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PALESTINA • 22/09/2004 A Crise do Plano Sionista e a possibilidade histórica da Revolução Palestina.
A imigração se converte num dilema para a política sionista. O governo sionista liderado por Ariel Sharon, enfrenta hoje uma crise interna, que não permite à sociedade israelense estar ao nível de outras, especialmente após terem manifestado sua desconfiança os vários setores da sociedade israelense, em relação à política interna e externa do governo sionista. A propaganda protagonizada pelo sionismo, que visa provocar a imigração de judeus para Israel, hoje tem outro "caráter" e finalidades. O governo sionista nunca libera informações sobre os números de imigrantes judeus que entram ou os que abandonam a Palestina, para a política sionista "é um assunto secreto do Estado". Na sua visita à Moscou no começo do mês de novembro do ano passado, Ariel Sharon foi perguntado por jornalistas, sobre o número de judeus russos que abandonaram a Palestina este ano, o líder sionista não respondeu. A imprensa Israelense estima que aproximadamente 40,000 judeus russos retornaram à seu país nos últimos meses, e centenas de judeus norte americanos também retornaram ou já se preparam para retornar à seu país, a grande maioria destes últimos são empresários.
Analistas israelenses acham que o governo enquanto está preocupado com a segurança interna ameaçada pela intifada e outros assuntos como a imigração e a corrupção, vários problemas se acumularam nos últimos meses rapidamente e levaram à esta profunda crise. Os analistas indicam que os novos empresários judeus russos que estão imigrando para Palestina, "estão trazendo o dinheiro da máfia russa", fenômeno que pode ameaçar a estabilidade legal dos outros empresários judeus, e levar a sociedade israelense à corrupção e à violência, por isso e por outros motivos e principalmente de segurança, começa a classe burguês judaica norte americana a retornar ao seu país, onde pode ter mais estabilidade econômica, segurança e futuro, fugindo de um Estado incapaz de dar segurança para o seu povo. Um país dominado por grupos políticos, econômicos e seitas religiosas com divergências ideológicas e estratégicas, que no meio desta crise não se coincidem estrategicamente para resolver os problemas. Hoje a maioria dos movimentos da oposição da direita israelense e da ala mais radical do Likud não acreditam nos compromissos políticos do governo com as mudanças para o melhor, devido à perda de confiança nos discursos dos chefes sionistas em relação a segurança interna e ao processo de paz na região, que apesar de todas as medidas, hoje a Intifada é a única ameaça para a estabilidade na Palestina, que com suas vitórias pequenas e relativas esta causando cada vez novos conflitos e instabilidade em "Israel", por outro lado, este medo é devido a perda de confiança na política exterior norte americana após a invasão ao Iraque e o surgimento da resistência iraquiana, que inspirou a Intifada e esta levando o governo sionista à um caminho sem saída. Esta desconfiança de vários setores da sociedade israelense esta se transformando em medo que afastou os sonhos das grandes vitórias e começou a abrir as portas para retornar às verdadeiras pátrias, onde tem segurança e futuro. A imprensa israelense estima que um milhão de judeus, a maioria deles norte americanos recusam imigrar para viver no território ocupado. Numa entrevista com jornal israelense, após os atentados na Turquia, uma mulher judia preferiu continuar vivendo no seu país -Turquia- do que ir para um país onde não existe segurança. As últimas pesquisas israelenses falam sobre mudanças no pensamento do povo judeu no mundo, que não inspira mais confiança na política sionista. Segundo o jornal israelense Ha´arts da primeira semana do mês de Dezembro passado: Os lideres do Shabak estão ajudando o povo israelense para mudar sua visão, más dizem também que é cedo ainda falar do resultado deste tipo de pensamento e da crise em total, mais alguma mudança radical esta por acontecer na sociedade israelense, talvez "uma crise sem saída". Muitos intelectuais judeus e da esquerda acham que a política sionista desfigurou o caráter do judeu, afastou o sonho das vitórias e acham impossível falar do Grande Estado de Israel na frente da realidade da Intifada e que é mais viável para a sobrevivência falar em um Estado democrático-laico. Hoje em Israel existem dois tipos de correntes de pensamento político judeu, uma que provoca a imigração dos judeus para Palestina liderada por Sharon que tenta utilizar ainda o anti-semitismo na Europa e Rússia, e outra contraria á política de Sharon, que pede ao governo modificar sua política para que não sejam ameaçados, todos os judeus do mundo. O fato de estimular grupos na América Latina de outras religiões para converter-se em judeus e logo imigrar para Palestina, e de aceitar a imigração do povo judeu de Flachimura na Etiopia - que nunca foi permitida sua imigração pelo fato de serem pobres e doentes -, e a política nazi-sionista de assassinar os líderes da intifada começando pelo assassinato do Sheik Ahmad Yassin e o Rantyssi, esta política demonstra a crise que vive hoje o sionismo, pois os judeus europeus não querem imigrar para Palestina, nem os russos, nem os norte americanos!!! então é melhor procurar os africanos pobres e desnutridos para substituir a crise. O que nos resta para dizer em relação ao primeiro ponto é que nesta situação delicada e difícil que sofre o sionismo, e apesar das tentativas diplomáticas para retomar as negociações pelo avanço do processo de paz, nada garante a estabilidade dos judeus nos territórios ocupados e seu futuro, de uma forma ou de outra, esta situação é um dos resultados das vitórias da Intifada. Crises estratégicas e militares do sionismo. O partido do governo israelense, o Likud, está rachado. A ultradireita, encabeçada por Benjamin Netanyahu, censurou publicamente qualquer possibilidade de estabelecer um "Estado palestino" no futuro, mesmo sem Yasser Arafat, e mesmo nas áreas da autonomia palestina segundo a resolução 242 da ONU. A decisão da ala radical do Likud, não dá lugar a equívocos: "Não à um Estado palestino, nem com o governo de Arafat, e nem sob a liderança de outra pessoa; nem hoje nem amanhã". A pesar das declarações de Sharon e Moffaz, sobre o desmantelamento de alguns assentamentos,-que na realidade estavam em projeto de construção ainda-, a ala radical do Likud, está se manifestando cada vez, contra a política de Sharon, que procurou durante os últimos dois meses apoio norte americano incondicional à sua política assassina. Para os radicais do Likud, os assentamentos são sagrados, o cesse da Intifada é primordial, ou talvez o assassinato do Sheik Ahmad Yassin e o Rantyssi poderia aprovar neste momento difícil o plano Sahronita e dar legitimidade ao seu partido para reduzir o peso da crise. O exército sionista vive em crise também. O movimento dos reservistas que se negam a servir na Cisjordânia e Gaza, qualificam o exército israelense como um exército de ocupação e uma força de opressão do povo palestino e reclamam a retirada israelense dos territórios e o desmantelamento das colônias sionistas, este movimento, cresce diariamente. As invasões sionista seguidas às cidades de Cisjordânia e Gaza, deu novos motivos de repudio e intransigência: mais de 250 reservistas no último semestre recusaram servir no exército sionista, e foram protegidos legalmente pela organização Yes Guul, que agrupa aos soldados e oficiais que se negam a servir em Gaza e Cisjordânia. Estas divergências no exército e dentro do próprio partido Likud que esta no mandato, refletem a crise que demonstra o grau que esta alcançando a descomposição do sionismo, uma decadência por fatores de caráter natural, no processo do desenvolvimento de um sistema capitalista. Manifestações pacifistas e enfrentamentos com o exército sionista-"a crise se traslada ao terreno israelense". O movimento pacifista israelense "Paz Agora", conhecido como Gush Shalom, cresceu em número e começa a radicalizar suas atividades nos últimos meses, devido a política assassina do governo de Ariel Sharon, e as crises na sociedade israelense, hoje conta com mais de 70,000 participantes e simpatizantes de todos os setores da sociedade israelense. Também tem participação de muitos estrangeiros que residem no território ocupado de várias nacionalidades. A construção do Muro de segregação racial de 700 Km de longitude e rodeia a Cisjordânia, é um dos temas principais que combate o movimento pacifista israelense. Desde dez de 2003 aproximadamente 400 pacifistas israelenses e estrangeiros, se protestam na localidade de Qalquilya contra a construção do Muro e contra a política terrorista de Ariel Sharon, freqüentemente tem enfrentamentos com as forças do exército sionista, se estima que 25 pacifistas são presos hoje. A policia israelenses identifica o grupo pacifista por anarquistas. Estas manifestações de protestos dos pacifistas, "na ausência fatal da esquerda israelense", são a expressão nacional de uma crise que está ampliando-se no terreno sionista, para alcançar -naturalmente- toda a sociedade israelense. A ala radical do Likud, identificou há uns meses atrás, os pacifistas judeus por "inimigos piores que os palestinos". Várias figuras destacadas do movimento pacifista receberam ameaças dos radicais do Likud. A aposta político-militar estratégica da Direção Nacional Unificada da Intifada (DNUI) e a política assassina do sionismo.
A DNUI tem enfocado seus ataques militares nos últimos meses contra soldados israelenses - no território ocupado - e colonos. O Departamento da Investigação de Milla, dirigido pelo o chefe das brigadas gerais, o General Yossi, tem visto isto como mudança significativa na estratégia de ataques dos guerrilheiros palestinos, que até pouco tempo atingia todos os israelenses, onde quer que seja, como alvos legítimos. A mudança, explica, provocada pela sensibilidade dos ataques de HAMAS é provocada pelo apoio da opinião pública do povo palestino. Segundo informou Yussi, os ataques de HAMAS contra alvos civis, tem sido também como uma resposta contra a política de Sharon que causou a morte de muitos palestinos civis durante as ultimas invasões em Rafah e Nablus. Acrescentou que segundo o Mossad Israelense, HAMAS e outros grupos palestinos tinham preparado 27 ataques contra alvos militares, para os ultimos 3 meses do ano passado, nenhum contra alvos civis foi feito, porque teve uma avaliação estratégica dentro da DNUI. Também informou que a participação militar da Frente Popular para Libertação da Palestina tem aumentado nos ultimos meses. A análise conduzida pelo Dr. Khalil Shkaki do Centro de investigação e estudos de Palestina em Nablus, crê que a aproximação do Yasser Arafat ao líder da HAMAS após o encontro do Cairo e a visita da delegação egipcia para a retomada das negociações para a paz, tem sido um fator importante para HAMAS avaliasse seus ataques contra "alvos civis". Informa também, que os ataques tem caido à 50 por cento nos ultimos meses mas não assim contra soldados e colonos. Após a declaração no dia 21 de Dez. De 2003, do Ahmad Qureia (Abu Alá), o primeiro ministro da ANP, na qual dizía que: "os israelenses e palestinos já estão cansados do conflito, e agora estamos prontos para negociar pela paz dos 2 países". A Jihada Islâmica, em resposta à esta declaração repudiu a posição política covarde do Abu Alá, e declarou que continuará na luta armada até a libertação da palestina, também reafirmou sua recusa às propostas por uma trégua e seu rechaço aos acordos de paz. A FPLP tem declarado anteriormente, dentro da sua posição política, que está contra os acordos de paz e reivindica a luta armada pela libertação da palestina. E ultimamnete ouvimos muito sobre as declarações do seu secretario geral Ahmad Saádat, insistindo na luta armada como única solução para a questão palestina. Na conferência de Herzliya, o assassino Ariel Sharon, considerou que os palestinos são a verdadeira ameaça para o plano político sionista na região, e em relação aos assentamentos, declarou estar disposto a desmantelar "alguns" deles, e que deixaría os que são de posições estratégicas no seu lugar. Esta declaração do Nazista Sharon, foi analizada pelos líderes da Intifada, que aspiraram novos massacres contra civeis palestinos como forma sionista de pressionar, a ANP e a opinião internacional para cessar o fogo por parte dos palestinos. Ao nosso modo de ver e analisar a atualidade política da DNUI, não cremos que seja verdade o que foi mencionado pelo Dr. Khalil Shkaki, é verdade que Arafat tem frequentado muito a casa do Ahmad Yassin após o encontro do Cairo, e isso não é novidade, más Arafat nunca conseguiu influenciar na política da HAMAS, talvez tinha sido sua intenção pressionar aos líderes da HAMAS para aceitar uma tregua, fato recusado pela HAMAS como decisão da DNUI. HAMAS e os outros grupos, aceitaram não atacar os civeis israelenses no território ocupado devido à discussão interna entre os líderes da Intifada, isso foi antes da sua viagem ao Cairo, e não foi pela pressão do FATAH que exigia uma trégua palestina unilateral. Por outro lado, a DNUI pretende através desta nova estratégia, em primeiro lugar evitar novos massacres contra civis palestinos, -"coisa que os sionistas jamais respeitariam e isso que vemos todos os dias"-, más seria um argumento usado pela Intifada, para que as intervenções dos países árabes como Egito e Jordânia ou as internacionais, não tenham valor para que não sejam um obstáculo no caminho da Intifada, e que possam limitar o apoio internacional à Intifada. Em segundo lugar, a Intifada com está estratégia de atacar contra alvos militares do exército sionista, é pretender conveter o conflito em possiblidade militar, tratar de igualar as condições militares da Intifada com as forças militares do exército sionista, já que as circunstâncias o permitem, e demonstrar para o povo palestino e todos os povos em luta, a possibilidade real da libertação e da autodeterminação. A Intifada nos seus 18 anos de luta, com milhares iguais a Ahmad Yassin e o Rantyssi, adquiriu experiéncias acumuladas, em táticas políticas e militares, e hoje se encontra em condições adequadas para iniciar uma nova étapa estratégica dentro da luta, que é desafiar o inimigo no seu ponto fraco, apostar com o inimigo que o conflito tem que ser entre 2 forças militares, e nos campos de batalha puramente militar, longe dos civis. A iniciativa da DNUI de respeitar os civis israeleses, é um reflexo da maturidade política, e é a imagem da verdadeira política da direção revolucionária que conduz esta luta, como um modelo único da nossa era contemporânea. A Intifada e a tarefa dos socialistas israelenses. A direção da Intifada mostrou durante o encontro do Cairo, sua posição firme e sólida e reafirmou uma vez mais que a luta armada é o único caminho para a Libertação da Palestina, e demonstrou sempre seu repudio às negociações e os acordos da Paz injusta. A Intifada, que conseguiu trasladar o centro e a base da revolução palestina para o próprio território da pátria usurpada, adquiriu depois de 18 anos de luta, grandes experiéncias, em táticas políticas e militares, e hoje se encontra em condições adequadas para iniciar uma nova etapa favorável à sua luta estratégica, e conseguiu desafiar o Estado sionista no seu ponto mais fraco, quando apostou, com o inimigo que o conflito tem que ser entre 2 forças militares, e nos campos de batalha puramente militar, longe dos civis. A iniciativa da Direção Nacional Unificada da Intifada, de respeitar os civis israelenses, é um reflexo da maturidade política, da direção revolucionária da Intifada, que abre novas possibilidades reais da vitória do povo palestino. A atual situação na Palestina, a revolução palestina representada pela Intifada que assumiu a luta armada como única solução para a libertação da Palestina, e a descomposição sistemática do sionismo, abrem a possibilidade da resolução, por meio da luta, de um conflito histórico. Na sociedade israelense existe uma vasta massa de oprimidos por um opressor homogêneo. O Estado sionista de Israel em realidade, não poderá ser desmantelado apenas pelo impacto do levantamento nacional palestino, sendo a luta armada de um lado só. Más por certo, a luta nacional palestina pode emergir a um setor israelense explorado que se levante, se identifique e se una em uma luta comum com o povo palestino contra o Estado sionista-capitalista. Este é o caminho que poderia salvar aos explorados tanto palestinos como israelenses da armadilha mortal do sionismo, um regime que demonstra em forma cada vez mais aberta seu caráter fascista, nazista e imperialista. Esta é a tarefa histórica dos socialistas israelense hoje, é preparar o terreno israelense para expandir a luta da Intifada pela Libertação Nacional de um inimigo comum. O programa político da esquerda sionista, que participou nas negociações de Ginebra do ano passado, cujo objetivo explícito é desarmar a Intifada, com propostas capitalistas inviáveis de "uma paz de iguais". O atual programa política da FATAH e a ANP, não é muito diferente do programa da esquerda sionista. Se caracterizam por ser entregues ao imperialismo com comportamento covarde. Estes movimento, mesmo tenham potencialidades revolucionárias, se caracterizam por uma condução contrarrevolucionaria. Israel, procura desmantelar as forças armadas da Intifada, que se coloca através da luta armada, como o único obstáculo no caminho, diante o avanço no plano sionista-imperialista na região O governo sionista de Israel, jamais aceitaria este desafio da Intifada que se coloca no marco de uma força militar com possibilidades de enfrentar o seu exército em guerra de guerrilha, que pode causar as piores perdas até o momento. Para evitar este desafio no terreno do conflito com a Intifada e minimizar sua importância militar, o governo sionista de Israel assassinou dois grandes líderes da Intifada e continurá seus ataques e assassinatos contra civis palestinos causando maiores massacres, por um lado para enfraquecer sua estratégia político-militar e por outro para provocar a Intifada que terá que responder por igual, quando um Estado que nasce do crime usa os civis para justificar sua política terrorista, e verémos a resposta da Intifada nos próximos dias. Fonte: Publicado na Revista Marxismo Vivo Nº 9 ano 2004. http://www.palestina1.com.br Para saber máis: http://www.alquds-palestina.org http://www.comunidadpalestina.org http://www.palestinemonitor.org http://www.france-palestine.org http://www.jerusalem.indymedia.org |