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OUTRO MUNDO É POSIBLE • 21/10/2003 BOLÍVIA • O Gringo assassino renunciou e escapou para Miami.
"Este é o triunfo do povo boliviano", dixo o principal dirigente da Central Obreira de El Alto, Roberto de La Cruz, rodeado de homes mulheres, velhos e crianças feitos na pobreza e dignidade. "El Alto de pé, nunca de joenlhos", gritam os heróis anónimos, os heróis do gás, enquanto a televisom mostra o Parlamento, de onde se lia a renúncia do agora ex-presidente Gonzalo Sanchez de Lozada, o milionário que escapou da fúria popular em baixo da proteçom directa da embaixada dos EUA. Gonzalo Sánchez de Lozada ou "El Gringo", como é conhecido polo povo boliviano devido ao seu forte sotaque norte-americano, finalmente renunciou, em carta, nesta sexta-feira, depois das manifestaçons exigindo a sua saída que deixarem um saldo de 77 mortos e 400 feridos, vítimas da violenta repressom às mobilizaçons populares nas últimas semanas. O ex-presidente da Bolívia é um empresário milionário com uma longa história na política boliviana. Governara o país tamém de 1993 a 1997, quando foi o responsável de várias privatizaçons no país. Depois da renúncia, Lozada fugiu para Miami, nos EUA. A festa de El Alto se repete nas ruas de La Paz, regadas com sangue dos mais pobres, dos mais humildes. Ali caírom muitos para mostrar, hoje e sempre, que La Paz é "berce de liberdade e tumba de tiranos". Na Praça de San Francisco estam os mineiros, se abraçam e choram. No Congresso já foi jurado como novo presidente Carlos Mesa, empresário neoliberal. "Nom há confiança em Carlos Mesa. Tem que se por às ordes do povo, senom, vamos tirar", adverte La Cruz, que instrui nom baixar a guarda. As pessoas o abraçam, o beijam, o escuitam como quando chamou aos irmaos e irmás a resistirem. Mesa já está fazendo o seu discurso. Di que fará um referendum para que o povo decida se se vende ou nom o gás. Todos os meios de comunicaçom estam alá. Nós preferimos estar aquí a 4 mil metros de altura, na cidade de El Alto, de onde brilham como nunca as estrelas. O povo está festejando, amanha estará luitando de novo. As mobilizações prometem continuar polo menos até que a privatizaçom do gás seja cancelada. Mesa fala de umha assembleia constituinte, pede um prazo para fazer e oferece convocar novas eleiçons assi que o Congresso quiser, dominado em 2/3 polos partidos que acompanharom a Sanchez de Lozada. Fala de cumprir a lei, de luitar contra a corrupçom e os parlamentares o aplaudem. Pede trégua aos sectores sociais, os parlamentares voltam a aplaudir. Do lado de fora, longe da Praça Murillo, de onde come a Patria, a festa popular se repete e multiplica nos povoados do Altiplano, em Oruro e Cochabamva, nos Yungas de La Paz, nas minas, nos vales de Cochabamava, Chuquisca e Santa Cruz. Em todo país, em todo lugar, dentro e fora da Bolívia, de onde estiverem os bolivianos dignos. Fonte: CMI Argentina 18/10/2003 tirado de causaencantada.org, http://www.causaencantada.org/
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