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PALESTINA • 02/10/2004 A Intifada Palestina - Quarto Aniversário.
A segunda Intifada, que entra hoje no seu quinto ano, viu o mundo,
distraido pelos acontecimentos no Iraque, desviar seu olhar da Palestina,
o que permitiu à Israel prosseguir com as violações
dos Direitos Humanos dos Palestinos em toda impunidade. A mídia Internacional é mais acessível a narrativa
israelense, o que permite a Israel de fazer passar sua versão
dos fatos. Além disso, nós assistimos, nestes últimos
anos, a uma deteriorização do apoio internacional
ao Processo de Paz, muitos parceiros se desencorajaram e se tornaram
reticentes, após terem apoiado o Processo de Paz de Oslo. Entretanto, a Intifada também assistiu o surgimento de um
novo movimento democrático de protesto e de oposição,
nascido no interior dos Territórios Palestinos Ocupados,
assim como a consolidação do apoio aos dirigentes
Palestinos pioneiros, pertencentes a um tipo de nova escola. Os mortos e feridos No curso dos quatro anos que passaram após o funesto "passeio" de Sharon na Esplanada das Mesquitas, nós temos a lamentar a morte de 4.342 pessoas, Palestinos e israelenses. Sobre este total 1.008 eram israelenses, e 3.334 Palestinos. 82% dos Palestinos eram civis. São de dois a três Palestinos que são mortos, cotidianamente, pelo exército, polícia ou colonos israelenses. No caso desse número parecer "pouco alto", saiba que, se aplicarmos a taxa de mortalidade do Reino Unido, isto seria 35 britânicos mortos a cada dia. Nos Estados Unidos, seriam 157 americanos. Depois do início da Intifada, em 28 de setembro de 2000, 621 crianças Palestinas de menos de dezessete anos foram mortas pelas forças israelenses de ocupação. Sobre este total, 411 foram mortos por tiros de balas reais, 200 entre estes foram atingidos no rosto ou no pescoço. 331 destas jovens vítimas viviam na Faixa de Gaza. 10.000 crianças Palestinas foram feridas. O Dr.Barghuti insiste sobre o fato de que não seria possível haver nenhuma desculpa para justificar a morte de um número elevado de crianças. Assim como não se pode justificar o número extremamente elevado de ferimentos faciais, freqüentemente mortais : é evidente, os militares israelenses visam para matar. De fato, a maioria das crianças Palestinas mortas foram atingidas, senão na cabeça, no mínimo acima da cintura. 424 Palestinos perderam a vida no decorrer de execuções (ler:assassinatos) extra judiciais : 186 entre eles eram simples transeuntes ou vítimas "não intencionais", que foram mortas por estarem próximas da vítima visada. 39 destes transeuntes eram crianças e 26 mulheres. Em matéria de execuções extra-judiciais em Gaza, é um terrível número de 118 transeuntes ou testemunhas fortuitas que foram assim mortas, se juntando aos 72 Palestinos assassinados intencionalmente. Prisioneiros Palestinos Israel persiste em recorrer à antigas leis de exeção, que remontam ao Mandato Britânico. Estas leis permitem prender ou deter absolutamente não importa quem, e por durações ilimitadas, sem nenhuma acusação contra os "suspeitos". Atualmente, são 78 crianças Palestinas que estão
presas assim, sob o império da "detenção
administrativa". Saúde 30% das crianças Palestinas sofrem de malnutrição crônica. O número de mulheres grávidas excluídas de todo acompanhamento médico durante sua gravidez quintuplicou após setembro de 2000. Economia A infra-estrutura Palestina chegando ao montante de mais de um bilhão de dólares foi destruída pelo exército israelense, infra-estruturas financiadas por países doadores ao nível de mais de 200 milhões de dólares. Após o início da Intifada, o PIB Palestino baixou em 50% e as perdas agrícolas se elevaram a mais de um milhão de dólares. Educação O exército israelense bombardeou (ou fez incursão dentro) de mais de 298 escolas Palestinas. Quatro jovens crianças foram mortas por tiros em plena cabeça dentro de escolas das Nações Unidas (UNRWA) na Faixa de Gaza, no decorrer dos nove primeiros meses de 2004, sómente. Água e evolução do Aparheid Após setembro de 2002, o preço da água nos Territórios Palestinos, passou de 2,5 $m3 à 7,5 $m3. E este número é demasiado por 70 litros/pessoa/dia que representa a ração de água consumida na Cisjordânia (*West Bank) para o uso doméstico urbano E industrial. 200 comunas Palestinas não têm acesso à rede de água potável. Quanto a Faixa de Gaza, nós não podemos mais prever um desastre, porque ele já está aí: não existe nenhuma fonte de água, em Gaza, que seja potável. Cada cidadão israelense consome cinco vezes mais água que um cidadão Palestino. Os colonos ilegais que vivem na Cisjordânia consomen vinte vezes mais água do que seus vizinhos Palestinos. Restrições de movimento Existe hoje, somente dentro da Cisjordânia, 703 obstáculos físicos ao deslocamento dos Palestinos.Citemos à título de exemplo os efeitos provocados na vida cotidiana dos Palestinos, o fato que um trajeto de Ramallah à Hebron (*al-Khalil) necessite até doze horas, para muitos Palestinos, que em condições normais, levariam em torno de uma hora para percorrer esta distância. 86 crianças foram mortas pelo motivo destas restrições impostas à seu deslocamento, e este número inclui 30 crianças. Se estas pessoas tivessem podido se deslocar livremente, elas teriam sem dúvida sobrevivido. Além do mais, são pelo menos 55 mulheres que foram obrigadas à dar luz diante dos check points, 20 destas morreram durante o parto. O Muro O muro (atualmente levantado por Israel) é duas vezes mais longo e duas vezes mais alto do que o Muro de Berlim. Em Qalqilya, 40.000 habitantes estão aprisionados pelo Muro dentro do que não pode senão ser chamado de gueto. Com as pessoas que estão aprisionadas no interior dos bolsões traçados pelo Muro, os habitantes dos vilarejos vizinhos se encontram entretanto do lado ocidental (= israelense) do Muro, e estão então separados inteiramente das escolas, dos empregos, dos centros de saúde e de suas famílias. Na verdade, muitos dentre eles perderam todo acesso ao mundo exterior, este acesso estando controlado por 11 portões guardados por soldados israelenses, portões os quais não são abertos coletivamente que por uma duração cotidiana inferior à uma hora (55 minutos ). Qualquer um que deseje entrar em Qalqilya ou partir deve estar munido de uma permissão especial - todo mundo : inclusive os doentes e os serviços sanitários. Certos habitantes de Qalqilya reclamam de não mais ver, entretanto, o sol se pôr Enquanto se debate ajustes trazidos ao traçado do Muro, na realidade não existe nenhuma mudança, fora algumas alterações puramente cosméticas. É a isso que nós assistimos, e não sómente à construção do Muro : está aí a destruíção de toda possibilidade de dois Estados. Retirada de Gaza e Mapa do Caminho Sharon não aceitou senão o Mapa do Caminho que seu gabinete aprovou. Não esqueçamos que esta aprovação foi condicionada por 15 cláusulas de reserva, a primeira era a recusa de congelar as novas construções de colonias. Ao mesmo tempo, enquanto Sharon fala em suprimir colonias na Cisjordânia, ele não faz referência que a quatro dentre elas, situadas no norte, em terrenos que não podem ser engolidos por Israel através do Muro. Bem entendido, todas outras colonias existentes permanecerão, porque elas estão situadas sobre terras que Israel deseja anexar, graças ao Muro e aos enclaves que recortam o Territórios (teoricamente) Palestinos. Ao que diz respeito ao Plano (de desengajamento de ) Gaza de Sharon, a maior parte da mídia mundial continua infelizmente de maneira errônea à falar em têrmos de "retirada". Na realidade, Sharon jamais fez alusão à qualquer "retirada". O que ele efetivamente disse, é que Israel se deslocará a partir de Gaza e do Egito, mas que o exército poderá entrar novamente na Faixa de Gaza, a todo momento julgado oportuno por ele. Em Rafah, o exército israelense destruiu uma média
de seis casas por dia, a fim de abrir um "no man's land"
entre a Faixa de Gaza e o Egito, que permitirá à Israel
um melhor controle fronteiriço. Períodos de "calma relativa"? No decorrer do ano que passou, nós constatamos um aumento significativo do apoio popular à resistência não-violenta . Esta é a razão pela qual os atentados suícidas diminuíram de maneira sensível em Israel, e não graças ao Muro. Entretanto, isto não parece (pena) ter incitado o exército israelense a parar de prender os Palestinos. Entre 15 de março e 31 de outubro último, a mídia internacional evocou um período de "calma relativa", pelo único motivo de não ter havido atentados suícidas (*sic!) visando israelenses. Entretanto, na segunda quinzena de março houve 45 mortos Palestinos, sem que um só israelense tenha sido ferido; no mês de abril tivemos 56 Palestinos mortos, em relação à três israelenses; e no mês de maio, nós tivemos à lamentar 116 Palestinos mortos (a maioria durante a "Operação Arco-Irís", em Rafah), comparado à 19 israelenses mortos. É preciso notar que sobre o total de israelenses mortos, 18 eram militares, 10 eram colonos ilegais e três sómente eram civis. Isto significa que durante o período de cessar-fogo quase total, do lado Palestino, Israel continuou matando civis Palestinos, dentro de uma proporção de 12 Palestinos por 1 israelense. Se Sharon fosse minimamente sério quando ele diz pretender querer uma solução pacífica, ele deveria ter aproveitado honestamente este período de calma. Mas não : ele continuou a matar ainda mais Palestinos que de hábito, depois do início da Intifada ( se nós não contarmos a invasão dos Territórios em 2002) Eleições Palestinas e Democracia futura ? O exército israelense obrigou o fechamento dos escritórios de registro eleitoral em Jerusalém, assim como em outros locais da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O Dr. Barghuthi insistiu sobre o fato que se trata de ações totalmente inaceitáveis e também sobre o fato; para que os Palestinos possam levar a têrmo reformas através de um processo democrático, a comunidade internacional não deve se contentar em condenar estes atos de Israel : ela deve exigir que Israel permita a abertura destes escritórios. A democracia, ele insistiu, é a pré-condição, não sómente de reformas, mas também de uma paz durável - uma paz baseada na justiça. O Dr. Barghuthi concluiu sua entrevista coletiva dizendo que está certo quase 100% que o mesmo público o receberá para uma nova entrevista coletiva, daqui um ano, para marcar o quinto aniversário da Intifada Porque até hoje, os Palestinos não têm nenhum motivo para parar de resistir. "Ou nós vivemos como escravos, sob ocupação, ou nós continuamos à lutar por nossa liberdade", concluiu o Dr. Barghuthi, mostrando que ele escolheu, bem entendido; a segunda opção. Fonte: PALESTINE MONITOR http://www.palestinemonitor.org Tirado de http://www.palestina1.com.br Tradução : Elaine Guevara *notas da tradução : Até ontem a noite o número total de mortos desde o início da Intifada era de 4.4000, incluindo, 3.376 Palestinos e 953 israelenses, de acordo com AFP. Para saber máis: http://www.alquds-palestina.org http://www.comunidadpalestina.org http://www.palestinemonitor.org http://www.france-palestine.org http://www.jerusalem.indymedia.org |