados Unidos polo crime de se desfazer de Pol Pot. EE.UU. apoiou umha invasom china para castigar a Vietname, e impujo-lhe duras sançons, e de feito dedicou-se a apoiar ao que ficava do exército de Pol Pot em Tailandia. Assi que se quer vosté falar da história, ponha-a ao direito e entom podemos começar a falar. Crê que ha um ponto no que poda justificar-se a força? ouvimos muitos argumentos sobre a guerra no Iraque, como que era o mal menor. A história recente de Iraque era bem conhecida, mas agora era o momento no que havia que fazer algo para se desfazer de Saddam Husseim. Muitos dos próprios iraquíes, dentro do país, semelhavam apoiar esse argumento. O primeiro é que nom sabemos que os iraquíes estivessem a pedir ser invadidos, mas se esse fosse o objectivo, por o que todas aquilas mentiras? O que di vosté é que Tony Blair, George Bush, Colim Powelh e o resto som mentireiros fanáticos que estiverom a fingir até o último minuto que o objectivo era desfazer-se de armas de destruiçom em massa. Se o objectivo era ceivar ao povo iraquí, Por o que nom dizé-lo assi? Por o que as mentiras? O presidente Bush o dixo nas últimas semanas [antes da guerra]. Começou a falar dumha guerra de libertaçom. No último minuto, na Cimeira das Açores, dixo que, mesmo se Saddam Husseim e os seus sócios abandonavam o país, Estados Unidos ia a invadi-lo de todos os jeitos, o qual quer dizer que EE.UU. queria controlá-lo. Agora, de feito, há umha questom grave detrás de isto. Nom tem nada que ver com ceivar ao povo iraquí. Um poderia perguntar por o que os iraquíes nom derrocarom a Saddam como, por exemplo, os rumanos derrocarom a Ceausescu... e poderíamos engadir umha longa lista de casos. Bom, está bem claro. Os ocidentais que melhor conhecem Iraque (Dennis Halhiday e Hans vom Sponeck, os chefes do programa da ONU Petróleo por Alimentos) tenhem centos de investigadores trabalhando por todo o país. Conheciam o país a fondo, e sinalarom, como o figérom muitos outros, que o que evitou qualquer levantamento em Iraque era o regime homicida de sançons, que matou, segundo cálculos moderados, a centos de milhares de pessoas, fortaleceu a Saddam Husseim e fijo que a povoaçom dependesse absolutamente del para sobreviver. Assi que o primeiro passo para permitir que os iraquíes se libertassem seria deixar de impedi-lo e permitir que a sociedade se reconstruísse para poder ocuparse dos seus próprios assuntos. Se isso fracassasse, se os iraquíes fossem incapazes de fazer o que outros povos figérom baixo o domínio de outros tiranos comparáveis, nesse ponto poderia expor-se a questom do uso da força, mas sem que se lhes dera alomenos umha oportunidade, sem que a acçom de EE.UU. e Gran Bretanha impedisse que a aproveitassem, nom podemos expor essa pergunta em sério, e de feito nom a expujo nem Gran Bretanha nem Estados Unidos durante a preparaçom da guerra. O centro da questom eram as armas de destruiçom em massa. Repasse vosté os antecedentes. A. C.:Este email é de Bob Kirk, de Israel. Di: "Por o que o professor Chomsky se opom tanto à propagaçom da democracia e a libertaçom da maioria dos povos do mundo (por meio de EE.UU. se é necessário, já que a Uniom Europeia renunciou a opor-se aos ditadores), e que outros meios que nom sejam a persuasom e ás vezes a força justificável proporia el para libertar ás sociedades do mundo que nom som livres?" Eu estaria completamente a favor de levar a democracia ao mundo, e me oponho a impedir a democracia. Umha das razons (é muito chamativo, se um se fixa nos últimos meses) é que nunca vim, que eu lembre, umha genreira e um desprezo pola democracia mais claro e descarado que o que expressarom as elites de EE.UU. Fixe-se se nom. Europa, por exemplo, dividiu-se entre o que se chamou a velha e a nova Europa. O critério era: a velha Europa eram os países cujos governos, pola razom que seja, tomarom a mesma postura que a enorme maioria da sua povoaçom. A isso chama-se democracia. A nova Europa (Itália, Espanha, Hungria) eram os países cujos governos ignorarom a umha porcentage ainda maior da sua povoaçom. O povo opunha-se mais nesses países que nos da velha Europa, mas os governos nom figerom caso ás suas povoaçons (se quadra o 80 ou o 90 por cento deles) e seguirom as ordes de Washington, e a isso chamam-lhe actuar bem! Turquia é o exemplo mais chamativo. Turquia foi o branco de ataques implacáveis dos comentaristas e elites estadunidenses, porque o governo tomou a mesma postura que o 95 por cento da sua povoaçom. Paul Wolfowitz, a quem descrevem como o grande expoente da democratizaçom, condenou fai umhas semanas ao exército turco por nom intervir para obrigar ao governo a "ajudar aos americanos", como el dixo, em vez de emprestar atençom ao 95 por cento da sua própria povoaçom. Isto demostra um menosprezo desvergonhado cara a democracia e os antecedentes o ratificam. Nom é que Estados Unidos seja singularmente mau, o é tanto como qualquer outro estado poderoso, mas fixe-se no historial das áreas que EE.UU. leva muito tempo controlando: América central e o Caribe, onde estám desde fai uns cem anos. EE.UU. estivo disposto a tolerar a democracia mas, como eles mesmos o expressarom, só se se trata (parafraseando a um defensor da democracia da administraçom Reagam) dumha "democracia vertical", na que as elites tradicionais administram o poder, elites que se associarom com Estados Unidos e dirigem ás suas sociedades tal como EE.UU. deseja. Em esse caso, EE.UU. tolerará a democracia. Som muito similares a outros estados poderosos, mas nom há que fazer-se ilusons. O remitinte escreve desde Oriente Meio se lembro bem... A. C.:Desde Israel. ...e alô Estados Unidos estivo a apoiar ditaduras brutais e opressivas durante muito tempo, e soubo durante muito tempo que éssa é a principal causa da oposiçom popular. Voltando aos anos cinquenta, sabemos por arquivos internos que o presidente Eisenhower examinava com o seu persoal o que el chamava a "campanha de genreira contra nós" entre a gente de Oriente Meio, e a causa era que EE.UU. apoiava regimes opressivos e antidemocráticos e bloqueava a democracia e o desenvolvimento polo nosso interesse em controlar o petróleo da regiom. E enfim, assi continuou até hoje dia. Ouve-se dizer o mesmo aos ricos musulmans ocidentalizados aos que entrevista o Walh Street Journal neste preciso intre. Há um longo historial de oposiçom à democracia, a menos que esteja controlada, e por razons arraigadas na archi-conhecida política do poder a grande escala. A. C.:Tomemos outro email. Este é de Vera Gottlieb, de British Columbia, em Canadá, e di: "Sob pretexto de "luitar contra o terrorismo", a Declaraçom de Direitos de EE.UU. está-se a restringir muito, por nom dizer diezmando. Nom podo entender por o que o estadunidense meio nom se subleva ante isso. Sabe o estadunidense meio, ou importa- lhe, o que está a passar realmente?" Muito poucos sabem bem o que está a passar. A Lei Patriótica, e a nova Lei Patriótica 2 que estám planeando, é certo, socava (em princípio alomenos, em palavras, e parcialmente em acçons) as liberdades civis básicas numha notável medida. Assi, o actual departamento de justiça reclamou o direito a deter a qualquer, ainda que sejam cidadáns estadunidenses, recluí-los indefinidamente, sem cargos, sem acesso a advogados nem ás suas famílias, até que o presidente declare que a guerra contra o terrorismo acabou. Forom mesmo mais alá. Os novos planos incluem até projectos para retirar a cidadania se o ministro de justiça o decide assi. Isto foi duramente condenado por advogados de direitos civis, professores de direito e outros, mas muito pouco de todo isso transcende aos meios. Em realidade nom ha um bom conhecimento de isso. Estas iniciativas som abondo drásticas. Subpom-se que o Presidente Bush tem no seu escritório o busto de Winstom Churchilh que lhe regalou o seu amigo Tony Blair, e de feito Churchilh tivo algo que dizer de todo isto. Dixo, e é praticamente umha cita, que para um governo, o feito de que alguém ingresse na cadeia sem ser previamente processado por um jurado popular é odioso em grau somo, e é a base de todo governo totalitário, bem seja nazi ou comunista. Dixo-o em 1943, ao condenar propostas dumha natureza similar em Inglaterra, que nom forom promulgadas. Lembre, em 1943 Inglaterra estava num grande perigo (estava a ser atacada e se enfrentava à destruiçom pola força militar mais perigosa da história), e contodo Churchilh descreveu correctamente tais medidas como "odioso em grau somo", e "a base de todo governo totalitário". Si, a gente deveria estar muito furiosa. Por o que nom é entom um tema de debate comum em EE.UU.? E por o que nom estám aí as bases da oposiçom contra a Lei Patriótica e estas cousas que acaba vosté de descrever? O primeiro é que para ter conhecimento destas cousas é necessário um pouquinho de trabalho de investigaçom. Nom digo que esteja agachado: pode-se dar com estes feitos só com observar, mas desde entom nom todo o mundo o sabe. Há tanta oposiçom como conhecimento dos feitos haja, mas há que lembrar o grande êxito da campanha propagandística do governo, desde o passado mês de setembro, ao convencer à povoaçom de que sobre Estados Unidos se cerne a ameaça iminente da destruiçom a maos do monstro Saddam Husseim, e a semana que vem será outra a pessoa da que teremos que proteger-nos. A propósito, a atitude da maioria, que ficarom convencidos por essas mentiras propagandísticas, guarda umha estreita relaçom com o apoio à guerra, e pode entender-se o porque: se realmente Crês isso, entom estás disposto a ver como se socavam as liberdades civis. Por suposto, foi umha invençom, foi um dos exemplos mais espectaculares de invençom propagandística que conhecemos, como muitos sinalarom, mas funcionou. Quando a gente está aterrecida estaram, ás vezes, dispostos a nom defender os direitos que ganharom. A. C.:De acordo, outro email. Este é de Venezuela, de Alberto Vilhasmil Ravem, e di: "Gostaria-me saber se o professor Chomsky Crê que é possível que EE.UU. invada Venezuela". Bom, nom creio que invadam directamente, mas entre as regions que se escolherom para fazer a chamada guerra preventiva, umha delas é case seguro a regiom dos Andes. É umha regiom com recursos substanciosos e está, em certa medida, fora de controlo. EE.UU. tem já múltiples recursos militares (um grande sistema de bases militares em Equador, as ilhas holandesas, O Salvador) rodeando a regiom, e abondo forças sobre o terreno. A minha suspeita é que EE.UU. provavelmente apoie de novo, em Venezuela, um golpe de estado como o fijo o ano passado. Mas se nom funciona, a intervençom directa nom é impossível. Lembre, isto há-se planeado durante muito tempo. umha das cousas boas que tem Estados Unidos é que se trata dumha sociedade muito livre, como poucas. Temos um longo historial de planificaçom interna. Justo em metade da crise dos mísseis cubanos, da que temos muitos dados, o presidente Kennedy e o seu irmám discutiam acerca de a ameaça destes mísseis, e dixerom que um dos grandes problemas que representavam era: "Podem impedir umha invasom de Venezuela, se decidimos invadir". Isso foi em 1962. Estas políticas som muito velhas, profundamente arraigadas. A. C.:De acordo, este é de Berrada M. Ali, de Rabat, Marrecos, e a sua pergunta é a seguinte: "Crê vosté que trás a injustificada e injustificável guerra contra o Iraque, o mundo perderá o sentido da sua existência, como no campo da linguage, quando nos saltamos as normas gramaticais? Perderemos automáticamente a referência do significado das frases, e em consequência o sentido do mundo que nos rodeia?" Na minha opiniom, o comentário mais acertado acerca de isto o formularom aquiles que apoiam convencidos a guerra no Iraque. Por exemplo, se botas umha olhada ao número actual de Foreigm Affairs, o diário mais importante do poder, um dos artigos principais é o dum conhecido especialista em direito internacional, Michael Glennom, que argumenta que deveríamos reconhecer que o direito internacional e as instituiçons internacionais som o que el chama "léria". Provarom a sua inaplicabilidade polo feito de que Estados Unidos os ignore, e di que é correcto ignorá-los, e que Estados Unidos deveria manter o direito a usar a força se assi o decide, independentemente destas instituiçons, que simplesmente temos que desestimar e ignorar. Bom, polo menos é umha declaraçom sincera. Eu opino que esta é umha ameaça terrível para o mundo, e é em parte a razom pola que o governo de EE.UU. produz um medo enorme em todo o mundo.As sondages internacionaisaorespeitosom espantosas,e é compreensível.Quando um país toma essa posiçom é óbvio que a gente se vai aterrecer; é mais, como sinalarom as agências de inteligência e os analistas muitas vezes, a gente fará algo en relaciom a isso. Trataram de atopar forças dissuasórias. Estados Unidos anima ao mundo a que proliferem as armas de destruiçom em massa e o terrorismo, ainda que só seja como dissuasório. A. C.:Um último email. Este é de Johm Blessem, em Beverly Hilhs, em Estados Unidos, e o seu mensage é: "Como pode Estados Unidos proteger-se melhor de estados canalhas como Coreia do Norte? E da ameaça nuclear, química e biológica dos estados rebeldes? As ameaças cataclísmicas som reais e algumhas iminentes para Estados Unidos, assi que como lavraria vosté, Dr. Chomsky, umha política de defessa para Estados Unidos?" Bem, tomemos o exemplo que se mencionou: Coreia do Norte. Nom se pode fazer um comentário geral, depende do caso. Tomemos Coreia do Norte. Acô há um forte consenso entre os estados da regiom (Coreia do Sul, Japom, China e Rusia) em que deve tomar-se um caminho diplomático, um caminho de negociaçons para reduzir a ameaça, que é real, e para integrar pouco a pouco a Coreia do Norte de novo na regiom de algum jeito, e éssa seria umha acçom acertada. De feito, Clinton deu alguns passos em essa direcçom. Nom os pujo em prática, mas os deu. Tiverom abondo êxito, e creio que esse consenso é correcto. A forma de se defender de essas ameaças é evitar que xurdam. Ha muitas formas de faze- lo, e é igual de valido para outros casos mencionados. No caso do Iraque, tratava-se dum regime horrível. Por isso sempre me opuge a que Estados Unidos apoiasse a Saddam Husseim, e tamém me opugem ao regime de sançons, que evitava umha revolta contra el, mas a pesar do terrível que era, nom era umha ameaça. Kuwait e Iram, que desprezam a Saddam Husseim (ambos forom invadidos por el) a pesar de isso nom lhe viam como umha ameaça, e havia umha boa razom: Iraque era o estado mais débil da regiom. Os seus gastos militares eram mais ou menos um tercio dos de Kuwait, que tem um dez por cento da povoaçom do Iraque. Foi diezmado polas sançons, praticamente desarmado: um lugar terrível, mas nom umha ameaça. Aquilo foi propaganda: umha propaganda repugnante e grotesca. Se quer botar umha olhada a outros casos, polos que exista algumha razom para se preocupar, entom si, faga planos apropriados ao respeito. Tomemos, por exemplo, a ameaça do terrorismo, que é muito real e muito perigosa. A ameaça do terrorismo incrementou-se graças às acçons da administraçom Bush. Por exemplo, as agências de inteligência estám avisando de que a captaçom de recrutas para as organizaçons terroristas como Al-Qaeda se elevou muito desde que começou a ameaça de invadir o Iraque, seguida da invasom, e isso é para anteciparse por boas razons. Sobreentende-se polo que. A. C.:Vosté busca desmascarar esta propaganda que afirma que o governo de EE.UU. está a coar à povoaçom. Quál é a atitude que a gente toma cara vosté, alguém que fala claro contra a actual política estadunidense? Todas as noites passo umha hora só para escrever muito ao meu pesar cartas declinando convidaçons para falar por todo o país ante audiências enormes, de grande interesse. Estados Unidos nom é diferente de outros países do mundo a este respeito. Há um grande medo e inquedanza acerca da política que a administraçom Bush está a levar a cabo. Se elimina o factor pánico, que ingeriu a propaganda, que é exclusivo de Estados Unidos, entom a oposiçom à guerra e à estratégia de segurança é aproximadamente a mesma em todas partes. Eu e tamém outras pessoas que desejamos falar publicamente estámos abrumados polas solicitudes e petiçons para debater estes temas. A. C.:Professor Chomsky, escritor, activista político e professor de lingüística do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, muitas graças por estar com nós. Graças. E graças a todos vostés por nos escuitar . Fonte: CausaEncantada, http://www.causaencantada.org/
|